sábado, 21 de Novembro de 2009

o discurso


Hoje é, por ter mesmo que ser, o dia de todas as palavras. Dia de que cada um que passar por esta tribuna se lembrará até ao silêncio sagrado da sepultura, a menos que, antes, venha desse mistério do Cosmos a brutalidade de um varredor de memórias como o Alzheimer e nos dê cabo de uma das mais belas relíquias conservadas nos labirínticos baús do cérebro. Quero muito sinceramente chegar ao rude calar da voz, ao apagar cruel da vida, com a estampa desta tarde feliz em condições de ser recordada sempre.

Meus amigos,
No dia de hoje, 21 de Novembro de 2009, eu e mais doze outros angolanos vencidos pelo vício bom da escrita, descobrimos a fórmula infalível de se ganhar peso no tempo curto de uma cerimónia pública. Na verdade, ao franquearmos as portas desta Casa e assumirmos a ousadia de reviver o mesmo ambiente que Agostinho Neto inaugurou sendo muitos de nós meninos farruscos do areal, alguns fazendo gatafunhos nas creches que Angola não possuía e outros até ainda sem estarem contemplados pelo dom da vida, só poderemos sair daqui da única maneira que é possível: com mais peso sobre os ombros: o peso da responsabilidade de cidadão, de patriotas, de homens e mulheres que optaram por servir Angola no campo que lhe confere a dimensão da glória e do respeito num Mundo de disputas pela notoriedade, a cultura.
Portanto, sabemos todos o que este compromisso que assumimos agora vai significar daqui para a frente. Não nos tornamos notáveis nem estrelas; somos – isso sim – cidadãos com os passos escrutinados, a preguiça questionada, a qualidade cobrada segundo padrões mais exigentes, porque os leitores – esperamos – vão aumentar exponencialmente.
Estamos a ter os nossos quinze minutos de fama e é como se diz na gíria quase maçónica dos negócios: “não existem almoços de borla”. Se a União de Escritores Angolanos teve a gentileza de nos acolher no seu regaço, quererá com certeza alguma coisa em troca. E ainda bem: faz-nos o único pedido que dela pode partir, que escrevamos muitos e bons livros, para que as letras angolanas se suplantem na qualidade, nos temas, na diversidade, nos nomes.
Aproveito para anunciar, desde já, que farei a minha parte. Num intervalo curto de dez dias, se as velhas armadilhas das gráficas forem tolerantes, terei todo o prazer de voltar a ver-vos a todos nesta sala, para receberem “Um Ano de Vida”, o livro que escrevi aos pedaços mas disciplinadas entregas de sete em sete dias.
E é por este mesmo parto anunciado que vou começar por lembrar-vos os caminhos da minha escrita, dizendo que Um Ano de Vida pertence-nos a todos, certamente mais que qualquer outro livro que tenha escrito antes.
Primeiro, porque são crónicas recentes, que ganharam expressão material desde o dia 14 de Novembro de 2008, quando nos lançámos na ousadia do jornal O PAÍS, obedecendo a outra minha paixão incorrigível: o jornalismo.
Digo que é um livro de todos porque os motivos, os temas, a inspiração, vieram de todo o lado. Nada nem ninguém, quase, ficou de fora. Estão os tempos de yakala yá, quando as pedras na madrugada tinham estatuto de fila humana e o recolher obrigatório deixava nos cidadãos a incerteza entre o deixar-se estar em casa e o pão que faltaria, com a berraria desatinada dos filhinhos que, por mais que se lhes explicasse, nunca entendiam o que era isso de comida racionalizada, a carne à míngua, o arroz aos quilinhos, o açúcar às colheradas. Estão as alegrias desse tempo esquisito, quando era um acto de heroísmo shakesperiano ou valentia troiana, conseguir ao meio-dia um prato de arroz com peixe frito, acompanhado de um batalhão de finos em copos reco-recos da Vidrul, bebidos depois com um desespero de tuaregue do Sahara no inesperado oásis que segura o minúsculo fio de vida. São crónicas do absurdo e do nobre, da inocência e do grotesco. Trazem tudo como num bom sarrabulho servido num quintal com alma angolana, onde cinco convidados depois se transformam em dez, quinze, dezanove, vinte e muitos, porque a música já levanta poeira e a vizinhança resolveu entrar também, os amigos dos amigos são convocados de emergência para darem cabo da cerveja que ameaça sobreviver à caçada.
É assim como espero que Um Ano de Vida seja recebido, por ser um livro que traz muito dos meus encontros e desencontros com Angola, as suas gentes simples, os meus camaradas de profissão, as minhas viagens de repórter mas, sobretudo, o meu nunca oculto amor pelas pessoas e os lugares que o apelo da grande cidade deixou. São crónicas com sabor ao mais palpitante dos lugares que piso sob este céu azul de África, o Tomessa.
Sim, porque foi ali que tudo começou, um dia.
Nasci de pais humildes e batalhadores. Meu pai, um multiofício que tanto fazia calças para os vizinhos, desenrascava uma janela para o forasteiro, ou aplicava uma injecção de quinino ao amigo que ardia em febres palúdicas. E fazia mais: ensinava os menos afortunados a descobrirem o segredo das palavras na popular cartilha João de Deus, cultivava o café, a ginguba, o feijão, o milho e a banana para a prole; mergulhava na emoção da bola no seu Sporting Clube do Banza Polo para os campeonatos das Regedorias mas galvanizava ao mesmo tempo meia Carmona no seu Clube Recreativo do Uíge, onde era estrela respeitada pelos seus golos, as suas assistências, os seus dribles de seguríssima antologia. No fim de tudo, sobrava-lhe o essencial: tempo para amar. A mulher que teve, os filhos que gerou, sete ao todo.
Do outro lado da balança, minha mãe. Mulher de armas, pequena apenas no físico, e um génio tremendo que a tornava vizinha do temível. Morreu sem poder ler os livros que o filho escreveu, porque nem a Cartilha João de Deus, nem a gloriosa Batalha da Alfabetização lançada por um filho inalcançável desta Casa –Agostinho Neto – conseguiu dar-lhe a luz das letras. Mas mesmo assim morreu infinitamente feliz, sabia que os filhos liam por ela, para ela e quase com ela.

