A plástica do Ballet Tradicional KILANDUKILU, de Angola.
Fotos da minha autoria, tiradas no espetáculo realizado em Maio, em Abu Dahbi,promovido pelo embaixador de Angola nos Emirados Árabes Unidos, Rui Mangueira, em comemoração do 8º aniversário da Paz em Angola.
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sexta-feira, 6 de agosto de 2010
sexta-feira, 30 de julho de 2010
luz
Em 1961 foi um dos centros de acção nacionalista no início da luta pela independência de Angola.
O que me chamou à atenção foi o facto de a Igreja ser um dos poucos edifícios totalmente conservados e mantido num estado absolutamente impressionante de limpeza e funcionalidade.
O interior está recheado de imagens de santos. Numa das fotos vêem-se fiéis a orar à ... Nossa Senhora de Fátima.
Tal como na Igreja da Muxima, são as "mães" que tomam conta de tudo no templo, gerido, desde a sua fundação, por frades Capuchinhos.
No altar principal, chamou a minha atenção aquela cruz com o Cristo cruxificado, que tentei enquadrar com a luz do vitral.
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domingo, 14 de fevereiro de 2010
Deu-me vontade de rir, de ver o cê bazar - por Manuel Rui
Não é preciso ir atrás dos motores de busca da net para se saber quem é Manuel Rui.
Daí que passo de imediato ao assunto que me trás aqui.
Manuel Rui arrisca-se a ter sido o primeiro escritor angolano de reconhecido valor, a interessar-se pelo novo acordo ortográfico da língua portuguesa, assinado e aceite por todos os componentes dos países luso-falantes, a começar pelo Brasil que já o está a aplicar.
Quem usa a escrita como forma de levar o prato à mesa, comos os escritores e os jornalistas, não pode assobiar para o lado quando se fala do acordo ortográfico. É ortográfico, note-se bem. Não vai mudar nada o linguajar de cada um dos falantes do português, do Brasil a Moçambique. É para se escrever mais simples. É para se aproximar a escrita do som. Nada de muito esquisito.
Como todas as mudanças, esta também provoca algumas hesitações, desconfianças até, algumas resistências. Sim, temos até 2012 para nos habituarmos à nova grafia. Não sei o que é as escolas do mundo falante em língua portuguesa já começaram – ou não – a fazer, no sentido de irem habituando os alunos à nova ortografia.
Sei é que um escritor de referência como é Manuel Rui, já deu o primeiro passo com o seu interessante quanto útil livrinho “O Semba da nova ortografia”, recentemente publicado em Luanda.
Semba é um tipo de ritmo muito angolano e o escritor imprime bem esse ritmo alegre nas suas versações sobre as mudanças que o português escrito vai sofrer.
Não resisti a partilhar um pouquinho daquilo que M. Rui deixou nas páginas do livrinho. Um sabor doce de intelectualidade com descontracção (aiiii, aquele c maroto vai ter de cair !!!!), a pensar nos que o vão ler.
Aí vão duas ou três páginas para se divertirem com o linguajar simples e pedagógico do escritor.
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terça-feira, 16 de junho de 2009
O PLANETA MULTICOLOR

O PAÍS
Sexta-feira, 12 de Junho 2009
Vasto Mundo
O planeta multicolor
João Melo
Patrick Kibangou nasceu na República Democrática do Congo. É, portanto, congolês. Como a maioria da população do seu país de origem, é preto. A mulher, uma médica nigeriana, é igualmente preta. Mas Kibangou também é polaco. E não é um polaco “qualquer”: nas recentes eleições europeias, foi candidato a eurodeputado pelo ex-Partido Comunista da Polónia (não sei se elegeu ou não).
A história de Patrick Kibangou é de uma simplicidade singela, mas, ao mesmo tempo, paradigmática e exemplar. Filho de uma mulher extremamente católica, emigrou para a Polónia há 25 anos, porque a sua mãe lhe disse que esse era o país do Papa João Paulo II. Adquiriu a cidadania polaca nos anos 90.
O exemplo de Kibangou é mais uma demonstração de que as fronteiras epidérmicas, tal como as físicas, comunicacionais, culturais ou financeiras, tendem a desaparecer. O mundo está cada vez menos para purismos e fundamentalismos de qualquer tipo, por mais exaltados (e até assassinos) que alguns deles, por vezes, ainda sejam.
A verdade é que, em áreas crescentes do mundo, está a ocorrer uma reconfiguração identitária, que poderá tornar definitivamente o planeta não apenas multicultural, mas multicolor. A excepção, por enquanto, parece ser a Ásia.
Assim, nas Américas, a emergência dos antigos deserdados – os indígenas e os negros – contribui, por fim, para a materialização da promessa de construção de um Novo Mundo, datada da expansão marítima europeia, mas jamais cumprida plenamente. Não é só o exemplo de Obama. Em países como a Bolívia e outros, os indígenas começam a ganhar outro protagonismo. No Brasil, a luta contra a discriminação da maioria de origem africana, embora complexa e difícil, avança.
Na Europa, a emigração, sobretudo africana, árabe e latino-americana, começa a rejuvenescer as suas sociedades, o que, aos poucos, está a ter uma tradução política e institucional visível (basta ver os ministros negros em alguns países europeus). Nesse sentido, as restrições migratórias recentes terão, a médio e longo prazo, um efeito perverso para a Europa, que corre o risco de envelhecer definitivamente, em todos os aspectos.
