terça-feira, 30 de junho de 2009

Miguel Sousa Tavares

Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha e na companhia de uma amiga estrangeira; quarta-feira de manhã, refaço o mesmo percurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa. Tanto para lá como para cá, é uma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em contrapartida, numa breve incursão pela estrada nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsito cerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis. Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela está espantada com o que vê:
- É sempre assim, esta auto-estrada?
- Assim, como?
- Deserta, magnífica, sem trânsito?
- É, é sempre assim.
- Todos os dias?
- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.
- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?
- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que o desenvolvimento era isto.
- E têm mais auto-estradas destas?
- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto, vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio. Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. - respondi, rindo-me.
- E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacional está cheia de camiões?
- Porque assim não pagam portagem.
- E porque são quase todos espanhóis?
- Vêm trazer-nos comida.
- Mas vocês não têm agricultura?
- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem que produzir não é rentável.
- Mas para os espanhóis é?
- Pelos vistos... Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:
- Mas porque não investem antes no comboio?
- Investimos, mas não resultou.
- Não resultou, como?
- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linha Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.
- Mas porquê?
- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e, quando 'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não há restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de 'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Por isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estado perde centenas de milhões todos os anos.
- E gastaram nisso uma fortuna?
- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às três horas e meia que demorava a viagem há cinquenta anos... - Estás a brincar comigo!
- Não, estou a falar a sério!
- E o que fizeram a esses incompetentes?
- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa... e ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.
- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?
- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km. Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.
- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?
- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não me falha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital Moreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois, pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.
- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta para trás e entra em Lisboa?
- Isso mesmo.
- E como entra em Lisboa?
- Por uma nova ponte que vão fazer.
- Uma ponte ferroviária?
- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos os dias para Lisboa. - Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!
- Pois é.
- E, então?
- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim. Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.
- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se a auto-estrada está deserta... - Não, não vai ter.
- Não vai? Então, vai ser uma ruína!
- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração é que vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo - porque, de facto, nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para o justificar.
- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?
- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!
- E vocês não despedem o Governo?
- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com Espanha foi a oposição, quando era governo...
Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?
- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.
- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?
- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.
- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm de ter?
- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade. Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo, até que ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:
- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?
- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50 quilómetros de Lisboa. - Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da cidade, e fazer um novo?
- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.
- Não me pareceu nada...
- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP.
- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as companhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para um pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?
Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para a Europa: um sucesso garantido.
- E tu acreditas nisso?
- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o que é aquilo?
- Um lago enorme! Extraordinário!
- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.
- Ena! Deve produzir energia para meio país!
- Praticamente zero.
- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!
- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.
- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber, serve para regar - ou nem isso?
- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o perímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agricultura não tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais.
- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para nada? - Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é o que nós fazemos mais e melhor. Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se para me olhar bem de frente:
- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?
- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, eram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez. Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento. E suspirou:

- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar como Portugal! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém!

Miguel Sousa Tavares, jornalista, escritor de sucesso mas, para mim que o conheço desde os gloriosos anos de A LUTA, de Raúl Rego, é o porta-voz do povo. Ele sabe colocar no papel aquilo que as pessoas comuns têm nos seus pensamentos e não têm como exprimir.
Com a devida vénia, aí está mais uma das suas crónicas publicada no semanário português Expresso.u