Os meus primeiros gatafunhos num caderno foram na escola primária do Tomessa, um rectângulo de tijolo e argamassa de paredes pintadas em creme que ali ainda distribui generosamente o melhor que um povo pode ter, longe do brilho e da estridência do neón, dos Ferraris, das pesadas mascotes em ouro, dos cartões de crédito sem limite, dos poderes que esmagam os fracos: a educação.
Tratei sempre de ser um bom aluno. Aprendi cedo que nas condições limitantes de uma aldeola rodeada de verde, mato denso, barro vermelho e pouco mais, o sonho do mundo tinha de andar intensamente preso à luta pelo saber.
Os sinais de que as letras me conquistariam pertencem a um tempo curioso. Foi na transição do menino da aldeia para o colega pobre de meninos brancos, na Escola Preparatória Marechal Carmona. Lutava para nunca ter festa quando a nota na disciplina de Língua Portuguesa andasse distante do 18 ou 20. Uma aposta com expressão material nas composições que cada vez gostava mais, sobre animais, países, estados de espírito, até ao dia em que a escola inteira, com três mil alunos, foi convocada para um concurso de Redacção, cujo tema era: Se eu fosse o director…
Competia-nos, no fundo, avançar com ideias sobre a nossa escola, que já então – pleno período de esplendor económico de Carmona – tinha debilidades imensas, como infiltrações no tecto, vidros partidos e que levavam uma eternidade a repor, e casas de banho absolutamente “invisitáveis”, de tanta concentração de amoníaco e provavelmente outros gases radiactivos.
Surpreendentemente, ganhou o primeiro lugar o aluno número 13 da turma C do 1º ano do ciclo preparatório, de seu nome curto Luís Fernando.
A Redacção vencedora teve honras de publicação no jornal da escola, que não pude ler a não ser em espreitadelas aos boletins informativos dos colegas derrotados, pela simples razão de que 1 escudo e cinquenta centavos – o banal mil-e-quinhentos daquele tempo – era para mim uma fortuna ao alcance só em tempos de Natal.
Sem jornal e sem alegria, ficou contudo a ideia de que “quando eu for grande, talvez poderei sonhar em escrever livros”.
E passaram-se os anos até surgir o capítulo Cuba, em 1986. Foi aqui, nas cadeiras de Literatura, sobretudo o decisivo encontro com vultos das letras latino americanas como Jorge Luis Borges, Alejo Carpentier, Pablo Neruda, que a suposição se fez certeza. Mas a saga dos Buendía naquele Macondo mítico de Cem Anos de Solidão, onde a escrita do colombiano Gabriel García Márquez celebra a níveis estonteantes o culto do improvável, acabou em mim qualquer vacilação que poderia alguma vez existir: tinha de ser escritor.
Devo, portanto, a “última palavra” ao homem que descreveu as peripécias dos ciganos naquele povoado perdido de uma Colômbia de economia a gravitar ao ritmo do cultivo da banana; o mago que acreditou no amor senil em tempos de cólera e mostrou a nudez cruel de Simón José António de La Santísima Trinidad Bolívar y Palacios, ou seja, Simón Bolívar, em o General no seu Labirinto. É ao Prémio Nobel de Literatura 1982 , Gabriel José García Márquez, nascido como eu numa aldeia sem direito a coordenadas geodésicas nos mapas, em Aracataca, que em última instância devo o empurrão decisivo para a aventura da escrita.
Lancei-me a ela ainda em Cuba, com um primeiro livro que poucos conhecem, fora do estrito âmbito da minha família. Chama-se Com Sabor a Terra, e fala – o que esperam? – do meu inigualável Tomessa. Se fosse vendido nas livrarias longe do lugar em que nasci, teria seguramente ganho carradas de pó e as aranhas fariam dele um salão de festas, com as suas teias caça-moscas. Nunca foi vendido e os seus 25 exemplares, saídos de uma gráfica artesanal na envelhecida Havana dos barbudos, acabaram oferecidos a alguns dos protagonistas da história simples do meu Tomessa.

