quinta-feira, 28 de maio de 2015

Obrigado

Olá, I'm alive

Em 28 de Dezembro de 2006 iniciei esta fantástica aventura que é a de abrir um blog.
Foi antes de ter a síncope que me atirou para uma operação de cinco horas, de peito aberto, em que o Dr. Magalhães e sua equipa me salvaram a vida, colocando três bypasses, em 9 de Março de 2007.
Mais de oito anos depois, com duas provas de esforço bem superadas, continuo em frente nesta magnífica aventura angolana em que me meti desde 2008.
Este blogue tem tido altos e baixos mais baixos que altos. Não tenho tido tempo para o alimentar devidamente, mas também tenho sido acometido de alguns ataques de….preguiça. Coitado do blogue que, nem por levar a minha divisa "mais, sempre mais", mereceu o meu carinho.
Felizmente, sou aqui visitado diariamente por uma média de 10 pessoas, número interessante para um espaço "adormecido".
Não posso deixar de agradecer a todos os meus visitantes, aos amigos e a todos os que por aqui roçam os seus olhares e desejar-lhes o melhor de tudo.

Helder de Sousa

sábado, 23 de março de 2013

WHY NOT ?????


Exclusivo CM
Moedas nomeia jovens técnicos
Tiago e João são os mais recentes especialistas na equipa de acompanhamento do memorando da troika. Um tem 21 anos, o outro 22. 
 
Já nem vale a pena comentar.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

A minha SOL morreu

A minha gata SOL morreu esta manhã...
ela já andava mal desde segunda-feira, com respiração muito acelerada ....faltava-lhe o ar ....
era o cancro que se tinha apoderado dos seus pulmões ...
ontem ela andou muito agitada, a correr de um lado para o outro como que à procura de ar...
esta noite dormiu comigo, encostada ao meu peito...
de manhã, ainda veio ter comigo à secretária, sentou-se como de costume, junto ao computador, virada para a janela, como que a despedir-se ...fiz-lhe fotos ... (esta é uma delas) ... pressenti que o momento estava a chegar...
levei-a ao hospital e, depois de uma radiografia, o veredicto....ela estava em sofrimento a qualquer momento ia deixar de poder respirar...os pulmões estavam inundados de líquido .... optámos por lhe acabarem com o sofrimento ... a injecção foi dada às 12.30.....
choro o desaparecimento da minha bichinha companheira por quem eu tinha uma grande afeição e ela por mim....
helder

sábado, 25 de junho de 2011

Maçaricos


Passos Coelho não pagou bilhete de ida e volta a Bruxelas
Segundo o “Jornal de Negócios”, a TAP dispensa os ministros e secretários de Estado de qualquer despesa em deslocações oficiais.      
Afinal, pode não ter havido qualquer poupança pelo facto de Pedro Passos Coelho ter decidido viajar para Bruxelas em classe económica. O “Jornal de Negócios” diz que o primeiro-ministro não pagou o bilhete da viagem de ida e volta a Bruxelas, num voo da TAP, para participar no seu primeiro Conselho Europeu.
Segundo o jornal, a companhia aérea portuguesa dispensa os ministros e secretários de Estado de qualquer despesa em deslocações oficiais.
O jornal escreve ainda que isto se passou com todos os membros do anterior Governo.

Segundo o “Jornal de Negócios”, a TAP dispensa os ministros e secretários de Estado de qualquer despesa em deslocações oficiais.                    
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Já passei a fase da crítica a quente, hoje olho para o mundo com alguma distância, prefiro olhar a floresta para além da árvore, daí que pouco me impressionei com a notícia, repetida à exaustão , segundo a qual o novo Primeiro-Ministro decidira viajar sempre em Económica, nas suas deslocações oficiais à Europa.
A exaustiva repetição da informação em tudo quanto era roda-pés, títulos, etc., etc., da nossa chamada Comunicação Social, mais parecia uma operação de propaganda orquesterada em que, admito, o próprio Governo não teria responsabilidade directa de autoria, por, simplesmente não precisar. A própria Comunicação Social, entusiasmada com o "exemplo" de poupança vinda do nóvel Governo, esqueceu o cerne da questão da viagem, ou seja, o que é que o Primeiro-Ministro foi fazer a Bruxelas
. Recordo alguns títulos:" Primeiro-Ministro estreia-se em Bruxelas", "Passos Coelho em Bruxelas", "Passos Coelho viajou em Económica para Bruxelas", bla, bla, bla. A notícia, afinal, era o nosso Primeiro, um, ter viajado em Económica, dois, ter -se estreado em Bruxelas, tipo
vedeta de algum musical.
O destaque dado à viagem em económica que nos encheu olhos e ouvidos durante uns dias na nossa C.S., não mereceu a mais pequena observação lá em Bruxelas, nem mesmo a eventual boa "prestação" de Passos Coelho mereceu alguma parangona na imprensa. Me pareceu que o nosso Primeiro-Ministro foi olhado em Bruxelas com alguma prudência, não pela sua pessoa mas sim pelo país devedor que ele representa, olhado com alguma reserva pelos falcões europeus que nos querem levar o couro e o cabelo.
Como diz Medina Carreira, "essa gente não é digna de confiança", essa Merkel, esse Sarkozy, esses senhores do BCE, essa gente que olha para os países através dum monitor de computador cheio de números, longe do dia-a-dia da economia real. Pois, foi para o meio "dessa gente" que Passos Coeho teve que ir dizer que somos bons rapazes, que somos bons alunos, que respiramos Europa por todos os poros, que nos vamos portar bem e vamos pagar tudo e que ... não somos gregos. A verdade, verdadinha, é que, não sendo gregos, "nos vemos gregos" com a situação actual do país.
Voltando à Económica. Houve jornais que fizeram a conta à poupança, afinal virtual, que Pasos Coelho teria feito ao comprar (não ele mas os serviços do Estado), um bilhete de Económica para ele e para cada um dos seus acompanhantes. Parece que não dava nem para pagar um milésimo do que temos de pagar por dia "a essa gente".
Então, lá "nos serviços" de apoio ou lá o que é, não havia ninguém que, transitado do Governo anterior, não sabia que a TAP oferecia as passagens aos membros do Governo em viagens oficiais?
Claro que havia. Então, quem vazou a informação cá para fora segundo a qual o nosso governante viajou em Económica, como um exemplo simbólico - não mais que isso - de preocupação em cortar despesas, não pensou na situação ridícula em que colocou o Primeiro-Ministro, a de ele dar um exemplo à partida bom, mas no final, bacoco porque os governantes viajam de borla na TAP. Se viakam de borla, suponho que, "já agora", viajam na Executiva, uma vez que não há despesa para o Estado.
Tudo não passou de uma atitude algo quixotesca e de uma tentaiva de exemplo pífio. Coisas de maçaricos, de principiantes que serviram não mais do que alimentar a nossa Comunicação Social, sempre tão sequiosa de "faits divers", uma pequena árvore à frente da grande floresta.
Helder de Sousa


