segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

O navio

Está de frente para a praia, imóvel, assente nas areias baixas, abandonado, residência de gaivotas. Parece ter vindo do além, surgido das sombras dos mares longínquos. Numa última viagem sem porto, o seu destino estava traçado. Apontaram-no à costa até parar, impotente, nos fundos que ficaram a servir de leito de morte. Mas, ao contrário de muitos outros naquele cemitério de navios (alguns ainda com o nome visível, numa última manifestação de identidade), este tem-se mantido, ao longo dos anos, direito, aprumado, orgulhoso na sua imobilidade.
Que viagens e que sonhos transportou? Que registos deixou das suas rotas? Dos seus antigos tripulantes, algum regressou ao lugar de morte para lhe prestar uma homenagem?
De quantas interrogações é feito um navio abandonado?

(cemitério de navios na praia de Santiago-norte de Luanda-Angola)

domingo, 28 de dezembro de 2008

HOJE É DIA DE FESTA


Este Blog faz hoje dois anos de existência. Quero aqui deixar o meu grande abraço a todos os que, das mais variadas formas, enriqueceram as páginas deste espaço que é aberto, livre e descomprometido, sem complexos, como o que a foto mostra e que só pode ser uma montagem.
Vamos então entrar no terceiro ano deste Blog com um voto de que todos os que por aqui passam sejam felizes, tenham um 2009 cheio de realizações e que a saúde não lhes falte.
Um "abrazo" a los de lengua castellana, especialmente a mi grande hermanita argentina, Marita.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Natal...já passou


Natal....já passou....passa num instante!
Tanta expectativa,
tanta correria,
tanto trabalho,
tanta despesa,
tanta confusão,
e depois....
passa num instante!
Cada vez mais o Natal é sinónimo de compras, prendas, roupas novas ....consumismo, consumismo, consumismo !
Vive-se num mundo de show-off e ostentação, até do que não se tem, e, mesmo sem querermos, somos levados neste turbilhão de compras para a mãe, para o pai, para o tio e para a tia, para a amiga e para a amiga da amiga.....que tambem é capaz de me dar e não posso deixar de ter uma lembrancinha para ela.....uff...que canseira!
Ao fim da noite, temos a casa cheia de papeis de embrulho amarrotados, os adultos meio decepcionados com o que recebem - muitas das coisas, nem sabem para que servem - a criançada com mais 10, 20 ou mais brinquedos ( tudo depende do tamanho da familia) para juntar às dezenas que lá têm em casa e com os quais mal brincam .
Sim, porque computadores ou jogos de computador, não é para o bolso de todos, embora sejam comprados por muitos....que não podem!
Tanta preocupação com os presentes e tão poucas com as festividades em si.
Quantos serão os pais que contam aos seus filhos o que é o Natal, porque temos um Presépio, uma Arvore de Natal....o próprio Pai Natal ???
Será que as pessoas sabem a origem do Natal ?
Quantas saberão?...ou terão interesse em saber?
Pois, para aquelas que têm curiosidade em saber, vou poupar-lhes o trabalho de ir à net procurar.....e aí vai um resumo do que lá vem sobre esta quadra festiva.
Nunca é demais aprender:

O Natal é uma data em que comemoramos o nascimento de Jesus Cristo. Na antiguidade, o Natal era comemorado em várias datas diferentes, pois não se sabia com exactidão a data do nascimento de Jesus. Foi somente no século IV que o 25 de Dezembro foi estabelecido como data oficial de comemoração. Na Roma Antiga, o 25 de Dezembro era a data em que os romanos comemoravam o início do Inverno. Portanto, acredita-se que haja uma relação deste facto com a oficialização da comemoração do Natal.
As antigas comemorações de Natal costumavam durar até 12 dias, pois este foi o tempo que levou para os três reis Magos chegarem até a cidade de Belém e entregarem os presentes (ouro, mirra e incenso) ao menino Jesus. Actualmente, comemora-se o Dia de Reis, a 5 de Janeiro, os tais 12 dias depois do 25 de Dezembro.