Regressei a Angola em 1992, num ano em que todos sonhávamos com a democracia que o Mundo rico dos outros sempre disse ser um bom sistema de vida. Cheguei tarde para as eleições mas não para os bombardeamentos que por pouco interrompem mais cedo a minha missão na Terra. Dois obuses no quarto andar do prédio dos Combatentes onde tinha acabado de montar poiso, foi o suficiente para perceber que, para alguns, as eleições só são mesmo livres e justas quando se ganham. A derrota nas urnas sempre pode ser reclamada como fraude massiva e generalizada.
Mas, adiante. Hoje o dia é para a festa das letras, e nada mais!
No ano de 1999, perto da viragem do século, entendi que tinha já em baús dispersos aqui e ali umas Noventa Palavras que poderiam provavelmente ser do interesse do público. Decidi enfrentá-lo, com a Executive Center a aceitar o desafio e o amigo José Patrício, à época embaixador de Angola em Portugal, a honrar-me com as palavras do prefácio.
Os anos de jornalismo, com reportagens inquietas de um viajante, crónicas sobre lugares únicos como a Nova Iorque das Torres Gémeas, Hong Kong e Roppongi, em Tóquio, onde os boémios temos uma rua inteira só para nós, com bares loucos e discotecas mais loucas ainda, preenchem o livro de estreia.
Depois houve que selar a transição com que sonha qualquer jornalista que anda na profissão não para arrecadar alguns cobres suados: aventurar-se no seu primeiro romance. Fi-lo em 2002, numa sexta-feira 13, dia de azar. Para espantar os mitos e as superstições com um livro, todo ele, cheio de mitos e crenças mal explicadas de uma infância no campo. A Saúde do Morto, inspirada na saga de um uigense que construiu fama no Negage, Kibabo, com o seu mau hábito de morrer nas celas da PIDE, deixar-se apodrecer e seguir em frente com as suas tropelias, dias depois. Na narrativa, o feiticeiro-mor transmutou-se para João Kyomba.
Antes do Quarto veio a seguir. Com o título, as interpretações maldosas. Mas nada que não se explicasse. Se era o terceiro livro, não tinha porque não chamar-se Antes do Quarto.
Revisitei, com ele, a velha paixão do jornalismo. Crónicas que fui deixando no Jornal de Angola, ao qual estive ligado por mais de uma década, deram o volume 3 das minhas futuras Obras Completas.
O sucesso de João Kyomba com a sua saúde à prova de tudo, inspirou o prolongamento da saga. Mudou-se do campo para a cidade – e não uma cidade qualquer mas a sofisticadíssima Nova Iorque – e nasceu assim João Kyomba em Nova Iorque. Só tropelias, pois claro!
A generosidade da crítica e as palmadinhas nas costas afastaram da paisagem a veleidade da desistência. Que aliás nunca se colocou, mesmo quando os livros não melhoram a conta bancária de ninguém, entre nós.
Clandestinos no Paraíso foi o senhor que se seguiu. Luanda no seu melhor, onde um vencedor Alegria da Costa, vive numa semana o que nem Dom Quixote de La Mancha nem qualquer outro aventureiro conhecido do universo das letras, conseguiu alguma vez igualar. Champanhe e tresloucadas aventuras na horizontal fizeram dele o herói burlesco de um súbito enriquecimento que veio com a fábrica de banana seca em Cacuaco.
Depois dele, a desaceleração que também faz falta, para retomar o fôlego. Em 2008, na cidade onde me iniciei na escrita de notícias, o Uíge, entendi comemorar os meus trinta anos de estrada lançando A Cidade e as Duas Órfãs Malditas. Trezentos quilómetros distante do seu cenário, a Luanda da segunda metade do século dezanove, onde duas inocentes muito pouco inocentes, já dominavam a arte de embaraçar os senhores da alta sociedade transmitindo-lhes gonorreia em doses cavalares.
Um romance de época, que já despertou o interesse de um realizador estrangeiro que o quer levar ao cinema, mas que para mim é como todos os livros que escrevi até aqui : simples exercício de prazer, para que me divirta eu e se divirtam, comigo, todos os que sabem que precisam de conseguir tempo para ler.
Minhas Senhoras e Meus Senhores
Este sou eu. E ponto final.