terça-feira, 16 de junho de 2009

O PLANETA MULTICOLOR


O PAÍS

Sexta-feira, 12 de Junho 2009



Vasto Mundo
O planeta multicolor
João Melo



Patrick Kibangou nasceu na Repúbli­ca Democrática do Congo. É, portanto, congolês. Como a maioria da popu­lação do seu país de origem, é preto. A mulher, uma médica nigeriana, é igualmente preta. Mas Kibangou também é polaco. E não é um polaco “qualquer”: nas recentes eleições eu­ropeias, foi candidato a eurodeputado pelo ex-Partido Comunista da Polónia (não sei se elegeu ou não).
A história de Patrick Kibangou é de uma simplicidade singela, mas, ao mesmo tempo, paradigmática e exemplar. Filho de uma mulher extremamente católica, emigrou para a Polónia há 25 anos, porque a sua mãe lhe disse que esse era o país do Papa João Paulo II. Adquiriu a cidadania polaca nos anos 90.
O exemplo de Kibangou é mais uma demonstração de que as fronteiras epidérmicas, tal como as físicas, comunicacionais, culturais ou financeiras, tendem a desapare­cer. O mundo está cada vez menos para purismos e fundamentalismos de qualquer tipo, por mais exaltados (e até assassinos) que alguns deles, por vezes, ainda sejam.
A verdade é que, em áreas cres­centes do mundo, está a ocorrer uma reconfiguração identitária, que poderá tornar definitivamente o planeta não apenas multicultural, mas multicolor. A excepção, por enquanto, parece ser a Ásia.
Assim, nas Américas, a emergência dos antigos deserdados – os indígenas e os negros – contribui, por fim, para a materialização da promessa de cons­trução de um Novo Mundo, datada da expansão marítima europeia, mas jamais cumprida plenamente. Não é só o exemplo de Obama. Em países como a Bolívia e outros, os indígenas come­çam a ganhar outro protagonismo. No Brasil, a luta contra a discriminação da maioria de origem africana, embora complexa e difícil, avança.
Na Europa, a emigração, sobretudo africana, árabe e latino-americana, começa a rejuvenescer as suas socie­dades, o que, aos poucos, está a ter uma tradução política e institucional visível (basta ver os ministros negros em alguns países europeus). Nesse sentido, as restrições migratórias recentes terão, a médio e longo prazo, um efeito perverso para a Europa, que corre o risco de envelhecer definitiva­mente, em todos os aspectos.
Essa tendência conta ainda com poderosos e actuantes adversários. Ocasionalmente, os mesmos surgem de onde menos se espera.É que teve de enfrentar o moçambicano branco Paulo Serôdio, que em 1984 foi para os EUA, onde se naturalizou. Apesar de ser de uma família que está em África há três gerações, foi impedido de se autodefinir, numa sala de aulas, como “afro-americano branco”.
Aliás, o nosso continente é uma das regiões onde a possibilidade de convivência epidérmica é objecto de tendências altamente contraditórias, descambando, às vezes, na violência (recorde-se o Uganda de Idi Amin ou o Zimbabwe, do Mugabe “pós.-revolucionário” e senil).
Assim, criticamos, com justiça, a persistência dos preconceitos raciais e mesmo da xenofobia nas sociedades europeias, mas somos incapazes de construir um novo modelo, antes replicamos esses preconceitos e essas práticas, apenas invertendo o sinal.
Mesmo num país como o nosso, cuja população tem uma origem diversificada, há gente demais que, nessa matéria, continua prisioneira do raciocínio dos anos 50. Entre nós, talvez Patrick Kibangou fosse consi­derado “angolano de ocasião
”.
Nota: João Melo é um dos mais respeitados comentadores angolanos. As suas opiniões, se não comandam a agenda política do país, de certeza provocam reacções fortes na sociedade civil.
Com a devida vénia, publico este comentário (inserido no semanário O PAÍS), uma marca de lucidez e de espírito aberto que tanta falta faz em Angola.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

LO LLORAN....

Lo llora el mundo enamorado, lo lloran los jóvenes, lo llora el Uruguay, lo llora América, lo lloran los poemas.
Mario Benedetti abrió nuevos caminos en la literatura. Conjuró la palabra más sencilla, el hablar cotidiano con el sentimiento más profundo. Leyó el alma de las calles,de las oficinas,del hombre, de la mujer y las inmortalizó en un poema.Amó lo simple, luchó por la libertad y la justicia y fue dulcemente bueno.
Continuó sembrando poemas de amor hasta sus 88 años. "Mi táctica es mirarte/aprender como sos / quererte como sos.....Mi estrategia en cambio / es más profunda y más sencilla./mi estrategia es / que un día cualquiera /no sé cómo ni sé con qué pretexto / al fin, me necesites".
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"Compañera/ usted sabe que puede contar conmigo
Pero hagamos un trato/ yo quisiera contar con usted /Es tan lindo saber que usted existe/uno se siente vivo"
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Si te quiero es porque sos/ mi amor mi cómplice y todo/ y en la calle codo a codo/ somos mucho más que dos."
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"cuando uno se enamora / la cuadrilla del tiempo hace escala en el olvido/la desdicha se llena de milagros /el miedo se convierte en osadía / y la muerte no sale de su cueva."
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"De los medios de comunicación/en este mundo tan codificado/con internet y otras navegaciones/Yo sigo prefiriendo / el viejo beso artesanal / que desde siempre comunica tanto"