sábado, 18 de junho de 2011

Olhar para a Grécia de hoje é ver o Portugal de amanhã!

Olhar para a Grécia de hoje é ver o Portugal de amanhã!

  Veja como dois banqueiros levam a Europa à ruína
 


Durante um ano, o Deutsche Bank e o Banco Central Europeu fizeram-nos acreditar que o que se passa na Grécia seria desastroso para a Europa. Estavam a mentir com quantos dentes têm na boca.

Em Frankfurt, dois dos homens mais poderosos da Europa sentam-se, virtualmente, um de cada lado da rua, nos arranha-céus sede de duas das mais importantes instituições no continente. Ninguém elegeu estes homens para que governem sobre nós. Ninguém votou nas suas instituições para que ditassem a nossa política económica. No entanto é o que fazem.

Apresentamos Jean-Claude Trichet e Josef Ackermann. O primeiro é o líder do Banco Central Europeu, está de saída, e foi recentemente considerado pela Newsweek uma das cinco pessoas mais importamtes do mundo. O segundo é o líder do maior banco privado da zona euro, o Deutsche Bank, e foi recentemente considerado pelo New York Times "o banqueiro mais poderoso da Europa". Nenhum deles foi eleito para liderar a economia. No entanto, juntos é o que fazem.

De facto, ambos têm sido decisivos na definição da resposta a dar pela União Europeia à grave crise da dívida que contínua a assombrar a zona euro. Como noticiou o Times numa poderosa análise, o senhor Ackermann "encontra-se no centro do círculo mais concêntrico do poder, mais do que qualquer outro banqueiro do continente". De facto, ele aconselha regularmente políticos e decisores políticos sobre os assuntos económicos mais candentes do momento: a latente crise da dívida grega; a crescente tensão entre económicas europeias fortes, como a Alemanha, e as mais fracas como a Irlanda e Portugal; e o futuro da Europa como união económica e monetária e esse grande e expressivo empreendimento, o euro.

Ao mesmo tempo, nota o NYT, Ackermann é também "possivelmente o mais perigoso" banqueiro na Europa. Afinal, "não é segredo onde estão as alianças financeiras do senhor Ackermann: nos bancos". Por exemplo, Ackermann "tem insistido que seria um grave erro proporcionar algum alívio à dívida Grega".

Qual seria o problema da reestruturação da dívida da Grécia? A Argentina e o Equador demonstraram amplamente na última década que a reestruturação da dívida soberana pode, na verdade, libertar o país das medidas de austeridade e inibidoras do crescimento impostas por líderes estrangeiros, permitindo uma mais rápida recuperação enquanto as necessidades e preocupações internas são acauteladas.

Mas, claro, temos de nos recordar que o senhor Ackermann não é um observador neutral. Existe uma agenda por detrás do seu discurso apocalíptico. O Times nota apropriadamente que "os bancos europeus, incluindo alemães como o Deutsche Bank, detêm muitos milhões de euros nas obrigações financeiras do governo grego e os bancos perderiam bastante se essas dívidas fossem reestruturadas".

No entanto, como conseguiu Ackermann convencer Merkel, Trichet e outros líderes da UE que a reestruturação da dívida grega levaria a uma situação como a da Leman Brothers? “A solução da Europa para a Grécia é, essencialmente”, segundo o senhor Ackermann, “mais dinheiro de resgate e mais austeridade”, uma estratégia que alguns analistas admitem que permita apenas ganhar tempo sem oferecer nenhuma esperança de recuperação.

Assim, cego pela sua própria ganância e indisponibilidade para assumir responsabilidades pelos empréstimos irresponsáveis concedidos pelo seu banco e que se relacionam com a criação da crise, Ackermann apenas agrava a crise. Alerta de modo alarmante para a probabilidade do aumento das consequências desastrosas e a Europa está paralisada. Os nosso dirigentes compraram a mentira. Porquê?

Uma das razões para o sucesso de Ackermann é o facto de ter tido, durante a crise, o apoio dos seus vizinhos do Banco Central Europeu. Desde que a Grécia se afundou no abismo dos mercados de capital globais no início do ano passado, Jean-Claude Trichet, o presidente do BCE, bajulou cuidadosamente os interesses dos maiores bancos europeus qualificando a reestruturação como "demasiado arriscada".