União de Escritores Angolanos, em Luanda, aos 21 de Novembro de 2009

Luís Fernando

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É para se ver como se escreve português em Angola.

Este texto é o discurso do escritor e jornalista angolano Luis Fernando, no dia em que foi admitido na prestigiada UNIÃO DOS ESCRITORES ANGOLANOS.

no comment

Na Na ilha de Luanda, a servir de separador da estrada da ilha.

domingo, 1 de Novembro de 2009

AS IMAGENS DO LUIS

A INSUPORTÁVEL DAMA DO SAPATO VERMELHO

Ele faz o favor de me distinguir com uma admiração mais própria dos jovens em relação aos deuses da pop do que aquela de que me julgo minimamente credor: nenhuma.
Mas o Luís Fernando insiste em afirmar que me idolatra - o exagero é meu - desde os seus tempos de miúdo de escola e pé descalço no Uíge, antiga cidade de Carmona. Dizia-se ser a capital do café, a terra onde moravam mais produtores de café por metro quadrado. Curiosamente a riqueza nos bolsos desses “homens do café”, ou roceiros, em pouco ou nada se reflectia no desenvolvimento da cidade talvez porque grande parte do pecúlio ficava empenhado em cocktails falsificados nos cabarets da capital.
O Luís conta sempre a quem chega de fresco à redacção que o Helder era o ídolo dele naqueles tempos em que, como outros miúdos, corria morros e vales para ir ver as corridas de automóveis na cidade. Mal ele sabia, passados mais de 30 anos, que iria poder materializar a imagem dourada do homem do capacete ao volante de velozes e barulhentos bólidos a rasgarem as ruas de … Carmona. E, eu, mal sabia que iria cruzar-me com um antigo e incógnito admirador que, mais tarde, teria o sortilégio de reverter o sentido da admiração.
Mais do que antigo “kandengue” de pé descalço (como ele orgulhosamente se qualifica) num Uíge que ele venera e deseja fazer crescer, Luís Fernando é jornalista e escritor. Para mim, ele é um pintor sublime de palavras com que preenche telas de páginas da vida.
Se, em miúdo, eu era o ídolo dele por uma actividade efémera, agora, em idade adulta, ele é a minha referência perene em elegância na escrita. Escritor “compulsivo”, Luís Fernando faz do mais pequeno episódio do quotidiano uma estória e delicia-nos com a sua prosa alegre, corrida, expressiva.
Cada crónica dele, no jornal O PAÍS ou na revista VIDA é um manancial de figuras, de imagens que têm o condão de nos colocar directamente na acção.
Quem é que não está mesmo a ver o que é “uma respeitável dama entrada em anos, castigada pela impertinência da celulite “?
“A insuportável dama do sapato vermelho” é o título da crónica de Luís Fernando publicada na última página da Vida de 30 de Outubro deste ano. Pelo ritmo da escrita, dá a impressão que Luís Fernando a escreveu de um só fôlego, sem parar para pensar, na qual, nem o corrector automático do Word teve tempo de actuar.
É a história de uma senhora que entra, sem ter sido convidada, numa recepção dada por uma embaixada europeia, em Luanda. Se uma embaixada não é o sítio ideal para a intriga e o suspense, então não sei se haverá outro melhor para tal efeito cinematográfico. “Pareceu estranha a todos aquela voluptuosa irrupção num recinto que só concentrava casais”. Ambiente descrito, apresto-me a encostar-me ao balcão para testemunhar a sequência da prosa, quero dizer, do filme e já salivo os bombons de letras que se me apresentam a seguir.
“Cruzou na diagonal o rectângulo sem gente”, isto é, a dama atravessou um espaço vazio entre a entrada e uma zona onde se encontravam convivas. Imagino os olhares de uns … e de outras … até porque, o derradeiro troço da marcha que parecia decalcada a papel químico de uma noite de Óscares em Los Angeles” (estão a ver ???), “deu a todos a possibilidade de reparar na cor dos sapatos da misteriosa mulher: um vermelho sangue de absoluta vivacidade.”
A história desenrola-se em rápidas pinceladas de mestre. O homem a quem ela, a dama, tinha segredado qualquer coisa, “escapuliu-se em rápidos segundos, só, como se de repente um ataque de amnésia lhe tivesse arruinado o cérebro a informação de que tinha a acompanhá-lo, no cocktail de uma embaixada europeia, a mulher de toda a vida, a mãe dedicada dos seus seis filhos”.
Por respeito para com o autor e intenção pedagógica para com os leitores que deverão fazer tudo para lerem a crónica do Luis, não resisto a levantar, mesmo assim, um pouquinho mais da ponta do véu porque foi a mulher “de aspecto desmazelado por culpa implacável do tempo, da celulite e da vida rica, a lançar à desconhecida a óbvia pergunta: - quem é você?”.
Me desculpem os meus esforçados leitores, terei de omitir aqui a continuação do intrigante episódio que, de alma encantada e espírito em estado zen, não sei se aconteceu na realidade ou se, simplesmente, nasceu da inesgotável fonte criativa do Luís.
Retenho tão-somente a subliminar moral da peça onde surge mais uma voz a denunciar uma determinada forma de viver de novo-riquismo enfarpelado em belos fatos azuis às riscas “de um vencedor de nova vaga”.