Em quase todos os países do mundo, as pessoas montam árvores de Natal para decorar casas .
Acredita-se que esta tradição começou em 1530, na Alemanha, com Martinho Lutero.
Certa noite, enquanto caminhava pela floresta, Lutero ficou impressionado com a beleza dos pinheiros cobertos de neve. As estrelas do céu ajudaram a compor a imagem que Lutero reproduziu com galhos de árvore em sua casa. Além das estrelas, algodão e outros enfeites, ele utilizou velas acesas para mostrar aos seus familiares a bela cena que havia presenciado na floresta.


Quanto ao Pai Natal, estudiosos afirmam que a figura do bom velhinho foi inspirada num bispo chamado Nicolau, que nasceu na Turquia em 280 d.C. O bispo, homem de bom coração, costumava ajudar as pessoas pobres, deixando saquinhos com moedas, próximas às chaminés das casas.
Foi transformado em santo (São Nicolau) pela Igreja Católica, após várias pessoas relatarem milagres que lhe eram atribuídos.
A associação da imagem de São Nicolau ao Natal aconteceu na Alemanha e espalhou-se pelo mundo em pouco tempo.
Até o final do século XIX, o Pai Natal era representado com uma roupa de inverno de côr castanha. Porém, em 1881, uma campanha publicitária da Coca-Cola mostrou o bom velhinho com uma roupa, também de inverno, nas cores vermelha e branca (as cores do refrigerante) e com um garro vermelho com pompom branco. A campanha publicitária fez um grande sucesso e a nova imagem do Pai Natal espalhou-se rapidamente pelo mundo.

Ficaram a saber??? Optimo!!!!

Agora já podem contar aos filhos e aos netos.
Ah ! Do Pai Natal não contem já...deixem-nos crescer nessa doce ilusão de que ele existe mesmo.
Quando deixarem de acreditar é porque cresceram....e não há nada melhor do que ser criança!!!!

PARABÉNS A VOCÊ

Em 28 de Dezembro de 2006 iniciei esta fantástica aventura que é a de abrir um blog e mantê-lo activo. Sem me preocupar com as audiências, sem me ralar com estar ou não estar na moda, sem nunca me ter preocupado com ser ou não uma referência na blogosfera, quis que este espaço fosse livre, descomprometido, partilhado com amigos.
Assim continuará. Se houver necessidade premente de mudar de direcção, abre-se outro blog e alinha-se por essa nova direcção.
Recordo o que escrevi há dois anos atrás:

Porquê este nome, "mais, sempre mais..."? Talvez porque considero que, na vida, temos o dever de nos exigir sempre mais do que julgamos poder conseguir. É como se traçasse uma linha de chegada - virtual - mas com a ideia de ir mais além.
É como dizer-se que "o bom é inimigo do óptimo". Então, se há óptimo, porque nos contentarmos simplesmente com o bom?Tá bem, eu sei !!!! A perfeição não está ao alcance de todos os mortais. Mas, será errado tentar encontrá-la? A excelência não será melhor que a vulgaridade?Se não vivermos em permanente insatisfação, simplesmente nos contentarmos com o que realizamos, por mérito próprio ou por ajuda exterior como poderemos evoluir?Há que descartar o "mais ou menos" tão português, trabalhar para o "mais" e negar o "menos".A vida é feita de pequenas construções diárias, como as gotas de areia molhada que vamos deixando cair para fazer castelos na praia.O grande desafio está em não deixar desmoronar o que está feito.

A todos aqueles que passaram por aqui, a todos aqueles que aqui deixaram comentários, a todos os que fizeram o favor de deixar mensagens, os meus mais sinceros agradecimentos. Especialmente à minha "hermanita" argentina, Marita, nesta data, o meu "abrazo con ritmo de tango".