Não por acaso, o senhor Ackermann parece desfrutar de boas relações com Jean-Claude Trichet. Quando a senhora Merkel sugeriu que os credores privados assegurem uma parte do fardo, Ackermann opôs-se ao governo alemão e colocou-se ao lado do seu amigo, o senhor Trichet, argumentando que contra reestruturação da dívida grega porque forçaria os investidores - e os bancos - a “partilhar as dores da Grécia”.

Hoje, a maioria dos especialistas em economia - quer da esquerda quer da direita - chegaram à conclusão que a Grécia é insolvente. Simplesmente não pode, realisticamente, reembolsar a sua dívida esmagadora enquanto a economia continuar a contrair-se em resultado das medidas de austeridade prescritas por Ackermann e Trichet.

Até o governo alemão e o presidente da zona euro, Jean-Claude Juncker, falam agora na chamada "reestruturação suave" da dívida grega. Mas o BCE recusa-se a financiá-la. Se esta atitude de teimosia era previsível por parte do interessado Deutsche Bank, pelo contrário, é surpreendente num suposto agente "neutro" como o BCE.

Então porque continua o BCE a opor-se à única e real solução para a crise da dívida grega? Porque é que continua a empurrar a Grécia, e com ela toda a zona euro, para o abismo? É apenas porque Trichet e Ackermann e companhia são amigos próximos? Ou passa-se mais alguma coisa?

Claro que se passa. Trichet cometeu o seu maior erro no ano passado quando decidiu ficar ao lado do seu amigo Ackermann ao opor-se o início da reestruturação da dívida. Em vez de permanecer na sua objectividade neutral enquanto líder do BCE, Trichet envolveu-se directamente na crise da dívida grega: começou por comprar grande quantidade de obrigações gregas através de mercados secundários só para permitir que a Grécia ficasse à tona e assim evitar que bancos e investidores europeus tivessem de fazer corte de cabelo.

Como resultado, já não são só os bancos privados europeus mas é também o seu Banco Central que estão afundados até ao pescoço na crise grega. Por outras palavras, a reestruturação grega já não prejudicaria apenas os bancos privados; forçaria Trichet a assumir grandes prejuízos na folha de balanços do BCE a escassos meses de passar a pasta a Mario Draghi.





Artigo de Jérôme E. Roos

sábado, 28 de maio de 2011

Que futuro vamos ter?

Recebi por email.


Provavelmente alguns dos pressupostos não são inteiramente verdade ou estão exagerados, mas o conjunto do que aqui é dito não andará muito longe da verdade. Merece muita atenção...



Perspectiva de futuro no mundo ocidental



Há cerca de 3 ou 4 meses começaram a dar-se alterações profundas, e de

nível global, em 10 dos principais factores que sustentam a sociedade

actual. Num processo rápido e radical, que resultará em algo novo,

diferente e porventura traumático, com resultados visíveis dentro de 6 a

12 meses... E que irá mudar as nossas sociedades e a nossa forma de vida

nos próximos 15 ou 25 anos!

... tal como ocorreu noutros períodos da história recente: no status

político-industrial saído da Europa do pós-guerra, nas alterações

induzidas pelo Vietname/ Woodstock/ Maio de 68 (além e aquém Atlântico),

ou na crise do petróleo de 73.

Façamos um rápido balanço da mudança, e do que está a acontecer aos "10

factores":



1º- A Crise Financeira Mundial: desde há 8 meses que o Sistema Financeiro

Mundial está à beira do colapso (leia-se "bancarrota") e só se tem

aguentado porque os 4 grandes Bancos Centrais mundiais - a FED, o BCE, o

Banco do Japão e o Tesouro Britânico - têm injectado (eufemismo que quer

dizer: "emprestado virtualmente à taxa zero") montantes astronómicos e

inimagináveis no Sistema Bancário Mundial, sem o qual este já teria ruído

como um castelo de cartas. Ainda ninguém sabe o que virá, ou como irá

acabar esta história !...



2º- A Crise do Petróleo: Desde há 6 meses que o petróleo entrou na

espiral de preços. Não há a mínima ideia/teoria de como irá terminar. Duas

coisas são porém claras: primeiro, o petróleo jamais voltará aos níveis de

2007 (ou seja, a alta de preço é adquirida e definitiva, devido à visão

estratégica da China e da Índia que o compram e amealham!) e começarão

rapidamente a fazer sentir-se os efeitos dos custos de energia, de

transportes, de serviços. Por exemplo, quem utiliza frequentemente o

avião, assistiu há 2 semanas a uma subida no preço dos bilhetes de... 50%

(leu bem: cinquenta por cento). É escusado referir as enormes implicações

sociais deste factor: basta lembrar que por exemplo toda a indústria de

férias e turismo de massas para as classes médias (que, por exemplo, em

Portugal ou Espanha representa 15% do PIB) irá virtualmente desaparecer em

12 meses! Acabaram as viagens de avião baratas (...e as férias

massivas!), a inflação controlada, etc...



3º- A Contracção da Mobilidade: fortemente afectados pelos preços do

petróleo, os transportes de mercadorias irão sofrer contracção profunda e

as trocas físicas comerciais (que sempre implicam transporte) irão sofrer

fortíssima retracção, com as óbvias consequências nas indústrias a

montante e na interpenetração económica mundial.