hs

(consultar: www.vida.opais.net)







segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

Mais uma de José Saramago

"a Bíblia é um manual de maus costumes" - Saramago

quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

ZERO


In "Opinião" do Correio da Manhã


A partir de domingo, quando as autárquicas estiverem resolvidas e o pudor que qualquer campanha eleitoral impõe se dissipar, é natural o PSD volte a exibir, com abundância de pormenores, aquilo em que há muito se transformou: uma agremiação de luminárias sem estofo, capazes de se trucidar mutuamente, em nome de míseros interesses pessoais. A balbúrdia que se avizinha transformou-se, infelizmente, na imagem de marca do PSD.


Constança Cunha e Sá, Jornalista

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Não sou muito de alinhar na carneirada de fácil inserção, aquela que lança uma frase e a repete vezes sem conta, tapando qualquer outra intenção menos clara. Por exemplo, não alinho na ideia desvalorizadora de que o PS, que ganhou e bem as eleições legislativas, "perdeu 500 mil votos". Este número é a base da desculpa dos que perderam, como quem diz que "os tipos ganharam mas perderam", enquanto os que perderam de verdade bem manifesta nas urnas, cantam vitórias indiscutiveis. Quem chegasse agora à Terra e descesse no luso rectângulo, teria certamente alguma dificuldade em perceber esta lógica dos políticos perdedores que ganham.

Mas, o patético é "esta gente" como diz o inefável "Sinhozinho Malta da Madeira", teimar em manter a mesma estrutura mental anos e anos a fio. E, tudo o que propõe de construtivo é ZERO.

Não entenderam alguns dos muitos responsáveis políticos a clara mensagem deixada pelos eleitores ao relegarem para segundo plano um partido como o PSD, não lhe dando nem vitória nem confiança. E só não deram mais votos ao CDS do Portas porque ainda lhe falta "un petit je ne sais quoi".

Há um cheiro a podridão na política portuguesa. Mal foram conhecidos os resultados eleitorais e o CDS subiu o que subiu, surgiram logo notícias sobre a questão dos submarinos "comprados" pelo Portas na qualidade de ministro da defesa. Esgotado - por enquanto - o filão Sócrates, os fazedores de destruição viraram-se para os submarinos. A política portuguesa é tão baixa que já conseguiu ultrapassar o nível do mar.


helder de sousa



sexta-feira, 18 de Setembro de 2009

CÍCERO

SEM COMENTÁRIOS


Socorro-me da Wikipédia para conhecermos melhor este senhor.

Marco Túlio Cícero, em latim Marcus Tullius Cicero (Arpino, 3 de Janeiro de 106 a.C.Formia, 7 de Dezembro de 43 a.C.), foi um filósofo, orador, escritor, advogado e político romano.

Cícero é normalmente visto como sendo uma das mentes mais versáteis da Roma antiga. Foi ele quem apresentou aos Romanos as escolas da filosofia grega e criou um vocabulário filosófico em Latim, distinguindo-se como um linguista, tradutor, e filósofo. Um orador impressionante e um advogado de sucesso, Cícero provavelmente pensava que a sua carreira política era a sua maior façanha. Hoje em dia, ele é apreciado principalmente pelo seu humanismo e trabalhos filosóficos e políticos. A sua correspondência, muita da qual é dirigida ao seu amigo Ático, é especialmente influente, introduzindo a arte de cartas refinadas à cultura Europeia. Cornelius Nepos, o biógrafo de Ático do século I a.C., comentou que as cartas de Cícero continham tal riqueza de detalhes "sobre as inclinações de homens importantes, as falhas dos generais, e as revoluções no governo" que os seus leitores tinham pouca necessidade de uma história do período.[1]
Durante a segunda metade caótica do século I a.C., marcada pelas guerras civis e pela ditadura de Júlio César, Cícero patrocinou um retorno ao governo republicano tradicional. Contudo, a sua carreira como estadista foi marcada por inconsistências e uma tendência para mudar a sua posição em resposta a mudanças no clima político. A sua indecisão pode ser atribuída à sua personalidade sensível e impressionável: era propenso a reagir de modo exagerado sempre que haviam mudanças políticas e privadas. "Oxalá que ele pudesse aguentar a prosperidade com mais auto-controlo e a adversidade com mais firmeza!" escreveu C. Asínio Pólio, um estadista e historiador Romano seu contemporâneo.
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quarta-feira, 9 de Setembro de 2009

