terça-feira, 20 de janeiro de 2009

...que domingo !...

foto Google imagens

Este domingo está de se passar de sábado, directo para 2ª.....
O nevoeiro não deixa ver para além do prédio da frente...
A chuva miudinha, daquela que não se vê mas molha até a alma, cai teimosa e caprichosa , adensando o nevoeiro.....
Não está frio, mas também não deixa de estar, porque a humidade esfria até aos ossos...
Está um célebre...e triste...dia à Porto!
Desde o primeiro olhar da manhã que se deita lá para fora, só apetece voltar para a cama e ficar bem quentinha debaixo do edredon.
Não é que não me passe pela cabeça essa hipótese, mas...sem estar doente, sem sono e sem companhia....o que se faz na cama todo o dia????.....Nada !!
No meio de muito engonhanço, uma pessoa lá se arranja e encara o domingo que tem pela frente com aquele fatalismo das coisas que "o que tem que ser, tem muita força".
Depois desta fase de meia inércia, ...ou se embala e se engrena nas arrumações e limpezas que só num dia assim se fazem, porque não dá para fazer mais nada....
...ou, não se embala....e enroscamo-nos num sofá a ver filmes atrás de séries até estar completamente embrutecida e meia atordoada, já sem saber qual é a nossa realidade ou a ficção dos filmes.
Não sei qual foi a minha opção.
Já limpei, arrumei, lavei roupa, cozinhei....
e, enquanto a roupa rodopiava na secadora, enrosquei-me a ver televisão.
Porque será que não consigo sentir-me relaxada neste "dolce fare niente" ??
Este tempo enerva-me, entristece-me e deprime-me.
Não consigo tirar partido do conforto que tenho.
Por que insisto, então, numa situação que não me agrada?
É isso....
Vou sair...
Não apetece.
o nevoeiro sufoca-me...
a humidade engelha-me...
mas saio na mesma.
Depois de estar na rua, logo vejo para onde vou...
Até logo !!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

IARA


A data das fotos não está correcta..as fotos foram feitas em Nov. 2008

A "minha" IARA, faz nove anos neste sábado, dia 17 de Janeiro.


A sorte dela de ter nascido num ano certo, 2000, assim a gente nunca a esquece...e logo quando as contas começam, não é? Janeiro, o começo de todas as esperanças, de todos os sonhos,


de todos os projectos...tenho difícil em mim projectar o futuro de uma criança olhando pra ela - ou, simplesmente - pensando nela....


muito mais, é com uma neta que fez o favor de também ser uma "filha" atrasada no calendário da vida... se não fosse ela, que destino teria sido o meu?


jornalista reformado da televisão, de pantufas a olhar estupidamente para um bom dia qualquer coisa na TV ? foi ela que manteve a minha alma aberta e o meu consciente activo...e, quando eu, do alto da minha serenidade idosa, lhe dava cálculos de matemática que ela resolvia, de cabeça, sem lápis nem papel, julgando que a estava a estimular, afinal, era ela, aquele dois palmos de gente, que acordava os meus neurónios e os mantinha activos.


Ao dizer a "minha" IARA, alguém poderia pensar naquele sentimento egoísta que os avós têm de posse em relação aos netos, mas não é nada disso comigo, ninguém é dono de ninguém, e, a minha neta, naturalmente não me pertence...espero que não pertença nunca a ninguém, nem por via da paixão, que seja sempre um ser independente, autónomo, mas isto é tudo quanto posso vislumbrar em desejos...aos nove anos de idade o que é que se pode prever? neste mundo tão galopante e incerto? por mim, tracei um plano simples: preciso de viver mais uns 15 anos de vida para me certificar de que a "minha" IARA, só por brincadeira, me peça para lhe dar cálculos matemáticos que ela resolverá tão facilmente como agora...e me compensará com aquele sorriso maroto que ela tem, como quem diz como ela sempre disse com ar gozão: ora, avô, essa era muito fácil.!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

O navio

Está de frente para a praia, imóvel, assente nas areias baixas, abandonado, residência de gaivotas. Parece ter vindo do além, surgido das sombras dos mares longínquos. Numa última viagem sem porto, o seu destino estava traçado. Apontaram-no à costa até parar, impotente, nos fundos que ficaram a servir de leito de morte. Mas, ao contrário de muitos outros naquele cemitério de navios (alguns ainda com o nome visível, numa última manifestação de identidade), este tem-se mantido, ao longo dos anos, direito, aprumado, orgulhoso na sua imobilidade.
Que viagens e que sonhos transportou? Que registos deixou das suas rotas? Dos seus antigos tripulantes, algum regressou ao lugar de morte para lhe prestar uma homenagem?
De quantas interrogações é feito um navio abandonado?

(cemitério de navios na praia de Santiago-norte de Luanda-Angola)

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