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"Qué espléndida laguna es el silencio/allá en la orilla una campana espera/pero nadie se anima a hundir un remo/en el espejo de las aguas quietas"
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"Porque te tengo y no / porque te pienso/porque la noche está de ojos abiertos/porque la noche pasa y digo amor/porque eres linda desde el pie hasta el alma/porque eres buena desde el alma a mí/porque te escondes dulce en el orgullo/pequeña y dulce corazón coraza"
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Son trozos de sus poemas tan concidos por tantos .Benedetti se pregunta en uno de sus libros "Qué será del amor y qué del odio /cuando el siglo que viene nos dé alcance?" "Qué les queda a los jóvenes?" "¿de qué está hecha el alma"?¿"de qué se nutre la nostalgia?"
Sus libros fueron llevados al cine,sus poemas a la voz de los cantantes, su versos a los labios de los enamorados.
Mario Benedetti.uruguayo. 14 de setiembre1920- 17 de mayo 2009

domingo, 3 de maio de 2009

O MUNDO ...(não é) PERFEITO

O Georges Brassens cantava os amores e desamores de uma juventude "à bout de soufle" dos anos sessenta, ao mesmo tempo que exaltava os namoricos de fim de semana nos jardins - "les amoureux qui se bécottent sur les bancs publics...En se fouttant pas mal du regard oblique" .



É a imagem que me ocorre depois de "uma vista de olhos" aos meus blogs preferidos e, de, nesse relance sobre o que há de novo (como quem vai à janela só para ver o trânsito lá em baixo na rua), dar-me conta do encerramento de um dos mais fantásticos espaços de literatura que eu jamais conhecera antes. O blog de Isabela "O mundo perfeito", blog maudit como ela sublinhou, constituía o meu lugar de refrescamento mental, a minha catarse intelectual. Ali encontrava a pureza dura das palavras, o desplante assumido dos conceitos, a provocação e o anti-preconceito. Numa palavra, ali respirava-se liberdade.


Isabela decidiu fechar o blog. Se calhar, fartou-se de alguns buçais que quiseram por-se em bicos de pés, à custa dela, sem notarem que não tinham altura para chegar, sequer, ao nível da ...Micas ou da Morena. O blog de Isabela deixa marca forte, espero que seja possível "ir lá" para se ler o que ficou de alguns anos de escritos na primeira pessoa.

Como tudo na vida, há encontros e desencontros, há ganhos e perdas. A gente habitua-se e segue em frente. O Brel, no seu jeito tão próprio dizia: "on n'oublie rien, on n'oublie rien du tout, on n'oublie rien de rien, ON S'HABITUE, C'EST TOUT".
Habituamo-nos e...pronto!!!!!

segunda-feira, 13 de abril de 2009

BO, o PRIMEIRO-CÃO


Washington, 12 abr (EFE).- O Cão D'água Português da família Obama só estreará oficialmente na sociedade na terça-feira, mas a foto do mascote circula hoje na internet e ocupa a primeira página do jornal "The Washington Post", que revela o nome do animal, Bo, e a idade, seis meses.
O filhote branco e preto, um presente do senador democrata Edward Kennedy a Malia e Sasha - filhas do presidente americano, Barack Obama -, aparece na foto com um colar estilo havaiano.
O senador de Massachusetts é dono também de um cão da mesma raça.
"Adoramos nossos Cães D'Água Portugueses e temos certeza de que as meninas (Malia e Sasha) e seus pais também adorarão o seu", disse em comunicado Kennedy, que mantém uma estreita relação com os Obama.
A primeira-dama americana, Michelle Obama, revelou no final de fevereiro a raça do filhote.
Esse cão quase não solta pelo, o que transforma esses cachorros em uma raça muito popular entre as pessoas alérgicas, considerando que a filha mais velha, Malia, de 10 anos, tem esse problema, o que complicou a busca por um animal adequado.
"Supõe-se que são muito bons", disse Michelle Obama, ao revelar a escolha, em fevereiro, dizendo estar satisfeita também com o tamanho intermediário do Cão D'Água Português.
O jornal afirma que as meninas decidiram chamar o cachorro de Bo porque seus primos têm um gato com o mesmo nome, e porque seu avô materno, já falecido, tinha o apelido de Didley, como Bo Didley, falecido cantor de rock americano.
O "Washington Post" informa que Bo fez uma visita "secreta" à Casa Branca há algumas semanas, para que as meninas o conhecessem.
Bo foi educado pelos treinadores do senador Kennedy e deu mostras das lições aprendidas durante o encontro, no qual obedeceu quando lhe mandaram sentar e levantar, não mordeu o tapete e não fez nada de inadequado.
Obama prometeu publicamente às filhas que poderiam ter um cachorro na Casa Branca no discurso de agradecimento após a vitória eleitoral, em novembro do ano passado.
A busca por animal de estimação pela família presidencial gerou um grande interesse do público americano, e o líder brincou várias vezes dizendo que foi o maior anúncio que ele pôde fazer.
De fato, não faltam especulações sobre a possibilidade de que o cachorro se torne um "problema político" para os Obama, que tinham dito inicialmente que queriam adotar um cachorro abandonado.
Os Obama decidiram sair à margem anunciando que realizarão uma doação à organização protetora de animais abandonados The Humane Society, que tem sede em Washington. EFE




