sábado, 20 de janeiro de 2007

"Les honneurs, ça m'emmerde!" (Che Guevara)





As notícias sobre o estado de saúde de Fidel Castro transportam-me automaticamente para a figura de Che Guevara, como se um não fosse o que foi sem o outro. Mas, o Che, transcendeu tudo e me interrogo o que seria o mundo se Che ainda fosse vivo hoje, mesmo com 79 anos de idade.
Ernesto nasceu em 14 de Junho de 1928 em Rosário de la Fé, na Argentina, filho de Ernesto Guevara Lynch e Célia de La Serna Y Llosa.
Com dois anos de idade, Ernesto tem a sua primeira crise de asma que leva seus pais a procurarem um clima mais saudável. Instalam-se em Alta Gracia nas montanhas de província de Córdoba, a noroeste da Argentina. Desde cedo já lia tudo o que existia na biblioteca paternal ao mesmo tempo que aprendeu francês, ensinado pela sua mãe. Aos 14 anos já lia Baudelaire, Mallarmé, Neruda, Anatole France mas também Freud e Jung.
Escolheu estudar medicina em Buenos Aires, ficou isento do serviço militar por causa da asma, praticou ténis e golfe. Trabalhou como enfermeiro num navio-cisterna e num matadouro municipal. Com um amigo criou um insecticida - o Átila - que não chegou a comercializar.
Numas férias universitárias decidiu ir ter com um amigo que vivia a 850 km de distância. Montou um motor Cucciolo na bicicleta, alguma roupa, um livro de Neru foram a sua bagagem. Trabalhou com o amigo numa leprosaria e, no fim das férias, regressou a Buenos Aires pelas estradas secundárias onde totalizou 4.500 km. Aos 23 anos, quase terminados os estudos de medicina, Ernesto arranca com o seu amigo Alberto para uma viagem pela América Latina numa moto Norton. Após sete meses, os dois companheiros separam-se em Caracas. Finalmente, obtém o seu doutoramento.
Volta a partir para o Peru, passa pela Bolívia, atravessa o Equador, Costa Rica. Aqui encontra exilados cubanos e ouve falar de um tal Fidel Castro Ruiz. Na Guatemala conhece Hilda Gadea Acosta, uma militante peruana exilada que o introduz nas leituras de Lenine, Trotski e Mao. Ambos fogem para o México onde Ernesto sobrevive como fotógrafo chegando a ser contratado pela agência noticiosa Latina para cobrir os jogos Pan- Americanos. Hilda e Ernesto casam-se em 1955 e poucos meses depois nasce Hilda Beatriz, a primeira filha do Che.


O Che com a mãe
E, é no México que a vida de Ernesto vai conhecer a viragem que o torna Che. Conhece o chefe dos exilados cubanos no México, Fidel Castro que o convida a integrar a revolução. Numa carta ao pai, escreveu: "a partir de agora, não considere a minha morte como uma frustração. Quase se, tal como Hikmet, só levasse para o túmulo o tédio de um canto inacabado..."
É aqui que Guevara ganha o famoso Che, uma expressão usada pelos argentinos para referir pessoas.
Numa carta a sua mãe, Che Guevara dizia: "não sou nem um Cristo nem um filantropo. Sou completamente o contrário de um Cristo e a filantropia parece-me nula em relação às coisas em que creio. Bater-me-ei com todas as armas ao meu alcance em vez de deixar-me pregar na cruz ou no que quiser".
Com 82 resistentes, desembarca em Dezembro de 1956 na costa cubana onde o grupo é dizimado pelo exército regular de Batista. Os sobreviventes refugiam-se na Sierra Maestra donde, com a adesão de camponeses, parte para a revolução que o levará a Havana com Fidel.


Guerrilheiro, banqueiro, ministro, escritor, médico, fotógrafo, Che era "um visionário que punha o futuro no seu lugar....era um homem extra-sensorial...era alguém dotado de uma má respiração e de uma fantástica inspiração", no dizer de Tirso Saenz, um seu colaborador no ministério da Indústria.

1967, Bolívia. O Che está escondido nas montanhas com um grupo de guerrilheiro. Estão cercados por duas companhias de tropas especiais bolivianas enquadradas por "conselheiros" americanos. É atingido numa perna e capturado. Em 9 de Outubro, na aldeia de La Higuera, é fusilado.
Jean-Paul Sartre disse dele: "Che Guevara faz parte dos grandes mitos deste século; a sua vida é a história do homem mais perfeito da nossa época".
(fonte: Che - A Fotobiografia, de Christophe Loviny)

5 comentários:

maría disse...

Oh,cuánto me emociona ver que has tenido un recuerdo a ese hombre maravilloso que fue nuestro "Che".
Un verdadero mártir,un Cristo laico.
Quiero incorporar a tu blog un poema de él en donde se puede apreciar el amor que sentía por alguien que se ha olvidado hace tanto tiempo:el hombre.

"Cristo,te amo
no porque bajaste de una estrella
sino porque me enseñaste
que el hombre tiene sangre,
lágrimas, congojas, llaves
para abrir las puertas cerradas
de la luz.
Tú, nos enseñaste que el hombre es Dios, un pobre
Dios, crucificado como Tú
y, aquel que está a tu izquierda,
en el Gólgota, el mal ladrón,
también es dios."
(Ernesto Che Guevara)

Marita

Pitigrili disse...

Falta-te um capítulo importante.
É altura de leres "O ano em que não estivemos em parte nenhuma".

Pablo Pichasso disse...

Os teus dois ultimos posts retratam um pouco a vida de 2 gigantes que também aprendi a admirar, Ernesto Guevara e Leonard da Vinci. Só te falta um, Nelson Mandela.

Helder de Sousa disse...

Obrigado Piti.

O ANO EM QUE ESTIVÉMOS EM PARTE NENHUMA

Livro de Paco Ignácio Taibo, Froilan Escobar e Felix Guerra conta a história da presença de Guevara em África.

Corriam boatos de que tinha sido assassinado por Fidel durante uma discussão… Que morrera às mãos da Mafia e estava enterrado numa cave em Las Vegas… Que estava a apoiar a insurreição na República Dominicana… Que estava encerrado em Cuba num hospício psiquiátrico…
Onde estava Ernesto Che Guevara em 1965?
Durante 25 anos, este foi um segredo zelosamente guardado por mais de um milhar de pessoas.
Testemunho de primeira ordem, "O ano em que estivemos em parte nenhuma" reconstrói um episódio praticamente inédito na história recente: a participação de um grupo de combatentes cubanos sob o comando de Ernesto Che Guevara na guerra de libertação do Congo Belga, em meados dos anos sessenta.
Uma relação minuciosa dos preparativos, a expectativa, o esforço, as dificuldades e, acima de tudo, o choque entre dois povos que, não obstante compartilharem uma mesma origem e os mesmos ideais revolucionários, resultou em factor determinante do fracasso.

Helder de Sousa disse...

Graças a este tema descobri o endereço do Campo das Letras onde se pode comprar livros pela Net
www.loja.campo-letras.pt

Counter II

Counter