4º- A Imigração: a Europa absorveu nos últimos 4 anos cerca de 40 milhões

de imigrantes, que buscam melhores condições de vida e formação, num

movimento incessante e anacrónico (os imigrantes são precisos para fazer

os trabalhos não rentáveis, mas mudam radicalmente a composição social de

países-chave como a Alemanha, a Espanha, a Inglaterra ou a Itália). Este

movimento irá previsivelmente manter-se nos próximos 5 ou 6 anos! A Europa

terá em breve mais de 85 milhões de imigrantes que lutarão pelo poder e

melhor estatuto sócio-económico (até agora, vivemos nós em ascensão e com

direitos à custa das matérias-primas e da pobreza deles)!



5º- A Destruição da Classe Média: quem tem oportunidade de circular um

pouco pela Europa apercebe-se que o movimento de destruição das classes

médias (que julgávamos estar apenas a acontecer em Portugal e à custa

deste governo) está de facto a "varrer" o Velho Continente! Em Espanha, na

Holanda, na Inglaterra ou mesmo em França os problemas das classes médias

são comuns e (descontados alguns matizes e diferente gradação) as pessoas

estão endividadas, a perder rendimentos, a perder força social e

capacidade de intervenção.



6º- A Europa Morreu: embora ainda estejam projectar o cerimonial do

enterro, todos os Euro-Políticos perceberam que a Europa moribunda já não

tem projecto, já não tem razão de ser, que já não tem liderança e que já

não consegue definir quaisquer objectivos num "caldo" de 27 países com

poucos ou nenhuns traços comuns!... Já nenhum Cidadão Europeu acredita na

"Europa", nem dela espera coisa importante para a sua vida ou o seu

futuro! O "Requiem" pela Europa e dos "seus valores" foi chão que deu

uvas: deu-se há dias na Irlanda!



7º- A China ao assalto: Contou-me um profissional do sector: a construção

naval ao nível mundial comunicou aos interessados a incapacidade em

satisfazer entregas de barcos nos próximos 2 anos, porque TODOS os

estaleiros navais do Mundo têm TODA a sua capacidade de construção ocupada

por encomendas de navios.... da China. O gigante asiático vai agora

"atacar" o coração da Indústria europeia e americana (até aqui foi just a

joke...). Foram apresentados há dias no mais importante Salão Automóvel

mundial os novos carros chineses. Desenhados por notáveis gabinetes

europeus e americanos, Giuggiaro e Pininfarina incluídos, os novos carros

chineses são soberbos, réplicas perfeitas de BMWs e de Mercedes (eu já os

vi!) e vão chegar à Europa entre os 8.000 e os 19.000 euros! E quando

falamos de Indústria Automóvel ou Aeroespacial europeia...helás! Estamos a

falar de centenas de milhar de postos de trabalhos e do maior motor

económico, financeiro e tecnológico da nossa sociedade. À beira desta

ameaça, a crise do têxtil foi uma brincadeira de crianças! (Os chineses

estão estrategicamente em todos os cantos do mundo a escoar todo o tipo de

produtos da China, que está a qualificá-los cada vez mais).



8º- A Crise do Edifício Social: As sociedades ocidentais terminaram com o

paradigma da sociedade baseada na célula familiar! As pessoas já não se

casam, as famílias tradicionais desfazem-se a um ritmo alucinante, as

novas gerações não querem laços de projecto comum, os jovens não querem

compromissos, dificultando a criação de um espírito de estratégias e

actuação comum...



9º- O Ressurgir da Rússia/Índia: para os menos atentos: a Rússia e a

Índia estão a evoluir tecnológica, social e economicamente a uma

velocidade estonteante! Com fortes lideranças e ambições estratégicas, em

5 anos ultrapassarão a Alemanha!



10º- A Revolução Tecnológica: nos últimos meses o salto dado pela

revolução tecnológica (incluindo a biotecnologia, a energia, as

comunicações, a nano tecnologia e a integração tecnológica) suplantou tudo

o previsto e processou-se a um ritmo 9 vezes superior à média dos últimos

5 anos!



Tal como numa conta de multiplicar, estes dez factores estão ligados por

um sinal de "vezes" e, no fim, têm um sinal de "igual". Mas o resultado é

ainda desconhecido e... imprevisível. Uma coisa é certa: as nossas vidas

vão mudar radicalmente nos próximos 12 meses e as mudanças marcar-nos-ão

(permanecerão) nos próximos 10 ou 20 anos, forçando-nos a ter carreiras

profissionais instáveis, com muito menos promoções e apoios financeiros, a

ter estilos de vida mais modestos, recreativos e ecológicos.



Um conselho final: é importante estar aberto e dentro do novo espírito,

visionando e desfrutando das suas potencialidades!  Ir em frente! Sem

medo!

terça-feira, 3 de maio de 2011

EU JÁ VIVI O VOSSO FUTURO

EU JÁ VIVI O VOSSO FUTURO !

Declarações do escritor e dissidente soviético, Vladimir Bukovsky,
sobre o Tratado de Lisboa

"É surpreendente que, após ter enterrado um monstro, a URSS, se tenha
construído outro semelhante: a União Europeia (UE).
O que é, exactamente a União Europeia? Talvez fiquemos a sabê-lo
examinando a sua versão soviética.
A URSS era governada por quinze pessoas não eleitas que se cooptavam
mutuamente e não tinham que responder perante ninguém. A UE é
governada por duas dúzias de pessoas que se reúnem à porta fechada e,
também não têm que responder perante ninguém, sendo politicamente
impunes.
Poderá dizer-se que a UE tem um Parlamento. A URSS também tinha uma
espécie de Parlamento, o Soviete Supremo. Nós, (na URSS) aprovámos,
sem discussão, as decisões do Politburo, como na prática acontece no
Parlamento Europeu, em que o uso da palavra concedido a cada grupo
está limitado, frequentemente, a um minuto por cada interveniente.
Na UE há centenas de milhares de eurocratas com vencimentos muito
elevados, com prémios e privilégios enormes e, com imunidade judicial
vitalícia, sendo apenas transferidos de um posto para outro, façam bem
ou façam mal. Não é a URSS escarrada?
A URSS foi criada sob coacção, muitas vezes pela via da ocupação
militar. No caso da Europa está a criar-se uma UE, não sob a força das
armas, mas pelo constrangimento e pelo terror económicos.
Para poder continuar a existir, a URSS expandiu-se de forma crescente.
Desde que deixou de crescer, começou a desabar. Suspeito que venha a
acontecer o mesmo com a UE.