juro que não inventei isto

domingo, 12 de abril de 2009

VOCÊ É BOM A TOMAR DECISÕES????

Um grupo de crianças brinca próximo a duas vias férreas. Uma das vias ainda está em uso e a outra está desativada. Apenas uma criança brinca na via desativada, enquanto que as outras, na via em operação. O trem está vindo e você está exatamente sobre aquele aparelho que pode mudar o trem de uma linha para outra.
Você pode fazer o trem mudar seu curso para a pista desativada e salvar a vida da maioria das crianças.Entretanto, isto significa que a solitária criança que brinca na via desativada será sacrificada.
Você deixaria o trem seguir seu caminho? O que você faria?
Reflita antes, sobre sua resposta ! Leia abaixo!!!







RESPOSTA:
A maioria das pessoas escolherão desviar o trem e sacrificar só uma criança. Você pode ter pensado da mesma forma,eu acho.
Exatamente, salvar a vida da maioria das crianças à custa de uma só criança é a decisão mais racional que a maioria das pessoas tomariam, moralmente e emotivamente. Mas, você pensou que a criança que escolheu brincar na via desativada foi a única que tomou a decisão correta de brincar num lugar seguro?
Não obstante, ela tem que ser sacrificada por causa de seus amigos ignorantes que escolheram brincar onde estava o perigo. Este tipo de dilema acontece ao nosso redor todos os dias. No escritório, na comunidade, na política... E especialmente numa sociedade democrática, a minoria freqüentemente é sacrificada pelo interesse da maioria, nãoimporta quão tola ou ignorante a maioria seja e nem a visão de futuro e o conhecimento da minoria.
Além do mais, se a via tinha sido desativada, provavelmentenão era segura. Se você desviou o trem para a outra via, colocou em risco a vida de todos os passageiros. E em sua tentativa de salvar algumas crianças sacrificando apenas uma, você pode acabar sacrificando centenas de pessoas.
Se estamos com nossas vidas cheias de fortes decisões que precisam ser tomadas, nós não podemos esquecer que decisões apressadas nem sempre levam ao lugar certo.
Lembre-se de que o que é correto nem sempre é popular...e o que é popular nem sempre é correto. E que todo o mundo comete erros; foi por isso que inventaram a borracha e o apagador.
'De tanto ver as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra; de tanto ver crescer a injustiça; de tanto ver agigantarem-se os poderes na mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto'.

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Mail amigo fez-me chegar este texto que acho interessante partilhar com os meus leitores. Não sei quem é o autor.

sábado, 11 de abril de 2009

prematuro abandono


Depois de ler o teu último «post» sobre Sartre aqui vai:

PREMATURO ABANDONO

Próstata hipertrofiada, vesícula
Petrificada, estômago acidificado,
Pulmões encharcados, músculos
Hipotróficos, bexiga indolente,
Artérias entupidas, hormonas
Em baixo, olhos cansados, ouvidos
Esgotados, corpos cavernosos
Menos elásticos, folículos pilosos
A cair em desgraça, fígado
Do tamanho de um boi, pele encarquilhada,
Unhas fúngicas, coração chorão,
Rede venosa vaidosa e adiposidades
Valentes a desproporcionar uma alma
Que teima em não ser corrompida.