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Natal natal


Se não for um pinheiro, não é árvore de natal...tem de ser pinheiro, nem que venha enroupado em plástico...natal sem árvore não é natal por muito que falte o presépio...a árvore é que é o símbolo do natal...compra-se nas lojas, nas ruas, muito mais facilmente do que o presépio com o menino Jesus mais a mãe Maria e o pai José e os três reis magos e a estrela anunciadora...a árvore é que tem de estar presente no natal dos católicos....de preferência, bem branqueada com aquele spray que emita a neve e enrolada em bolas brilhantes e fios de luzinhas a tremular....
....não é só decorativo o efeito da árvore de natal, é também o centro dos presentes para as crianças... e é vê-las, excitadas, quando lhes é dada a ordem de irem ver "o que o Pai Natal" lhes trouxe....elas, as crianças, estão fartas de saber que não foi Pai Natal nenhum que lhes trouxe as prendas mas fingem que acreditam na história e jogam o jogo...no meu tempo, sem televisão e sem Nintendos, era mais fácil acreditar na história, até porque havia menos "miúdos" com quem trocar impressões sobre o assunto...agora há mais facilidade em esclarecer dúvidas... "olha lá, tu achas mesmo que é o Pai Natal que te dá os presentes de Natal?"..."eu???...interessa-me lá isso....quero é que me dêem o MP4 que pedi"... aceito, contudo, que a figura do Pai Natal ainda sugere algum respeito às crianças especialmente quando as mamãs as obrigam a sentar-se ao colo dele para a foto de recordação...curioso é que Pai Natal e árvore de natal não se encontram, fazendo embora parte da mesma história...nos tempos de hoje, sempre queria ver como faz o Pai Natal para deixar os presentes na chaminé do menino que mora num décimo andar....de um edifício de 20 ... enfim...voltemos à árvore, verdissima, de natal...em país tropical, com mais de 30 graus de temperatura no exterior...até os imbondeiros sofrem, quanto mais um nobre pinheiro nórdico dignamente imitado em versão plástica e desdobrável...
...às vezes, apetece quebrar a tradição ...

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

LLEGA LA NAVIDAD...

...Un saludo afectuoso para todos los del blog.....y recordemos aquello de
BIENAVENTURADOS LOS QUE TRABAJAN POR LA PAZ PORQUE A ELLOS SE LES ENTREGARÁ LA TIERRA-"

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Passo em frente

Seis anos depois do fim da guerra civil, Angola assiste ao nascimento do maior projecto de Comunicação Social jamais levado a cabo neste país. Um semanário, o maior parque gráfico do país e certamente dos maiores de África, uma estação de rádio já "no ar", uma estação de televisão a arrancar ainda este mês. E uma distribuidora. E não pára aqui. A seguir, um jornal diário, um semanário económico, uma revista. É o maior projecto privado de Comunicação Social de Angola.
O semanário foi o primeiro a enfrentar o escrutínio e o aguçado espírito crítico da sociedade angolana. Agora já vai no nº 4, as críticas têm sido muito positivas. É a primeira vez que uma publicação sai para a rua oferecendo uma revista de alta qualidade gráfica. Tudo por 250 Kzs, o equivalente a 2,50 euros.

O ENDEREÇO DE O PAÍS É : www.opais.co.ao

sábado, 22 de novembro de 2008

O Desenrascanso

Desenrascanso é uma arte portuguesa.
Não cabe na cabeça de um alemão, de um finlandês, de um sueco. Desenrascar é o que o português melhor sabe fazer. O exacto contrário de planear, o profundo culto do improviso, o jeito de concertar sem ferramentas, de por coisas a funcionar sem ser engenheiro, o desplante de encontrar formas fáceis de ganhar dinheiro difícil e formas dificeis de ganhar dinheiro fácil. Numa linha ultramoderna de montagem de qualquer coisa, o português, se achar conveniente para se chatear menos, altera o esquema. Para reparar qualquer coisa, o português, primeiro, desenrasca a coisa, só depois lê o manual de instruções ... para dizer que "estes gajos não percebem nada disto".
Não sei se é por isso que os países ricos gostam tanto de ter portugueses a trabalhar lá, mas que eles lhes dão muito jeito, isso dão. Reclamam pouco, contentam-se e até se levantam às duas da manhã para irem por um motor a funcionar. Sem lâmpada para verem nem ferramentas próprias.
Devia haver uma gala anual para os melhores desenrascansos portugueses.