Proclamou-se que o objectivo da URSS era criar uma nova entidade
histórica: o Povo Soviético. Era necessário esquecer as
nacionalidades, as tradições e os costumes. O mesmo acontece com a UE
parece. A UE não quer que sejais ingleses ou franceses, pretende
dar-vos uma nova identidade: ser «europeus», reprimindo os vosso
sentimentos nacionais e, forçar-vos a viver numa comunidade
multinacional. Setenta e três anos deste sistema na URSS acabaram em
mais conflitos étnicos, como não aconteceu em nenhuma outra parte do
mundo.
Um dos objectivos «grandiosos» da URSS era destruir os estados-nação.
É exactamente isso que vemos na Europa, hoje. Bruxelas tem a intenção
de fagocitar os estados-nação para que deixem de existir.
O sistema soviético era corrupto de alto a baixo. Acontece a mesma coisa na
UE.

Os procedimentos antidemocráticos que víamos na URSS florescem na UE.
Os que se lhe opõem ou os denunciam são amordaçados ou punidos. Nada
mudou. Na URSS tínhamos o «goulag». Creio que ele também existe na UE.
Um goulag intelectual, designado por «politicamente correcto».
Experimentai dizer o que pensais sobre questões como a raça e a
sexualidade. Se as vossas opiniões não forem «boas», «politicamente
correctas», sereis ostracizados. É o começo do «goulag». É o princípio
da perda da vossa liberdade.

Na URSS pensava-se que só um estado federal evitaria a guerra.
Dizem-nos exactamente a mesma coisa na UE.

Em resumo, é a mesma ideologia em ambos os sistemas.

A UE é o velho modelo soviético vestido à moda ocidental.

Mas, como a URSS, a UE traz consigo os germes da sua própria
destruição. Desgraçadamente, quando ela desabar, porque irá desabar,
deixará atrás de si um imenso descalabro e enormes problemas
económicos e étnicos.

O antigo sistema soviético era irreformável. Do mesmo modo, a UE
também o é. (...)
Eu já vivi o vosso «futuro»..."

sábado, 2 de abril de 2011

Convite

Jardim das Delícias - Hieronimus Bosh - 1504 - Museu do Prado-Madrid

Hoje, não sei porquê, nem isso é importante, deu-me para ouvir "outra música". Tem dias que a gente não encontra explicação normal para certas atitudes, certas quebras de rotina. Ou será ...atrevo-me ... "estados de alma" ? Pronto, vamos por aqui  "estados de alma". Não me parece que esteja deprimido, não acho que esteja triste, simplesmente liguei a televisão num canal de música e de lá sairam jorros de música "da outra", não daquela que escancara os tímpanos vinda de woofers e subwoofers encaixados em latas com rodas, vulgo automóveis. Quando um desses altifalantes ambulantes pára perto de mim e me rebenta a capacidade auditiva, espero sempre que os agudos, os baixos e a percussão provoquem tais vibrações na lata atrevida que ela não resista e se desfaça em pedaços espalhados no chão. Um dia vai acontecer.
Do televisor saiu um pouco de tudo, desde o canto gregoriano à Lacrimosa do Mozart. E fui-me encantando, pela enésima vez, com a Carmina Burana com direcção do André Rieu. No youtube também está. Mas a minha alma, em estado de absorção musical incontornável, subiu ao mágico momento da tarde com a interpretação "celestial" da soprano sul-africana Kimmi Skota da Ave Maria, de Bach, também sob a batuta de André Rieu.
Hoje, sem saber porquê, e isso não interessa nada, convido-vos a ouvir a Kimmi Skota. E digam-se se não vale a pena ter "estado de alma", mesmo não sabendo bem o que isso é. Importa?

"Ave Maria,
Gratia plena, Dominus tecum,
Benedicta tu in mulieribus.....
.....ora pro nobis, nobis peccatoribus....."


quarta-feira, 23 de março de 2011

saiam dessa mesmice............

....
cumprindo o desejo de numerosas famílias, o homem teve de se demitir......
e agora???? acham que alguma coisa vai mudar ??????
vamos voltar ao consumismo desbragado do tempo do cavaquismo????
O  Coelho, tipo Passos, vai trazer-nos o Eden de volta?????
Acordem, saiam dessa mesmice ............

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

BOAS FESTAS

Helder, que o Natal seja bom e farto para que dure o ano inteiro. Um abraço.

sábado, 18 de dezembro de 2010

ZERO FOI SALVO - aleluia


Zero, na redacção, na prateleira dos "assuntos pendentes"????