Ó células divinais, porque abandonais
Tão cedo a mente que quer ser permanente?
Ó genes adorados e fatais,
Porque não permitem que sejamos um ser consequente?

As pulsões e os afectos ainda irresistíveis
Já se querem parecer com as acções
E o mundo originário ou comportamental
Aproximam-se vertiginosamente da evidente
Degradação celular caminhando
Dolorosamente para a transição final
Numa luta verdadeiramente desigual.
Arrepiemos caminho, saibamos conviver
Com a contradição, não é tarde para se separar
A porcaria obviamente acumulada
E lavem-se ensaboando as velhas
Ideias que afirmam estarmos arrumados
Depois dos cinquenta. Agarrem-se ao amor
E sua leveza e descubram um oculto poder.

kambuta

sexta-feira, 3 de abril de 2009

SARTRE É O CULPADO


...e chega-se ao fim do dia com aquela sensação desagradável que só atinge os incautos...
aquela sensação de ... porra, não estou satisfeito com o que fiz ....
e procura-se em casa o refúgio e, na mente, as explicações....
nada resulta...
e vai-se mais longe....na senda dos perdões.....
é do cansaço....trabalhei que nem um mouro, cumpri o meu dever mas,.....
a interrogação emerge sobre tudo o mais....
cumpri o meu dever profissional, fiz bem o que sei fazer, mas...
porque é que me sinto assim insatisfeito ????...
só sendo pateta alegre se pode ficar imune à desagradável sensação da insatisfação e partir daí para o esquecimento na forma de qualquer diversão vulgar ....
passear, beber copos, ver montras de lojas, olhar a televisão....
isto de ser humano, de ser animal pensante é muito complicado...
há sempre um algo mais inexplicável.....
para lá da cortina da compreensão....
tem-se tudo bem feito e a bater certo no cosmos da acção profissional, senta-se numa cadeira, deixa-se amolecer o ritmo, e a mente toma conta do assunto numa perspectiva crítica....
posso garantir um coisa: nunca seria contabilista, gosto pouco de fazer contas e de colocar valores na coluna do deve e do haver....
o Sartre é que o culpado com essa ideia do existencialismo e do ser e do nada....
sento-me após tarefa (bem) cumprida e....estou insatisfeito...
deve estar a faltar-me um elo, talvez aquele em que Sartre aconselha a criar o homem que temos dentro de nós.......
sei, à partida, e após análises profundamente introvertidas, que o cansaço que tenho não é físico mas pego nele para me auto-justificar....
serve-me neste momento...
estou cansado, portanto, insatisfeito....
uf!!!! que alívio....!!!!!!!!

sábado, 21 de março de 2009

Mensagem II

Porta de entrada da igreja da Muxima

Deve ser da presença do Papa em Luanda. A força e o entusiasmo do povo angolano manifestados durante a visita do Santo Padre impressionam-me. São aos milhares e milhares, pelas ruas dos percursos de Bento XVI, a manifestarem a sua alegria e o seu agradecimento pela visita. Mas impressiona-me também a capacidade de organização dos angolanos. As pessoas estão vestidas de branco, usam bonés com a efigie do Papa, escuteiros aos milhares vindos de todo o país, mulheres de todas as províncias, como que a quererem dizer que Angola agradece, na pessoa do apóstolo, a paz que está a viver. Este povo é sofrido de 27 anos de cruel guerra fratricida, mais outros 14 contra o exército português.

Noto nos angolanos um receio quase físico de perderem esta paz com pequenos sete anos de idade. Aproveitam todas as ocasiões para agradecer.

Por mim, que não fui tocado pela fé, impressiono-me com estas manifestações verdadeiramente naturais, espontâneas. Assim como me impressionou ver aquelas duas crianças da foto, fazerem, de joelhos, todo o percurso desde a porta da igreja até ao altar, tal como vêm os adultos fazer.