Vejam o que diz a Wikipédia, mas em inglês. Alguém desenrasca aí uma tradução?

From Wikipedia, the free encyclopedia Re.

Desenrascanço
Desenrascanço (impossible translation into English) is a Portuguese word used in certain specific contexts and situations. It is used to express an ability to solve a problem without the adequate tools or proper technique to do so, and by use of sometimes imaginative resourcefulness when facing new situations. Achieved when resulting in a hypothetical good-enough solution. When that good solution escapes us we get a failure. Most Portuguese people strongly believe it to be one of their most valued virtues and a living part of their culture. However, some critics (...) are of the opinion that the concept is related to the discoveries period of the 15th century. But sceptics doubt there is any substantial proof of that relation.In the 16th and 17th centuries it was very common for other exploring nations, such as the Dutch, to bring a Portuguese national along during the voyages, because the Portuguese were allegedly the most skilled and knowledgeable in the proper handling of the occasional emergency aboard the ship when the control of the vessel was given to them (what is known among the Portuguese as 'desenrascanço'). Desenrascanço is in fact the opposite of planning: it's managing that any problem does not get completely out of hand and beyond solution.
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domingo, 16 de novembro de 2008

MAIS OBAMA


A "ILEGITIMIDADE" DA IDENTIDADE NACIONAL

Filomena Embaló*


08.11.2008



A eleição de Barack Obama à magistratura suprema dos Estados Unidos da América constitui um acontecimento sem precedentes na história deste país. O sonho de Martin Luther King começa finalmente a tornar-se realidade: o sonho de negros e brancos estadunidenses viverem harmoniosamente e serem iguais. Barack Obama, filho de um imigrante queniano e de uma norte-americana branca, mestiço ou "bi-racial" como se diz localmente, "afro-americano", "negro", foi escolhido pelos eleitores do seu país para, durante os próximos quatro anos, dirigir os destinos da Nação e representá-la no mundo inteiro. Foi uma vitória pessoal, mas também a de toda a comunidade "afro-americana" que durante mais de dois séculos vem lutando pela igualdade de direitos e contra a discriminação. O continente africano jubilou também com este plebiscito, pois um "filho de África" estará ao leme da primeira potência mundial, glorificando assim o continente e os povos africanos. Com ele espera-se um outro olhar e uma nova sensibilidade da Casa Branca em relação à África. Apesar da sua origem africana, Obama é acima de tudo um cidadão dos Estados Unidos, Foi lá que ele nasceu e viveu. A sua nacionalidade é a norte-americana. A sua cultura é a cultura norte-americana, com a qual se identifica. Ele partilha com todos os estadunidenses os mesmos valores, a mesma identidade nacional, o mesmo "sentir norte-americano", a mesma língua, o mesmo solo, a mesma História e a mesma bandeira. E tudo isso faz dele um cidadão de pleno direito que hoje o elevou à mais alta magistratura da Nação. E, como disse, a África está orgulhosa deste "filho" e muitas foram as individualidades africanas que nas antenas das rádios internacionais disseram que os Estados Unidos mostraram que ainda podem dar lições ao mundo e em particular à "velha" Europa. E eu acrescentaria: e sobretudo à Mãe África, estripada pela violência da intolerância! Pois, pergunto-me, se Obama tivesse nascido num país africano, de mãe originária desse país e de pai imigrante (ou vice-versa), em quantos países ele seria elegível à Presidência da República? A lista não deve ser muito longa... Na Guiné-Bissau, infelizmente, ele não teria esse privilégio, uma vez que o Artigo 63°-2 da Constituição diz serem "elegíveis para o cargo de Presidente da República os cidadãos eleitores guineenses de origem, filhos de pais guineenses de origem, maiores de 35 anos de idade, no pleno gozo dos seus direitos civis e políticos", com a ambiguidade de não se saber o que se entende por "guineense de origem", ou a partir de que geração se é considerado ser "guineense de origem"... O maior paradoxo disto é o facto destes critérios excluírem o próprio Fundador da nacionalidade guineense, Amílcar Cabral. Quantos "obamas "guineenses existem na Guiné-Bissau? Quantos guineenses nascidos de um genitor guineense e de outro estrangeiro que viveram sempre na Guiné-Bissau, sem nunca ter tido outra nacionalidade que não a guineense e sem qualquer contacto com o país de origem do genitor estrangeiro, estão interditados de se candidatarem às eleições presidenciais? Serão eles menos guineenses do que os que têm ambos os pais de "origem guineense"? Não partilham eles com os seus compatriotas os mesmos valores, a mesma identidade nacional, o mesmo "sentir guineense", a mesma língua nacional, o mesmo solo, a mesma História e a mesma bandeira, tal como Obama com os seus compatriotas? Será a identidade nacional guineense uma noção vazia que não dá qualquer legitimidade ao cidadão? Por quê esta discriminação, quando o Artigo 24° da Constituição da República diz que "Todos os cidadãos são iguais perante a lei, gozam dos mesmos direitos e estão sujeitos aos mesmos deveres, sem distinção de raça, sexo, nível social, intelectual ou cultural, crença religiosa ou convicção filosófica"? As disposições do Artigo 36°-2 não serão uma discriminação racial? Não estaremos perante uma contradição entre as disposições destes dois artigos da Lei Fundamental? A Guiné-Bissau, como país colonizado que foi e como terra de acolhimento que tem sido, terá que aprender a assumir a integralidade da sua história, bem como a população que hoje tem, fruto dessa história. Esperamos que a eleição do Presidente Obama, para além de trazer as tão esperadas estabilidade e paz no mundo, constitua, em particular para o continente africano, um exemplo de tolerância, em que cidadãos com as mais diversas origens escolheram um presidente não pela cor da sua pele ou pelas suas origens, mas pelas ideias e valores que defende. E se nós, africanos, também tivéssemos um sonho?... Não é o sonho que comanda a vida? Tudo depende do nosso querer, pois, querendo, we can!