09.09.09 - NOVES FORA, NADA

Parece que o dia de hoje é um dia especial pelo facto de ser uma data interessante: 09.09.09. Francamente não sei se tem algum significado especial seja em que enquadramento – cabalístico, cronológico, calendário, número capicua (999) – donde, vejo minhas preocupações diárias viajarem para o destino do costume: trabalho, amigos, rotinas.
Acedo, mesmo assim, a fazer uma breve reflexão e, ocorre-me fazer a prova dos nove. O resultado não me parece muito animador, noves fora, NADA. Francamente, gosto pouco de nada. Não devo ser o único. Prefiro cultivar o positivo. Nada invoca-me niilismo, vazio, o culto do não ser, a implosão da subjectividade, como alguém o definiu.
Os niilismos moral e político, por exemplo, podem ser deduzidos do niilismo existencial; pois, se a própria existência não tem valor, isso implica que nada tem valor, inclusive valores morais, inclusive o progresso.
O único modo de compreender o niilismo existencial é através da reflexão. O vazio da existência nunca poderia ser demonstrado através da prática, ou apreendido por meio da experiência imediata. Se, por exemplo, reduzíssemos nosso planeta a nada com bomba nuclear, isso não demonstraria coisa alguma; a visão desse planeta despedaçado também não provaria nada. Tal postura destrutiva prática não faz o menor sentido; equivale a tentar refutar um livro queimando-o.
O niilismo existencial se demonstra quando reduzimos o homem a nada, e para isso basta possuir algum talento intelectual aliado à honestidade, pois o esvaziamento da existência é a mera consequência de a entendermos. Não precisamos degolar a humanidade inteira para provar que a vida carece de sentido.

Socorri-me aqui de um ensaio tirado de Ateus.net para ajudar os meus amigos leitores a perceberem melhor o meu afastamento do Nada. Para mim foi bastante fácil – com tudo reduzido a Zero, nem me preocupo em fazer o “noves fora” simplesmente porque não há nove nenhum em Zero.
E tudo se simplifica.
E eu saio de cena, ufano e imperial, montado na minha quadriga de vaidades passageiras .
E, com algum descaramento, dou meia volta (U TURN como dizem os ingleses), e instalo-me de novo na importância do dia de hoje : 09.09.09.
Mando o niilismo às urtigas, o noves fora para o caixote do lixo, pego no megafone e digo às massas: acreditem que o dia de hoje é mesmo importante – faço anos.

mirando el otro lado de la luna

un ramo de rosas té y somnolientos jazmines tropicales en el día del cumpleaños de un amigo.
Un abrazo desde el alma-marita

quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

Na senda do silly.,...........




Na senda do silly...



oh!!! que novidade....não é preciso procurar muito...



enfim, finalmente, começaram a aparecer os actores da peça...



frentes a frentes......faixavor....tão possidónios....



declarações de princípios...faixavor.....tão básicos...........



comentários e comentadores....pleeeeaaseeeeeee....



já não é o país que está em crise de inteligência.,...



é essa Europa velha e estúpida, de mamas descaídas,



em busca de protagonismo ... político??? só???? não acho....



económico....? não me parece ......



...anda-se a fazer de conta.... a representar uma comédia....



ou será um drama????



uma farsa, talvez ...........!!!!!!!!!!!!!!!


Merkel who????


Sarkozy, quem ????


Brawn, ..... ????








sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

Silly ... what ????