Por mim, que não fui tocado pela fé, interrogo-me o que me levou outra vez àquela igreja onde me sento e me sinto bem no meio das pessoas que ali vão rezar e agradecer sei lá que concretização de pedidos. E, mais uma vez, admiro a generosidade e a simplicidade delas. Que força as move???

sábado, 7 de março de 2009

Mensagem

É mais forte que eu. Tenho de falar de mim. Mas vou ver se consigo passar uma mensagem. Não tenho muito jeito para pregador (senão seria bispo numa dessas igrejas onde se ganha muito dinheiro), mas acho-me no dever social de subir ao púlpito do blogosfera. A mensagem que quero mandar é de esperança e de crença em nós próprios. Alguns dos meus leitores muito rapidamente vão reagir - mensagem de esperança a valer só mesmo a da igreja, que é aquela que traz o selo de validade. Não aceito. Uma pessoa também pode passar mensagens de esperança. Tenho um exemplo na minha própria vida. Há muitos anos, vivi uma situação de dificulades económicas, com uma família para sustentar e insegurança quanto a trabalho. Em conversa de desabafo com um amigo (por acaso, ou talvez não), na mesma situação, ele deu-me uma grande lição de esperança e de crença nas suas capacidades como indivíduo: "não te desesperes, mantém-te sempre atento ao que te rodeia, há-de surgir-te a oportunidade que te vai tirar dessa situação".

Continuamos na conversa, a última porque nunca mais voltamos a ver-nos. Ele arranjou trabalho no Porto, numa rádio, eu fui admitido na RTP. Ambos não desitimos. Recordo com saudade esse amigo que me ajudou a não perder a esperança e me ensinou a continuar a lutar mesmo em condições adversas.

Não esperava, 30 anos depois, voltar a receber uma lição, uma mensagem e sentir necessidade de a partilhar.

Faz hoje dois anos que tive uma síncope, caí inconsciente, fiquei um tempo indeterminado como "morto". Se tivesse morrido naquela altura, não teria sofrido nada. Tinha ido acordar a minha neta Iara para se levantar para a escola, como fazia todos os dias. Ia descer a escada para ir preparar o pequeno almoço dela na cozinha. Caí fulminado antes da escada. Foi um milagre não ter caído aqueles degraus todos. Despertei na ambulância, confuso, sem perceber porque estava ali. Uma enfermeira foi-me fazendo testes pelo caminho: como me chamava, que idade tinha, onde morava, ao mesmo tempo que controlava um tubinho de soro "espetado" na veia. "Apaguei-me" à entrada no hospital de primeira fase - Torres Vedras . Recordo-me de, mais tarde, um médico me perguntar como me sentia e que se lembrava de mim, da televisão. Imaginam a minha alegria!!!!! Eu nem sabia muito bem quem eu era....

O processo de recuperação da "minha vida" estava iniciado, faltavam alguns exames mais, cateterismos, para ver o entupimento ou não das veias. Estava todo entupido e, o médico, simpático e positivo, até me disse (certamente para eu rir): oh Helder, não consigo passar por lado nenhum das suas veias, você nestas condições, pelas estatísticas, devia era estar morto....!!!! Achei simpática a ideia mas não aderi. Lembro-me de lhe responder: estou nas suas mãos, vocês sabe o que é preciso fazer.

O pós-operatório de uma operação de peito aberto é prolongado no tempo e confuso no espírito. Depois de nos serrarem o esterno e manipularem (isso mesmo, retirarem o nosso coração do seu lugar e virarem-no para verem melhor), depois de nos colocarem bypasses feitos daquela veia safena que temos nas pernas, passámos a ser outra pessoa. Algo de muito vital, muito profundo, muito nosso foi mexido.

É verdade que tinha de ser assim e é assim mesmo que deve ser. O meu médico sabia muito bem o que tinha de fazer naquelas 5 horas em que teve o meu EU nas mãos. E eu nunc duvidei de que sairia dali vivo. A convalescença deste tipo de intervenção altera a nossa maneira de viver, ou, melhor, a nossa maneira de ver a vida. Passamos a priorizar outros valores, passamos a ter uma visão mais abrangente da vida e, sobretudo, passamos a perceber que a vida tem, de facto, uma dimensão ... efémera. Estás muito bem a acordar a tua neta e, no segundo seguinte, cais "morto". É esta barreira tão frágil entre estar e deixar de estar, ser e deixar de ser, que passamos a valorizar e a respeitar.