* de raízes caboverdeana e guineense, nasceu em Angola, em 1956

domingo, 9 de novembro de 2008

OBAMA


OBAMA E UM ACTO DE CULTURA UNIVERSAL

Manuel Rui Monteiro

poeta angolano

Eu sempre me confundi na realidade com a utopia. Ou na insatisfação constante como forma quase de fingir felicidade na busca, na procura e imitação de coisas muito simples como o voar dos pássaros, o declinar do sol, o brilho das estrelas e o mistério das conchas que aconteciam com os meus pés à beira mar na areia. Sempre não me conseguindo encontrar com o paraíso do infinitamente bom e infinitamente belo para todos, quase desinfinitando a morte que é o único lugar infinito mas parte da vida, o infinitamente belo que até poderia ser um contraste com o infinitamente bom que sempre para mim ficaram sem ser, iguais à inexistência ou à infelicidade de não procurar mais nada, muito antes da nostalgia ou depois da saudade da morte.
Afinal viver é também não imaginar aquilo que pode acontecer enquanto estamos vivos. Só que eu nunca pensei que em vida, para além de tanta coisa que estava, ainda que muito longe, mas no horizonte por detrás da noite e da nuvem, pudesse ainda ter vivido sonhos, porque a minha geração viveu sonhos depois de os ter sonhado no passa-palavra de muitos silêncios. E também viveu a morte de muita alegria triste.
Mas agora era demais. Numa data e hora em que um grande amigo meu fazia anos. Quatro de Novembro. Eu a telefonar-lhe e ele quase ou mesmo esquecido do seu aniversário por causa de OBAMA.
Era algo que nos tocava e falámos ao telefone. Porque era uma coisa que estava impensada no nosso tempo. A utopia tinha ultrapassado a nossa imaginação. Já não era tanto uma eleição ou uma vitória. Fazia semanas que vivíamos a novidade. Principalmente porque OBAMA falara mais ou menos que se mudarmos a sala podemos mudar a casa; e se mudarmos a casa podemos mudar a rua; e se mudarmos a rua podemos mudar a cidade; e se mudarmos a cidade podemos mudar o estado; e se mudarmos o estado podemos mudar o País; e se mudarmos o País podemos mudar o mundo. OBAMA, em gesto de sagrado, no discurso de Filadélfia, tirou o pé do tiro do reverendo Jeremiah Wright. Embora o reverendo tivesse razão mas era uma razão da memória e da injustiça. Uma razão sobre os que haviam sido negados como pessoas, deixando suor e sangue nas plantações de tabaco e açúcar. Uma razão que podia ser entendida como rancor.
Nesse discurso, OBAMA trouxe uma utopia ligando a jovem Ashley e um mais velho que estava ali por Ashley estar.
No dia e hora em que escrevo este texto ainda não sei se OBAMA ganhou. Mas não é tanto por isso que estou a escrever. É mais por causa do outro que nunca percebeu que eu existo e ele só pode ser também se deixar de estar assim para podermos ser todos.