Seguir o país através dos noticiários da RTP África ou da Sic Notícias torna-se um exercício letal para a inteligência. O mínimo que pode acontecer é…adormecer. A questão é simples: não se vê, não se ouve, nada de interessante, como se a inteligência da nomenclatura nacional tivesse sofrido de súbito trombo com graves consequências sobre a expressão das ideias.
À distância, seguir o país pela televisão assegura uma dolorosa caminhada no reino do não ser.
Diz-se, nesta época, que se está na “silly season”, uma expressão usada pelos ingleses para dizerem que no Verão, não acontecendo nada de relevante, os jornais “inventam” histórias “tontas” para “venderem papel”. “Silly Season” desculpa tudo, define tudo, perdoa tudo, afirma tudo. Talvez por isso os políticos se aproveitem do clima propício à tonteira para dispararem os seus lugares comuns mais vazios e mais pobres de sentido. Eles julgam que estão a ser religiosamente ouvidos e acreditam até que estão a ser compreendidos. Não sabem, porque a prosápia é cega, que as pessoas estão-se perfeitamente marimbando para o que eles dizem. Mas ficam inchados de auto-confiança quando, cinco minutos depois de terem concluído as suas indiscutíveis verdades, as televisões, vazias de veraneantes conteúdos, convocam os seus comentadores residentes para análises mais profundas do que descer à abissal fossa das Marianas.
À mingua de acontecimentos relevantes com dimensão mundial, já que o país, de tão pequenas mentes, nem é capaz de gerar algo que dê que falar pelo mundo, as televisões agarram-se como lapas a acontecimentos fabricados pelos partidos, já que o Pontal se esvaziou dos calores do antigamente onde poeira e febras justificavam umas horas a fazer de conta.
Durante dois dias inteiros, a SIC Notícias repetiu à exaustão uma conversa doutoral do dr. Marques Mendes com análises de análises e comentários de comentários. Um festival de coisa nenhuma para fabricar um acontecimento que só o foi porque não há arribas a desabar todos os dias.
Tenho para mim que ninguém se lembra do que é que o senhor disse, se é que disse. Assim como aposto que ninguém se lembra do que disse – se é que disse – aquele outro senhor mais gordinho numa chamada Universidade de Verão do PSD. Alegremo-nos. A rentrée, que é a forma fina de dizer que “eles” acabaram as férias, propicia momentos elevados de “silly moments” o que não fica mal quando não há mais nada para dizer que repetir o que já foi dito.
Não fossem os profundos oráculos saídos da pitonisa de Belém para provocar as necessárias interpretações, estendidas durante dias como massa de fazer rissóis, o país entraria, inevitavelmente em irreparável estado de coma.
Preocupa-me muito – faz parte das minhas insónias aliás – que até o próprio BE já “perdeu o gás” do esgotado Louçã que, para não perder tudo nas pantalhas televisivas, fez avançar a Drago.
A Drago tem o dom de dizer coisas que também ninguém percebe – como convém aos fazedores de política – mas de uma forma bonita. Por mim falo: não me lembro de nada de relevante que ela tenha dito mas vale a pena olhar para ela.
Outro tanto não poderei dizer daquela senhora a quem devem ter feito operações de descontracção dos músculos faciais para agora poder mostrar uma espécie de sorriso. Parece que disse coisas importantes, a avaliar pela repetição das análises e comentários ao programa que parece ter apresentado para convencer que a governação dela vai ser melhor do que a dos outros.
Pelo menos, esta, não foi ao Pontal. Escapou à influência de um dos maiores centros de fabrico de “silly seasons”. Mas não escapou à mastigação exaustiva dos analistas.

Ver o país à distância, através das televisões nacionais, tornou-se um exercício de autoflagelação tal a frequência com temos de beliscar a pele para nos certificarmos se estamos realmente acordados.

sábado, 25 de Julho de 2009

SALZBURGER FESTSPIELE - ferien




Durante anos, Mários Soares foi considerado um viajante “compulsivo” à conta do Estado (que somos todos nós). Foi acusado de aproveitar os altos cargos que ocupou no país – primeiro-ministro e Presidente da República – para fazer turismo disfarçado de viagens de trabalho.
Apesar da gravidade das acusações, nunca ninguém se chegou à frente para colocar o inefável Soares sob o fogo da justiça. Ainda bem. É que se o impedissem de fazer essas viagens, nunca o veríamos a cavalgar, garboso, uma bela e indiferente tartaruga, numa das suas importantes viagens “de trabalho” às Maldivas. Nem o veríamos ostentar os mais diversos chapéus, debaixo daquele sorriso de quem está acima do mundo e o olha com bonomia e alguma compaixão.
Habituámo-nos a essas extravagâncias, ninguém as levou a sério e, aqueles que tentaram criticar esbarraram no mar da indiferença. “Oh!. O Bochechas não tem emenda”, dizia-se num misto de perdão tácito e de “se não for ele será outro qualquer, eles são todos iguais”, e por aí fora no desfiar de um rosário por demais usado.
A virtude, coerência e respeito pela coisa pública são conceitos sem lugar cativo quando até figuras tidas como “sérias e impolutas” se deixam tentar pelos pecadilhos que o poder oferece.
Desde que vi o esfíngico Cavaco Silva a trepar um coqueiro, também numa das suas importantes viagens “de trabalho”, fui levado a concluir que até o mais sério, o mais frio, o mais dedicado político acaba por ceder aos prazeres que o poder pode oferecer. Nunca esperei ver o infalível Cavaco aproveitar-se das iguarias da mesa presidencial. Desajeitado mas convencido da validade dos seus actos, foi vê-lo ir passar uma semana de férias aos Açores sob a capa de visita para se identificar com as necessidades dos açorianos. É claro que os açorianos ficaram muito mais tranquilos ao saberem das preocupações do Presidente da República sobre o seu bem-estar.
Passando de lado a questão dos dinheiros ganhos de forma estranha e aparentemente favorecida, temos agora o Presidente em mais uma importante deslocação oficial, de trabalho claro, à Áustria. Coincidência de datas seguramente não analisada na preparação da visita, a estada de Cavaco Silva e mulher bate mesmo no dia em que se abre o Festival de Salzburgo, o mais importante do mundo da música. Que chatice esta de ter de aceitar o convite do seu homólogo austríaco (que, aliás, ninguém sabe quem é) para ir à abertura do Festival. Mas lá terá que ser!!!! Mais um sacrifício pela Pátria. E logo ele que sempre foi um grande defensor da arte, como se sabe. E admirador de Händel, como se sabe, de quem “Theodora” faz a abertura neste sábado 25 de Julho na cidade que viu nascer Mozart.
É pena esta viagem de trabalho ter coincidido também com a apresentação de grandes pianistas na Gulbenkian, em Lisboa. Mas, obviamente, Lisboa é demasiado longe.
Não tenho nada contra o PR gostar de passear e até de querer aumentar o seu nível cultural, cuja marca deverá subir visivelmente a partir de hoje. Mas, francamente, em época de “vacas magras” gastar dinheiros públicos numas mini-férias na Áustria, com ajudas de custo e despesas pagas pelo Estado, parece muito mal para quem defendeu, em tempos, o rigor nas contas públicas.
Diz-se que “o poder corrompe”....