Quando OPAÍS se instalou, no longínquo ano de 2008, na famosa Casa Amarela, em Talatona, Luanda, um gatinho rafeiro aparecia pelo quintal, ao cair da tarde, como quem vai à procura de alguma coisa. Gato de rua, treinado nas duras leis da sobrevivência urbana, o Zero farejava alguma forma de complementar a sua dieta diária de ratos, no jardim do jornal. Pouco a pouco, foi tendo honras de atenção humana, alguns jornalistas começaram a deixar-lhe comida, nas mais variadas formas, até alguém ter subido a parada na forma de um belo saco de afamada marca de ração para gatos.
Independente e, quem sabe, algo cauteloso na sua aproximação aos humanos, o Zero começou a entrar nas instalações do jornal quando já se tornara um lindo felino adolescente.
E por ali se fez adulto, sempre acarinhado pela maioria do pessoal. Alguns revezavam-se na nobre tarefa de levar a ração para o Zero. Ele sabia quem lhe queria bem e não suspeitava que havia quem lhe tivesse traçado sentença de morte. A tudo o Zero sobreviveu.
O bicho tornou-se, desde os primeiros tempos de O PAÍS, vedeta nacional. Logo numa das primeiras edições, Luis Fernando dava honras de presença na última página do jornal.
O Zero ganhava, por direito e por inerência superior, uma figura pública a nível nacional e mais um de nós a nível da redacção. Não escrevia mas inspirava crónicas.
Luis Fernando, sempre pronto a colocar em letra de forma o que vê e o que sente, dedicou algumas prosas ao Zero e muitos de nós dedicamos-lhe atenção e carinho.
Mas a vida dá curvas e o jornal mudou-se para outras instalações. Luis Fernando, na sua inebriante prosa, publicou um sublime grito de alerta, manifestando a sua preocupação sobre o futuro da instituição felina.
E escreveu isto:


A FECHAR



E agora Zero?


A menos que alguém se dê ao trabalho de provar o contrário, o Zero é o gato mais famoso de Angola.


É, tanto quanto sabemos, o único de quem se tem notícias de jornal, volta e meia.


Continua a viver em Talatona por não ser bichano que se adapte ao caos do centro de Luanda, onde ainda por cima abundam os gatos vira-latas e sem pedigree. Mas esta semana o nosso Zero viu-se confrontado com uma crise existencial que está a atormentar consciências e a dificultar decisões: a Casa Amarela, seu mundo de felicidade há quase três anos, ficou vazia.


Nada mais e nada menos que uma mudança de todo o colectivo de profissionais que desde Maio de 2008 dá vida à sede do jornal O PAÍS, para novas instalações! Uma soberba notícia para jornalistas, repórteres fotográficos, designers e demais membros da equipa de trabalho que assim mudam de ares e se enchem de novas perspectivas, até porque o novo poiso lembra muito mais o espírito frenético do grande jornalismo, com gente entrando e saindo com as suas dispersas histórias de vida.


Para o Zero, porém, há tudo menos razões festivas. A ideia concretizada de trocar a Casa Amarela por um novo espaço como o que se tem agora arrisca-se a sepultar as melhores expectativas da mimada mascote da malta que sabe o que é correr atrás dos factos em sete apertados dias de uma semana.


A nova casa, segundo as avaliações preliminares dos primeiros dias, não está muito moldada para se ter um gato manhoso que se enrosca nas pernas dos editores à quinta-feira, o dia em que quase infalivelmente eles se esquecem da sua ração de sobrevivência.


A pergunta feita na primeira vez que os ex-inquilinos da Casa Amarela se juntaram no lugar que vai ter a obrigação de competir com a mística do velho berço do jornal, segunda-feira 6 de Dezembro de 2010, diz tudo: E agora Zero?


Em plena Redacção com tudo por estrear, incluindo o súbito desafio de se passar sem as travessuras do quadrúpede sete vidas, aquela pergunta soou a um alarme com a cor cinzenta das desistências bruscas. Percebeu-se que pode ter findado o parentesco levado até ao limite do entendimento e da tolerância entre os jornalistas e o felino durante exactos dois anos e meio, não por quebras de afecto ou como resultado das frequentes ingratidões da raça dos humanos, mas objectivamente pelos apertos logísticos do novo tecto.


O caso é sério e não se resolve com o sorriso de indiferença que irrompe de dentro, quase sempre, quando o futuro do Zero é posto sobre a mesa. Se fosse uma galinha, a resposta estava dada: cabidela e assunto encerrado!


Mas é de um gato com estatuto de mascote, ganho por mérito e valentia, que se fala. Um exemplar que faria qualquer associação de defesa dos direitos dos animais pensar na justeza de um prémio para as gentes da Casa Amarela: zero maus-tratos e zero faltas de carinho e atenção a um nobre gato, excepto apenas nas tais quintas-feiras de desassossego em que o jornal vai para a gráfica, de resto um dia em que os jornalistas não estão para ninguém a não ser para o dever indeclinável de serem profissionais a toda linha.


Quase tão importante para a equipa de O PAÍS garantir a produção dos primeiros números num novo cenário, com os tormentos da inadaptação próprios dos tempos de começo, será a descoberta de uma solução de compromisso para o bicudo caso do gato que perdeu a viagem para uma nova centralidade onde os arranhões e os miares não se sabe, ao certo, que tipo de tolerância terão.


Talvez seja hora de um patrocinador de vidas de felinos em desespero, como os há para as beldades de bairro ou os cantores de repentinos estrelados, manifestar-se apto e determinado a assumir o repto. Para que a saga do Zero siga por diante, em útil e perfeita consonância com a fama que lhes atribuem os saberes de antanho, de poderem viver 7 invejáveis vidas.