Tenho alguns amigos que viveram experiência idêntica à minha, cada um tendo reagido de forma diferente do outro. Cada caso é um caso. Mas, a passagem pela linha de fronteira marca-nos para o resto das nossas vidas.
O essencial, na minha maneira de entender, é considerar que recebemos um crédito e que temo o dever de o usar da melhor maneira.
Em vez de nos lamentar-nos pelos que nos aconteceu, temos de agir como se nada tivesse acontecido. Mais que isso, temos de agir acima do nível em que actuamos antes.
O crédito tem uma validade desconhecida. Cumpre-nos usá-la como se fosse infinita.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

A minha neta IARA, que já conhecem de posts anteriores, está numa escola na Inglaterra. Fez 9 anos no passado 17 de Janeiro, já lá na Inglaterra. Apesar da questão da língua, ela entrou para o 3º ano e, em quatro meses, fez uma evolução tremenda. Entrou para o quadro de honra da escola. Num ambiente completamente estranho, sem dominar a língua, a Iara já ultrapassa muitos dos seus colegas locais em várias áreas. Melhor do que a minha vaidade de avô, as palavras do quadro de honra:
"IARA SOUSA
MAS QUE APRENDIZ É A IARA. É UMA MENTE INVENTIVA E PERCEBE OS CONCEITOS RAPIDAMENTE. OBVIAMENTE ELA ENCONTROU DIFICULDADES COM O INGLÊS A PARTIR DA ALTURA EM QUE SE JUNTOU A NÓS VINDA DE PORTUGAL. CONTUDO, NUM CURTO ESPAÇO DE TEMPO, O SEU INGÇÊS MELHOROU IMENSO GRAÇAS À SUA VONTADE DE APRENDER E DE VER AS COISAS PELA POSITIVA. O SEU SORRISO ENCANTADOR E DETERMINAÇÃO PARA SE ENVOLVER JÁ A COLOCARAM A REPRESENTAR A ESCOLA NO NET BALL E NO CORTA-MATO.
BOA , IARA ÉS UMA GRANDE VEDETA."
A tradução é minha. juro que não exaagerei nada.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

estar enamorado,amigos....

---hace un tiempo que no escribo en el blog de este amigo ,"nano", que me trajo ,una tarde lejana en el tiempo, la internet.
(é l y yo sabemos,por qué somos hermanos)
Hoy caminando por la peatonal de mi ciudad, bajo un sol de febrero, me sorprendieron las flores que regalaban al paso de los transeúntes y los anuncios de amor de San Valentín.
Así que decidí escribir en el blog algo sobre ese eterno "enemigo o amigo" que es el amor,pero no voy a escribir con mis palabras,sino que dejaré aquí el pensamiento de un autor español que sabe expresarse muy bien cuando se refiere a este dulce sentimiento.
El es Antonio Gala,autor español que continúa produciendo obras teatrales,cuentos,novelas,poesías,cuadernos...
Si tienen tiempo lean algunas de sus acotaciones:

"Cuando el amor comienza,hay un momento
en que Dios se sorprende
de haber urdido algo tan hermoso.
Entonces, se inaugura
-entre el amor y el júbilo-
el mundo nuevamente
y pedir lo imposible
no es pedir demasiado.
A. G.
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Puede el amante
dejar de amar, pero, ay, amará siempre
el tiempo en el que amó.
A. Gala.
El amor se va mucho antes de irse y permanece hasta después de haberse ido.
A. G.
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Dicen que la juventud es tu edad predilecta , y dicen que la primavera es el tiempo en que sueles aparecer, Amor. Yo no puedo creerlo. Tú, que marcas el rumbo de las constelaciones y diriges hasta los más pequeños rumbos de la tierra. Tú, que eres la mano que sostiene al mundo, y eres el mundo y sus ciegos sentidos. Tú dispones de los granos de incienso de la felicidad y los charcos salobres de la pena. Por eso yo no creo que tengas edades y estaciones preferidas.Tú que utilizas miradas sorprendentes:una mirada, un libro, un río,una canción,una manera de entralazar los dedos..Tú el águila bicéfala.
Antonio gala
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Y ahora añado palabras de un poeta argentino.
Estar enamorado,amigos, es encontrar a la palabra que para hacer frente a la muerte se precisa.
es hallar en unas manos, el calor de la perfecta compañía.
Francisco Luis Bernárdez

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