quarta-feira, 9 de setembro de 2009

09.09.09 - NOVES FORA, NADA

Parece que o dia de hoje é um dia especial pelo facto de ser uma data interessante: 09.09.09. Francamente não sei se tem algum significado especial seja em que enquadramento – cabalístico, cronológico, calendário, número capicua (999) – donde, vejo minhas preocupações diárias viajarem para o destino do costume: trabalho, amigos, rotinas.
Acedo, mesmo assim, a fazer uma breve reflexão e, ocorre-me fazer a prova dos nove. O resultado não me parece muito animador, noves fora, NADA. Francamente, gosto pouco de nada. Não devo ser o único. Prefiro cultivar o positivo. Nada invoca-me niilismo, vazio, o culto do não ser, a implosão da subjectividade, como alguém o definiu.
Os niilismos moral e político, por exemplo, podem ser deduzidos do niilismo existencial; pois, se a própria existência não tem valor, isso implica que nada tem valor, inclusive valores morais, inclusive o progresso.
O único modo de compreender o niilismo existencial é através da reflexão. O vazio da existência nunca poderia ser demonstrado através da prática, ou apreendido por meio da experiência imediata. Se, por exemplo, reduzíssemos nosso planeta a nada com bomba nuclear, isso não demonstraria coisa alguma; a visão desse planeta despedaçado também não provaria nada. Tal postura destrutiva prática não faz o menor sentido; equivale a tentar refutar um livro queimando-o.
O niilismo existencial se demonstra quando reduzimos o homem a nada, e para isso basta possuir algum talento intelectual aliado à honestidade, pois o esvaziamento da existência é a mera consequência de a entendermos. Não precisamos degolar a humanidade inteira para provar que a vida carece de sentido.

Socorri-me aqui de um ensaio tirado de Ateus.net para ajudar os meus amigos leitores a perceberem melhor o meu afastamento do Nada. Para mim foi bastante fácil – com tudo reduzido a Zero, nem me preocupo em fazer o “noves fora” simplesmente porque não há nove nenhum em Zero.
E tudo se simplifica.
E eu saio de cena, ufano e imperial, montado na minha quadriga de vaidades passageiras .
E, com algum descaramento, dou meia volta (U TURN como dizem os ingleses), e instalo-me de novo na importância do dia de hoje : 09.09.09.
Mando o niilismo às urtigas, o noves fora para o caixote do lixo, pego no megafone e digo às massas: acreditem que o dia de hoje é mesmo importante – faço anos.

7 comentários:

Anónimo disse...

Volta... vem viver outra vez deste lado...
não consigo esquecer-me de ti, do sábio poeta que tu és.
beijos
Neide

Higorca Gomez Carrasco disse...

Creo que además de sabio poeta, es un literato magnifico, es verdad, tampoco yo creo en eso de las numeraciones, cada día es un día y distinto a otro, mañana sera mañana y de nuevo otro día, es el vivir de lleno, sentirse pleno en todos los sentidos. Saludos Helder.

Higorca

Anónimo disse...

E Parabéns! Hoje foi o dia dos teus anos! Qd. digo hoje refiro.me ao dia 09 claro. Continuas a escrever que é um assombro! Nunca pensei, embora, na altura, me tivesses dito que gostavas de escrever.
Um beijo

Ana disse...

concentraste-te no teu aniversário e muito bem, pois isso é o mais importante.Os parabéns dei-tos ontem , mas ao ler o blog veio-me à ideia, que a primeira vez que tos dei deve ter sido a 9-9-59 /embora com intervalos pelo meio).Oxalá tenhas tido um óptimo dia e quem sabe...se daqui a uns 20 anos não estarei aqui de novo a felicitar-te?.Um beijo Ana

asperezas disse...

Muito bem!

Mas tens 10 anos, como disse no outro lado!

1 abraço,

Anónimo disse...

Paizinho,
este dia para além do surrealismo que carrega por ser o tal 09.09.09 é o dia em que tu comemoras 70 anos e por isso sim, foi um dia super especial.
Amo-te eternamente e sinto muitas saudades tuas

Jeová Nunes disse...

Com treze dias de atraso dou um duplo parabéns a você pelo aniversário e pelo bonito texto que acabei de ler. O gratificante é enfrentarmos o mundo com coragem pois, como disse o poeta Drummond, "entre o nada e a dor, é preferível a dor pois que é vida."
Abraços!

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