Luís Fernando


10 de Dezembro de 2010

Fiquei alarmado. Eu, que convivi longas horas de trabalho naquele jornal com o Zero sobre a minha secretária, temi pela sobrevivência do bicho. E escrevi, de imediato ao Luis Fernando, o que segue:


Luis,



por favor,

ninguém mais do que tu que tanto tem glorificado, com carinho e razão, o nosso
bem adoptado ZERO, vedeta de tantas crónicas bem aviadas pela tua ágil pena,
poderá dar um caminho certo ao nosso felino ...tão respeitado e acarinhado por toda a redacção...
o Zero tornou-se,
mais por mérito próprio do que por uma qualquer influência vinda das profundezas de um telefonema , uma referência na sociedade luandense, graças às tuas linhas sempre tão acertadamente ataviadas daquele linguajar colorido e certeiro que encanta ...
o Zero é uma instituição nacional, viveu e cresceu na nascença e no crescimento de uma força nacional que o é graças a ti...
....seria impróprio de gente boa como a que faz O PAÍS, mudar de ares e de poiso, levando tudo - telefones, computadores, cadeiras, mesas, papel e papéis, carros e agrafadores, menos o símbolo de uma forma de estar e de ser, prefigurada no nosso amado ZERO.....

Isto foi, no essencial o que escrevi ao escritor-director do jornal ao que Luis Fernando me respondeu pouco depois, concordando com o meu apelo.

Quase em simultâneo, o Luis Faria, editor de Economia e também um dos patrocinadores da existência da Zero na redacção, escrevia esta belissima peça de jornalismo:






Tudo é eterno enquanto dura. Há medida

que o tempo corre, que passa por nós ou

que nós passamos por ele, essa noção de

eternidade torna-se cada vez mais frágil.

A verdadeira eternidade, a que gostaríamos

que repercutisse ao infinito os momentos que

queremos intermináveis, ou que se fi xasse numa

suspensão do tempo, seria, segundo Borges, uma

chatice. Não sei se Os Imortais, esse conto notável

que procura demonstrar que a imortalidade redundaria

num voluntário embrutecimento, já que

qualquer acontecimento seria apenas a repetição

de um outro que já teria ocorrido num momento

qualquer do passado, o que se tornaria insuportável,

é apenas mais uma ficção “trapaceira” de Borges.

Mas a finitude é isso: um espelho que não mais nos

reflectirá, um livro que repousará “eterno” na nossa

estante e que jamais leremos, uma esquina que não

voltaremos a dobrar.



Simone de Beauvoir inventou uma artimanha semelhante

para ludibriar os nossos limites ao afirmar que não

lhe interessaria sobreviver a tudo quanto tivesse amado.

A eternidade tornar-se-ia um penoso alheamento

num mundo estranho. A ideia serviu, pelo menos, para

iludir os meus primeiros e juvenis temores face à nossa

natureza absolutamente provisória e precária. Beauvoir,

escritora e talvez uma das personalidades que mais se

bateu pela dignificação da mulher, quando o “feminismo”

pairava muito longe da moda e dos costumes, foi a

“eterna” companheira do filósofo que marcou o século



XX: Sartre, o homem que inverteu o postulado cartesiano

(“Penso logo Existo”) e sentenciou: Existo, logo

penso.

Mas deixemos a invocação erudita (detesto-a, mas

que hei-de fazer do raio das memórias?) e passemos a

coisas mais comezinhas. Um dia, ainda jovem, decidi

escrevinhar um glossário pessoal. Tanto quanto me lembra,

quando cheguei à letra Z clamei: “é preciso reabilitar



o Zero!”. É que eu, além de Luís sou Zé, tal como o do

famoso livro de Reich: “Escuta, Zé Ninguém!”.

Ora bem, tudo isto vem a propósito do Zero, o gato, o

pequeno, amarelado e doce felino adoptado pela Casa

Amarela, sede de O País até à última semana. Foi ali que

nasceu este jornal, numa residência simpática, afável,

doce, depois convenientemente adaptada para tentar

fazer caber lá o ofício e os seus artesãos. Até as fl ores

que a circundavam eram amarelas, prolongando, num

desmaio poético do olhar, as vigas de madeira que a

sustinham. Por isso o Zero só poderia ser amarelado.

Vagamente tigrado. Surgiu, ainda bebé, no momento

em que houve que intercalar a urgência de produzir a

primeira edição de O País com o teste de um número

zero. A coincidência fez com que o baptizasse de pronto:

és o Zero!



E tornou-se, como o já descreveu, com arte de

escritor, Luís Fernando, um companheiro para a

redacção de O País. Uma figura. Os gatos, observa

Cesariny, olham sobranceiros, das suas janelas e dos

seus telhados, para a burguesia. O Zero mirava-nos

com cumplicidade, não abdicando da sua irredutível

independência felina. Com maior ou menor dedicação

revelada ou desvelada, no íntimo das almas que fazem

este jornal, o Zero era estimado. Por vezes secretamente.

A ração do bicho, quantas vezes adiada pelas nossas

urgências, compromissos, distracções e egoísmos,

lá acabava por aparecer, meio desconchavada, meio

espalhada, na cozinha. O Zero concitava protestos e

alergias mas, altaneiro, apenas conhecia uma moeda de

troca: a do afecto.



