quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

a boiada


O meu antigo colega na RTP, que acabou por se formar em direito, o José Teles, deu-me a conhecer o seu blog "A boiada" .....http://aboiada.blogspot.com....
Não sabia dele há uns bons vinte e tal anos....eis que a feiticeira da net me coloca em contacto com ele, ou melhor, dele comigo.....
e eu até gosto destas cenas internéticas....recuperar amigos, colegas, conhecidos de coisas comuns, à velocidade de um click, é do melhor que que o Bill Gates me poderia dar....e, como não sou esquisito, até agradeço...
agradeço estar aqui pronto e disponível para "recuperar" antigas amizades e conhecimentos que, na melhor das hipóteses, não passariam de um breve apontamento num dos meus cadernos....
é comum dizer-se que "quem tem amigos tem tudo, quem não os tem não tem nada".
A vida, essa amiga que nos possui a cada inspiração, ensinou-me que, de facto, os amigos fazem parte da nossa vivência e nos preenchem vazios passageiros.
Vinte e tal anos depois, o José Teles contacta-me para um determinado assunto. Acho "isto" simplesmente admiravel. E empolgo-me.
Vão até lá...até ao blog do José Teles....

sábado, 9 de janeiro de 2010

Casamento, matrimónio, união


Dicionários actualizaram as palavras «casamento» e «matrimónio».

As edições online dos dicionários da língua portuguesa da Porto Editora e Priberam já actualizaram os sinónimos da maioria dos vocábulos relacionados com casamento, antecipando-se à aprovação, na sexta-feira, pela Assembleia da República, do casamento homossexual.

Os dois dicionários já definem casamento como um contrato «entre duas pessoas», sem distinguir o género, mas o da Porto Editora, disponível no site da Infopédia, ainda refere que, à luz do direito, o matrimónio é um «contrato perante a lei para um homem e uma mulher viverem em comum».

Contactada pela agência Lusa, fonte da Porto Editora afirmou que a entrada «matrimónio» vai ser actualizada «na próxima semana» na Internet e na edição de 2011 do dicionário impresso, que deverá ser lançada no segundo ou terceiro trimestre deste ano.

A mesma fonte referiu que a entrada «casal» não será alterada, apesar de, nas duas primeiras acepções, definir o termo como «conjunto de macho e fêmea» e «conjunto de duas pessoas de sexo diferente».

A fonte salientou que já não há alusão ao género na terceira acepção dada ao vocábulo «casal»: «conjunto de duas pessoas casadas ou que mantêm uma relação amorosa ou íntima».

O termo «casamento» surgia no Dicionário Editora como «contrato celebrado entre duas pessoas de sexo diferente», mas a referência «de sexo diferente» foi retirada em 2002, afirmou a fonte.

«Não fazia muito sentido estar a referir o género da pessoa. No caso de matrimónio, os linguistas vão seguir a mesma orientação», disse, realçando que, contudo, «não são os linguistas que fazem a língua, que reflecte muito os valores sociais e culturais da sociedade».

O dicionário Priberam não distingue o sexo nos sinónimos dados às palavras «casamento» e «matrimónio», mas mantém as mesmas três acepções da Porto Editora no conceito de «casal».

O sentido tradicional do vocábulo casamento surge ainda em dicionários e enciclopédias impressos mais antigos, nomeadamente na edição de 2005 do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, que define casamento como «vínculo conjugal entre um homem e uma mulher».
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Finalmente, este país tão malvisto pelos seus próprios nacionais, deu um exemplo de compreensão da realidade, de tolerância, de justiça.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Bom Diaaaaa !!!!!!!

Ora então
bom dia minha gente
sadia

Aqui vai o meu bom dia enorme
polvilhado em toda a dimensão
da hora verdadeira em que nós somos gente
com toda a força de todos os caminhos
Bom dia por aí
cheio da beleza de tarefas de alegria
e senso positivo
rigorosamente positivo
tal como este instante de sol que nos abraça
neste bom dia apanágio
neste gesto sempre eterno
corre corre envolve tudo
no tudo deste bom dia

Bom dia irmã Salomé
pai João avó Rosária
sorrisos para vocês
Bom dia rios e pássaros
cidades e matagais
mussocos e estradas de mar
Bom dia rostos e rostos
palavras gestos e actos
minha sonata de vida
em cada gota de pão

Bom dia mãe Isabel
mãe do meu reino do mar
benção do meu procurar
dos meus sons e dos meus muros
Bom dia senhor doutor
Dona Chica carro grande
servente para o jardim
com uma flor diferente
para cada sol de manhã

Bom dia meninos de escola
bata branca suja d'óleo
pés descalços na lagoa
correndo minutos e horas
num Dinguir de aventuras
de cajús e tambarinos

Bom dia na palma da mão
na tela dos largos fantasmas
altas casas avessos cheios
fomes frios e sedes
gente toda minha gente
bom dia para vocês
em labaredas de rosas
campos e campos de asfalto
bandeiras astros e cantos
dedos frutos labirintos
medalhas e símbolos abertos
chuvas e feras e bruxos
logarítmos e átomos
sonos portas e estatutos
esquinas vontades e mitos
Oh terra da minha gente
ao suor desta manhã
aqui está o meu abraço
que eu grito no canto enorme
do calor do nosso sol
aberto de par em par
ao meu bom dia constante

Aqui estou eu homem todo
num gesto de amor total
em cada rosto que passa
cheio de pressa em chegar
sem geito de poder ir
Eu homem músculos barro
palavras e movimento
sangue nervos e vontade
no encontro comum dos sons
da manhã desta cidade
repetindo por aí fora
o meu bom dia de gente.

João Abel - Bom Dia

João Abel Martins das Neves, poeta angolano.

A última vez que estive com o João foi em Lisboa onde tinha ido em viagem de visita médica. Ele estava doente mas não mostrava. Lembro-me que o Benfica jogava naquela noite e ele só estava interessado em ver o jogo. Jantamos em minha casa, falamos do tempo presente mas, na minha cabeça, pululavam imagens de muitas vivências, especialmente as ligadas às mesas da Monte Carlo em Luanda, onde parava também o "Zé" Graça Luandino Vieira, o Mário Guerra, o António Cardoso. Tertúlia de luxo, onde serigrafia, poesia, filosofia, política, se misturavam harmoniosamente com o conceituado "Bife à Monte Carlo" quando a fome batia na hora do fecho, todas as noites adiado pela benevolência dos empregados.
De baixa estatura, olhos vivos, tez morena, o João, na suavidade do trato, preenchia um espaço mil vezes maior que o seu corpo.
Quando soube do falecimento dele, perdi um pouco de mim. Achei bem, porque me surgiu um flash na memória, recordar o João neste dealbar de novo ano, com o seu Bom Dia, aliás, um cumprimento que ele usava sempre, a qualquer hora.
Bom dia, João.

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