domingo, 4 de fevereiro de 2007

Império à deriva

Descansem, o título não tem nada que ver com a situação actual de Portugal.
Ou terá?

Nutro uma grande curiosidade pelo Brasil desde a minha infância, já lá fui algumas vezes, umas em turismo, outras em serviço e, sempre me ficou a sensação de que preciso de lá voltar mais vezes. De uma das viagens, em serviço, tive oportunidade de atravessar o país desde S. Paulo até Fortaleza, acompanhando o Rali das Dunas, uma espécie de Dakar à brasileira, uma experiência que recomendo.
Na vida profissional, conheci muitos jornalistas brasileiros, alguns ficaram meus amigos até hoje, e conheci outro tipo de pessoas, empresários, técnicos de quem fiquei amigo. Um deles ofereceu-me um livro interessantíssimo, “IMPÉRIO À DERIVA – A corte portuguesa no Rio de Janeiro, 1808-1821”, de Patrick Wilcken, com tradução de Vera Ribeiro, editado pela Editora Objetiva.

De uma forma quase romanceada, o livro retrata os 13 anos do governo imperial exercido por D. João V, desde que, aterrorizado, fugiu, com a corte inteira, sob escolta britânica, ao avanço das tropas de Napoleão para se instalar no Rio de Janeiro, tornando a colónia no centro de todas as decisões sobre Portugal, até ao regresso a Lisboa, passando pelo “grito do Ipiranga” de D. Pedro.
A riqueza histórica, o pormenor, os factos, os depoimentos são relatados numa escrita simples que prende a leitura até à última página da história de uma realeza europeia que se misturou com os nativos de uma colónia.


Escravas

O apressado regresso da corte a Portugal
devido à revolta constitucionalista no país.

Com a devida vénia, apresento algumas das ilustrações do livro de Patrick Wilcken, nascido na Austrália, que passou longos períodos no Rio de Janeiro, tornando-se um profundo conhecedor daquele país.
hs

3 comentários:

Anónimo disse...

Ola Helder..

Veja uma versão da história Brasil-Portugal escrita pelo jornalista brasileiro Eduardo Bueno e que foi fundo nesta relação. Está entre os mais lidos no Brasil por contar a ´história´ numa linguagem dinâmica e atraente. Lendo a coleção `Terra Brasilis é possível entender um pouco dos laços que nos unem o dos nós que nos separam! Creio que deve haver seus livros já para vender em Portugal...em todo o caso pode-se comprar pela internet! Abaixou um pouco da trajetória do escritor.

abraços
Eloy Casagrande

"Eduardo Bueno é escritor, jornalista, editor e tradutor. Atualmente, é o escritor com o maior número de livros vendidos no Brasil e o primeiro, nos últimos 12 anos, a possuir três títulos na lista dos best sellers dos principais jornais e revistas do pais.
Autor da coleção Terra Brasilis - sobre a história colonial do Brasil - , Eduardo Bueno se tornou o maior fenômeno editorial do país nos últimos dois anos. Juntos, os três títulos da coleção - "Viagem do Descobrimento", "Náufragos, Traficantes e Degredados" e "Capitães do Brasil" - venderam mais de 400 mil exemplares. Eduardo Bueno já teve antes outros sucessos editoriais : ele é o autor de "Blá, Blá, Blá - A biografia autorizada dos Mamonas Assassinas" (L&PM Editores), que vendeu mais de 100 mil exemplares. Como tradutor, traduziu On the Road / "Pé na Estrada", de Jack Kerouac. O livro deflagrou a onda da literatura beat no Brasil e vendeu mais de 150 mil exemplares. Ao todo, Bueno traduziu 22 livros. Como editor, Bueno editou mais de 200 títulos, colaborando com algumas das principais editoras brasileiras."

Helder de Sousa disse...

Obrigado Eloy.

As grandes amizades, cumplicidades, compreensão mútua constróiem-se com base no conhecimento e respeito mútuo pelas diferenças. É assim com os indivíduos, é assim com os povos.
No caso de Portugal/Brasil e vice-versa, nada é demais para esse conhecimento e respeito. Os portugueses têm de se libertar do cliché samba e dolce farniente em relação aos brasileiros e, os brasileiros, da ideia de um Portugal atávico, bolorento de fado triste e do Manel padeiro.
Portugal ainda não aprendeu a viver com as suas ex-colónias, incluindo o Brasil, receio que a demora nessa aprendizagem contribua para sublinhar mais as diferenças que as familiaridades.
Se não forem os governos, que sejam os cidadãos a preencherem as lacunas.

Obrigado pela dica.
Um abraço
helder

Ruy disse...

Só mesmo um ex-colonizado, para expressar de forma tão eloquente as diferenças e semlehanças entre estes dois países.

Hélder (que assim como eu também nasceu comendo o funge africano)além de ex-piloto de corridas (outro ponto em comum entre nós), tem nas veias o sangue das letras, daí a facilidade de expressão.

Os anos me fizeram mais tupiniqum que africano, mas a eterna sede de informação histórica, também me fizeram um grande admirador do historiador Eduardo Bueno, e outros que contam a História e Estórias da colonização deste país. Sou um fanático deste tipo de literatura.

Hélder caso nunca tenhas lido algum desses livro, avisa, e por fim, por favor:
o nome do Rally é Sertões, Dunas é o organizador "Dunas Race" do Marcos Ermírio.
Por falar nisso em breve devo dar uma passeada de 3 dias atravessando de moto o Jalapão
(maior deserto brasileiro).

Forte abraço

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