domingo, 12 de Julho de 2009

O G8 - PAROLE, PAROLE, PAROLE


Não me atreveria aqui fazer uma dissertação sobre o “ponto G”, muito menos sobre o “ponto de rebuçado” nem mesmo sobre o “ponto de cruz”. Vejam lá bem aonde o G me estava a levar !!! A pontos que nem a minha imaginação se atreve tocar. Este G 8 ... é “oitro”. É o dos, dizem, mais ricos e poderosos países do mundo, dos, dizem, mais industrializados do mundo e, muito seguramente, dos mais poluidores do mundo. Reuniram-se, como fazem sempre, num ponto qualquer devidamente preparado para servir de passerelle de vaidades mal disfarçadas, de arrogâncias globalizantes escondidas.
Numa candura pungente os senhores dos anéis do poder decidiram reduzir as emissões de gases de efeito de estufa em 50 por cento até não sei quando. Não sei, simplesmente, porque não me preocupei em acreditar no que li: até 2050 ???? Só 40 anos ??? E querem reduzir em 80% a poluição dos países industrializados em relação ao ano de 1990. "Yah! Right".
Sabiamente, os senhores do mundo – mais a senhora angélica – escaparam a assumir qualquer compromisso intermédio.
Achei deliciosa esta outra preocupação saída da bela cidade martirizada de L’Aquila: os senhores mais a senhora, junto com outros senhores convidados, decidiram esta ternura: reconhecer a necessidade de limitar o aquecimento global a 2%. Não é delicioso?
Falhos de ideias realmente interessantes, “aquela gente”, como diria Alberto João Jardim, deixou escapar para o comunicado final uma preocupação em relação ao seu bem-estar: acham que a subida do desemprego pode por em causa a estabilidade social. É aqui que “eles”, finalmente, mostram a cara. “Eles” têm medo que o desemprego que “eles” próprios causam com as roubalheiras dos grandes gestores bancários e falcatruas de companhias de seguros, possa desequilibrar o conforto sossegado dos seus dias de mandões do mundo.
E, para merecerem a medalha com a efígie da madre Teresa de Calcutá, decidiram mobilizar 20 mil milhões de dólares em 3 anos para lutar contra a fome no mundo.
Então, não é lindo isto? Conseguiram empobrecer o mundo para, numa atitude cândida de solidariedade humanista, se “mobilizarem” ?
O mundo olhou para o G8 que lhe foi imposto pelas televisões como um fait divers, como quem desfolha a revista Caras – ora deixa cá ver como a Michele se vestiu para o jantar de gala; já agora, gostava de ver qual a última manifestação de mau gosto que a Merkel levou à foto de família !!!!????
O que “eles” lá disseram, o que “eles” lá decidiram, está-se tudo nas tintas.
Aliás, estou em crer que o G8 passaria totalmente despercebido se não houvesse aqueles habituais manifestantes profissionais a provocarem as cargas da polícia do signore Berlusconi a quem o Saramago, num assomo do seu mau feitio refinado com a idade, chamou os mimos do costume quando se lembra de um dos seus ódios de estimação: delinquente, corrupto, líder mafioso, vírus. Só porque a editora italiana, propriedade do senhor Berlucosni, recusou-se a publicar o último livro do Nobel português, Cadernos. “Et pour cause.!!!!”
E … o G8 ??? Pois !!!! O G8 valeu pelo Lula que foi lá dizer aos grandes do mundo que, o Mundo, não é bem aquele que “eles” desenharam e para o qual não têm mais do que “parole”, “parole”, “parole”.


hs

Na foto: Lula e Berlusconi






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