Essa tendência conta ainda com poderosos e actuantes adversários. Ocasionalmente, os mesmos surgem de onde menos se espera.É que teve de enfrentar o moçambicano branco Paulo Serôdio, que em 1984 foi para os EUA, onde se naturalizou. Apesar de ser de uma família que está em África há três gerações, foi impedido de se autodefinir, numa sala de aulas, como “afro-americano branco”.
Aliás, o nosso continente é uma das regiões onde a possibilidade de convivência epidérmica é objecto de tendências altamente contraditórias, descambando, às vezes, na violência (recorde-se o Uganda de Idi Amin ou o Zimbabwe, do Mugabe “pós.-revolucionário” e senil).
Assim, criticamos, com justiça, a persistência dos preconceitos raciais e mesmo da xenofobia nas sociedades europeias, mas somos incapazes de construir um novo modelo, antes replicamos esses preconceitos e essas práticas, apenas invertendo o sinal.
Mesmo num país como o nosso, cuja população tem uma origem diversificada, há gente demais que, nessa matéria, continua prisioneira do raciocínio dos anos 50. Entre nós, talvez Patrick Kibangou fosse considerado “angolano de ocasião”.
Nota: João Melo é um dos mais respeitados comentadores angolanos. As suas opiniões, se não comandam a agenda política do país, de certeza provocam reacções fortes na sociedade civil.
Com a devida vénia, publico este comentário (inserido no semanário O PAÍS), uma marca de lucidez e de espírito aberto que tanta falta faz em Angola.
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sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Angola escolheu a Paz
As recentes eleições angolanas levantaram, muito antes de se realizarem, imensos comentários e muita intriga política, não sei se da chamada oposição - de que alguns elementos preponderantes incitaram ao voto no MPLA - ou se de forças mais ou menos ligadas aos grandes interesses económico-financeiros capazes de fazer ferver nervosos miudinhos em pouca água. O mote foi o mais básico: que as eleições podiam ser agitadas, que os diplomatas tinham que informar as autoridades sobre as suas deslocações com prazos anormalmente dilatados, que poderia haver perturbação urbana, enfim, que se iria viver um clima de terror e de insegurança total. Em complemento, houve gente a correr aos mercados para açambarcarem tudo o que havia de comer para um mínimo de duas semanas. O governo e o partido que o suporta, sabiamente do alto dos seus 33 anos de experiência de poder e de controlo de intrigas palacianas, geriu com bastante eficácia a torrente de "bocas" desestabilizadoras e assegurou um clima de segurança para os dias eleitorais.Estou em crer que a forma como decorreu o acto eleitoral em Angola, mais do que um sinal de maturidade política, constituiu um aviso sério à chamada comunidade internacional, que tem a mania de mandar em tudo: façam o favor de não se meterem connosco, sabemos fazer o que tem de ser feito, estamos em nossa casa e em nossa que manda somos nós, venha daí o grupo de excursionistas internacionais travestidos de observadores, tipo fiscais de actos eleitorais.
Num país pobrezinho, sem meios nem recursos naturais, os tais observadores poderiam ter um papel de protagonistas e obrigarem o pobrezinho a novo acto eleitoral, caso detectassem qualquer anomalia por mais pequena que fosse. No caso de Angola, acabada de ser considerada o maior produtor africano de petróleo, qualquer "boca" que fosse dos observadores entraria a 100 e sairia a 200 dos ouvidos angolanos. Para as autoridades angolanas, é para o lado que dormem melhor. A comunidade dita internacional - ou parte dela - tem de perceber que Angola e seus governantes, por muito que sejam merecedores de críticas só faz o que entende que lhe dá proveito e não faz concessões.
A chefa italiana do grupo de observadores mandou umas bocas críticas, a observadora portuguesa Ana Gomes mandou outras para, poucas horas depois, virem a público desdizerem-se. Não perceberam aquelas alminhas que Luanda não é propriamente a sede da União Europeia e que os angolanos não são, nem serão nunca europeus, nem mesmo em termos de democracia dita ocidental.
Bastante antes do período eleitoral eu tinha percebido a inclinação do voto dos angolanos - o que eles queriam era que a guerra não voltasse mais - ainda que as discrepâncias sociais estejam demasiado acentuadas. Ao darem uma tão expressiva vitória ao partido no poder, os angolanos quiseram dizer que mais vale viver na estabilidade, ainda que socialmente desamparados, do que apostarem numa mudança e arriscarem-se a repetir dias amargos. Para lá disso, nenhum dos partidos da Oposição soube cativar o eleitorado com um programa realmente interessante. Em contrapartida, o MPLA, do cimo do seu poder imenso, mostrou serviço anunciando programas e desenvolvimento, de alojamento, de recuperação de terras, de melhoria das condições básicas de vida. Seria utópico esperar que, seis breves anos após a paz, tudo estivesse já feito e regularizado e as pessoas se sentissem plenamente realizadas na sua independência. Em eleições consideradas transparentes e correctas, os angolanos escolheram a paz, ainda que a cruzinha devesse ir para outro quadradinho que não o 12º da lista.

O problema da falta de cadernos eleitorais ou de centros de voto por montar é bem pouco merecedor de crítica, num país enorme como Angola, em fase de construção da sua identidade política.
Ninguém quis recuar a 1992. Ainda bem. Agora, Angola vai poder respirar e, nas calmas, à boa maneira africana, organizar a sua vida como muito bem entender.
A comunidade dita internacional que faça os seus trabalhos de casa para as próximas eleições.
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