OBAMA tem um significado do maior acto de cultura universal do início deste século. No século passado, quem tinha televisão ficou uma noite inteira à espera que um homem pisasse a lua.
Neste princípio de século, OBAMA conseguiu criar uma energia, um astral de muitas mãos inteiras pelo pensamento de pessoas de todas as partes do mundo, numa corrente parecida com uma constelação de paz sem fronteiras. E Isso é um acto de cultura que vai ficar.
Não importa que este Messias traga milagres. Importa é o milagre cultural de pôr uma boa parte do mundo inteiro a olhar para ele como um salvador e perder uma noite só a olhar para um televisor como se OBAMA fosse uma madrugada.
No século passado, foram à lua. Agora OBAMA parece que desceu da lua e chegou à terra.
No século passado foi Mandela.
Mas antes de Mandela, o reverendo Luter King já tinha orado que tinha um sonho. O reverendo foi assassinado por causa do sonho.
Mandela tornou realidade um bocado do sonho do reverendo. Por cima de tanta memória que sobrou para os blues.
OBAMA acrescenta mais um bocado de realidade ao sonho do reverendo.
Como Agostinho Neto deixou escrito:
E DO DRAMA INTENSO

DUMA VIDA IMENSA E ÚTIL

RESULTOU CERTEZA
AS MINHAS MÃOS COLOCARAM PEDRAS

NOS ALICERCES DO MUNDO

MEREÇO O MEU PEDAÇO DE PÃO.
manuel rui
foto:Wikipédia


quarta-feira, 5 de novembro de 2008

AHORA,PREGUNTO A...

.... los portugueses que leen este blog.¿Es verdad, que desde 1992 funciona en Lisboa la fundación "Alergia al Trabajo"?.
Si así fuese...me parece óptimo!!!.
Marita faini Adonnino-Argentina

Curiosos datos rescatados

DE SUEGROS Y YERNOS

"Según cuenta la historia,un tal Paul Laforgue desarrolló un documento que circuló durante el siglo XIX donde reivindicaba al ocio como una sana forma de vida. La cosa es que este señor no era ni más ni menos que el yerno de Karl Marx. O sea que mientras uno analizaba concienzudamente la relación entre el Capital y el Trabajo, el otro se convertía en el abanderado del ocio, a través de su trabajo denominado "El derecho a la pereza". Material que presentó ante el Parlamento francés para que se instituyera al 2 de mayo como "Día Internacional del Ocio", en honor a los 67 mineros de Dantzing (Polonia) asesinados durante una huelga a favor de una reducción de su jornada de trabajo.
La petición no prosperó y al hijo político del padre del Marxismo lo madaron a....trabajar.Sin embargo, la propuesta fue rescatada del olvido en 1989 cuando en Bordeaux (Francia), durante el intento de formación de la Internacional Ociosa, se elaboró un documento titulado "Prolegómenos para una sociedad del ocio". "

(Extraído de la Revista CH de Cable Hogar, número 110 de mayo 2007-Rosario-Argentina.

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