Afecto. Algum que não figura nos tratados e modelos

da ciência económica. O Zero, na economia simples da

sua vida, não enfrenta problemas de subprime - para

ele a Casa Amarela não é um activo susceptível de

valorização especulativa, é apenas uma referência, um

local onde cultivava amizades, um último abrigo. Não

se debate com crises de sobre-endividamento. O único

crédito de que dispõe é a dedicação e o amor. Ignora os

ciclos económicos e os relatórios periódicos. Vive sem

prazo. Quando lhe falta comida caça (mais por instinto

brincalhão que por necessidade) e faz-se, sobretudo,

à vida. Uma vida poupada ao fastio contabilístico e

à complexidade econométrica. O Zero ajudou-me e

ensinou-me muito nas horas em que “stressava” com

as mesmices de sempre e já nem estou propriamente em

tempo de aprender…



O País mudou de instalações. Mudar, é o seu lema, é a

sua missão, o seu compromisso, a primeira linha do seu

estatuto. A Casa Amarela e o Zero ficam para trás, nos

recônditos recantos da memória, a nossa bagagem mais

consistente. E persistente. A verdade é que ainda não se

inventou o homem sem bagagem…Pois. Mas o que seria

de nós sem a arte do esquecimento? Voltando a Sartre e

num arrufo de timorata improvisação asseguro: o Zero

existe, logo é. Oxalá os novos inquilinos da Casa Amarela

sintam, por esta asserção, alguma empatia.



Como diz a letra de uma musiquinha da minha predilecção:

“O tempo é um momento para nunca mais”.

Esta coluna, por natureza, não é titulada. Se houvesse

uma excepção à regra seria, desta feita, encimada por um

nome, muito singelo: Zero.
..................................
Se consolação alguma tive, foi a de me ter sido dada a possibilidade de ler um brilhante texto que agradeço ao Luís Faria..
Finalmente, surge esta última peça do Luis Fernando, a repor "a legalidade" sobre o situação do Zero que, evidentemente, teve honras de reunião da Administração. Pois claro.
Leiam o texto do Luis:

A fechar




Todos querem o Zero


A situação do Zero, o gato que não pôde acompanhar a equipa do jornal que o tem como mascote para o seu novo espaço de trabalho, está ao mais alto nível na Media Nova.
A semana começou com uma reunião no gabinete do PCA, João Van-Dunem, no mínimo atípica. Um único ponto, dois interlocutores: o cronista que em nome do colectivo ergue a bandeira da sobrevivência do mimado sete vidas e o representante da Administração que tem de tomar a última das decisões.
O fim-de-semana a seguir à publicação da crónica que colocava angustiantes interrogações sobre o futuro imediato do gato mascote foi agitado o suficiente para justificar essa reunião. Dezenas de leitores e amigos de O PAÍS, tocados pelo caso, juntaram-se à onda de solidariedade que protege o bichano e avançaram com soluções, que, no caso, se resumiram 
a uma apenas: aceitam ficar com o animal 
em suas casas!
Obviamente que colocada a resposta da sociedade da maneira como se colocou, sobrevieram, de repente, preocupações novas que sugerem apreciação ponderada. O Zero não é um gato qualquer, anónimo, de vida errática, agarrado ao mau agoiro que se associa aos iguais da sua família natural.
O nome Zero pode levar erradamente a intuir um punhado de tropeços existenciais. Zero de não existência, zero de nulidade, zero de um activo baixado à condição de não ganho e não perda. Um zero de vazio, de silêncio cósmico, de não matéria, enfim, o célebre zero matemático 
à esquerda do qual nada tem valor contável.
Só que o gato Zero, na verdade, representa o contrário de tudo isso. É um nobre quadrúpede com o espaço protegido e a vida tomada como responsabilidade permanente de um colectivo de gente conscienciosa que faz todas as semanas um jornal
Na reunião com o Zero a servir de ponto único da agenda a saída foi peremptória: a mascote de O PAÍS ganhou um estatuto social de peso tal que já não há nada que o possa afastar dos seus tutores. É património inalienável do jornal e assim permanecerá, quer troveje, aconteça um simulacro do fim do mundo ou uma qualquer praga de dimensões apocalípticas.
Os novos inquilinos da Casa Amarela deram a toda a família O PAÍS garantias de que o gato será sempre bem cuidado e que os jornalistas poderão continuar a ver nele o mesmo factor de inspiração. Não lhe faltará a ração providencial de todos os dias nem o sossego de um quintal amigo.
Apesar de geograficamente distante, 
o Zero manterá o estatuto de mascote do 
jornal e aceitará que os redactores, 
os repórteres, os fotógrafos, os designers, 
o rodeiem dos mesmos mimos destes últimos três anos de intensa cumplicidade.
Há por isso festa, de novo, entre os parentes humanos do mais mediático gato que Angola possui.
Já se fazem planos para o simpático bicho. Para muitos, está na hora de o trazermos uma vez ou outra ao novo edifício para rever os seus amigos de longa data; para outros, nada melhor do que proporcionar ao Zero as noites mágicas e simultaneamente loucas de fecho, 5tas feiras, a ver se não perde o endiabrado hábito de se deitar, descontraidíssimo, sobre os teclados dos editores. E de aparecer nos lugares menos recomendados, escadas, portas, copa, provocando quedas a quem se der ao trabalho e a veleidade de o ignorar, como aconteceu com a Rojú, do sector de Fotografia, no dia em que selaram, ambos, o ódio de estimação que se prolonga até hoje.
A saída encontrada para os dias futuros 
do Zero serviu para silenciar as manifestações de dor e legítima angústia dos ex-inquilinos da Casa Amarela e vizinhança. Livramo-nos todos do peso da observação útil e contundente da ilustre directora dos Recursos Humanos do grupo Media Nova, Kénia Sandão, 
que resumiu acertadamente aquele estado 
de desânimo global e nos partiu a alma durante dias: “é injusto deixar o Zero na Casa Amarela, abandonado, ele que foi o único trabalhador 
que não chateou, não deu dores de cabeça 
à empresa”.
Os novos inquilinos da Casa Amarela deram a toda a família O PAÍS garantias de que o gato será sempre bem cuidado...


Luís Fernando

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