domingo, 9 de novembro de 2008

OBAMA


OBAMA E UM ACTO DE CULTURA UNIVERSAL

Manuel Rui Monteiro

poeta angolano

Eu sempre me confundi na realidade com a utopia. Ou na insatisfação constante como forma quase de fingir felicidade na busca, na procura e imitação de coisas muito simples como o voar dos pássaros, o declinar do sol, o brilho das estrelas e o mistério das conchas que aconteciam com os meus pés à beira mar na areia. Sempre não me conseguindo encontrar com o paraíso do infinitamente bom e infinitamente belo para todos, quase desinfinitando a morte que é o único lugar infinito mas parte da vida, o infinitamente belo que até poderia ser um contraste com o infinitamente bom que sempre para mim ficaram sem ser, iguais à inexistência ou à infelicidade de não procurar mais nada, muito antes da nostalgia ou depois da saudade da morte.
Afinal viver é também não imaginar aquilo que pode acontecer enquanto estamos vivos. Só que eu nunca pensei que em vida, para além de tanta coisa que estava, ainda que muito longe, mas no horizonte por detrás da noite e da nuvem, pudesse ainda ter vivido sonhos, porque a minha geração viveu sonhos depois de os ter sonhado no passa-palavra de muitos silêncios. E também viveu a morte de muita alegria triste.
Mas agora era demais. Numa data e hora em que um grande amigo meu fazia anos. Quatro de Novembro. Eu a telefonar-lhe e ele quase ou mesmo esquecido do seu aniversário por causa de OBAMA.
Era algo que nos tocava e falámos ao telefone. Porque era uma coisa que estava impensada no nosso tempo. A utopia tinha ultrapassado a nossa imaginação. Já não era tanto uma eleição ou uma vitória. Fazia semanas que vivíamos a novidade. Principalmente porque OBAMA falara mais ou menos que se mudarmos a sala podemos mudar a casa; e se mudarmos a casa podemos mudar a rua; e se mudarmos a rua podemos mudar a cidade; e se mudarmos a cidade podemos mudar o estado; e se mudarmos o estado podemos mudar o País; e se mudarmos o País podemos mudar o mundo. OBAMA, em gesto de sagrado, no discurso de Filadélfia, tirou o pé do tiro do reverendo Jeremiah Wright. Embora o reverendo tivesse razão mas era uma razão da memória e da injustiça. Uma razão sobre os que haviam sido negados como pessoas, deixando suor e sangue nas plantações de tabaco e açúcar. Uma razão que podia ser entendida como rancor.
Nesse discurso, OBAMA trouxe uma utopia ligando a jovem Ashley e um mais velho que estava ali por Ashley estar.
No dia e hora em que escrevo este texto ainda não sei se OBAMA ganhou. Mas não é tanto por isso que estou a escrever. É mais por causa do outro que nunca percebeu que eu existo e ele só pode ser também se deixar de estar assim para podermos ser todos.
OBAMA tem um significado do maior acto de cultura universal do início deste século. No século passado, quem tinha televisão ficou uma noite inteira à espera que um homem pisasse a lua.
Neste princípio de século, OBAMA conseguiu criar uma energia, um astral de muitas mãos inteiras pelo pensamento de pessoas de todas as partes do mundo, numa corrente parecida com uma constelação de paz sem fronteiras. E Isso é um acto de cultura que vai ficar.
Não importa que este Messias traga milagres. Importa é o milagre cultural de pôr uma boa parte do mundo inteiro a olhar para ele como um salvador e perder uma noite só a olhar para um televisor como se OBAMA fosse uma madrugada.
No século passado, foram à lua. Agora OBAMA parece que desceu da lua e chegou à terra.
No século passado foi Mandela.
Mas antes de Mandela, o reverendo Luter King já tinha orado que tinha um sonho. O reverendo foi assassinado por causa do sonho.
Mandela tornou realidade um bocado do sonho do reverendo. Por cima de tanta memória que sobrou para os blues.
OBAMA acrescenta mais um bocado de realidade ao sonho do reverendo.
Como Agostinho Neto deixou escrito:
E DO DRAMA INTENSO

DUMA VIDA IMENSA E ÚTIL

RESULTOU CERTEZA
AS MINHAS MÃOS COLOCARAM PEDRAS

NOS ALICERCES DO MUNDO

MEREÇO O MEU PEDAÇO DE PÃO.
manuel rui
foto:Wikipédia


quarta-feira, 5 de novembro de 2008

AHORA,PREGUNTO A...

.... los portugueses que leen este blog.¿Es verdad, que desde 1992 funciona en Lisboa la fundación "Alergia al Trabajo"?.
Si así fuese...me parece óptimo!!!.
Marita faini Adonnino-Argentina

Curiosos datos rescatados

DE SUEGROS Y YERNOS

"Según cuenta la historia,un tal Paul Laforgue desarrolló un documento que circuló durante el siglo XIX donde reivindicaba al ocio como una sana forma de vida. La cosa es que este señor no era ni más ni menos que el yerno de Karl Marx. O sea que mientras uno analizaba concienzudamente la relación entre el Capital y el Trabajo, el otro se convertía en el abanderado del ocio, a través de su trabajo denominado "El derecho a la pereza". Material que presentó ante el Parlamento francés para que se instituyera al 2 de mayo como "Día Internacional del Ocio", en honor a los 67 mineros de Dantzing (Polonia) asesinados durante una huelga a favor de una reducción de su jornada de trabajo.
La petición no prosperó y al hijo político del padre del Marxismo lo madaron a....trabajar.Sin embargo, la propuesta fue rescatada del olvido en 1989 cuando en Bordeaux (Francia), durante el intento de formación de la Internacional Ociosa, se elaboró un documento titulado "Prolegómenos para una sociedad del ocio". "

(Extraído de la Revista CH de Cable Hogar, número 110 de mayo 2007-Rosario-Argentina.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

el Oscar que no fue dado

Te vamos a extrañar,Paul. Sí, te extrañaremos, pero no por la luminosidad de tus ojos tan celestes, ni por tu talento, ni por tu postura de galán tan admirado, que conservaste hasta el final de tu tiempo en la tierra.
Con tu muerte ,el mundo conoció mucho más de tu vida. Tu humildad y sencillez, a pesar de tus glorias, tu gran corazón.
Cincuenta años al lado de tu esposa, el amor por tu familia y tu gran pasión, las carreras de fórmula, la ayuda a los necesitados.
Eras Bueno. ¡qué galardón!!!!
la vida te debe un Oscar.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

EL BESO Y EL ABRAZO

Puede un beso herirme entra las violetas ( a la manera de Góngora "entre las violetas fui herido" ), lo que no me puede herir, es el abrazo.
Hoy es el día de los enamorados , aquí en mi país. ¿Será que muere el invierno? -¿será que ya está la primavera ?...Será...? Pero el aire está cargado de aromas confusos entre energizantes y somnolientos ...jazmines...violetas...narcisos y rosales. Será...tal vez...
y leo esto ,que escribieron en el blog , de los besitos que abundan y se regalan y se dan a brazadas ,sin conciencia, como un leiv-motiv para dar por finalizado un saludo oral,escrito o lo que sea.
A pesar de que el beso fue cantado por excelsos poetas, soñado por enamorados, causa de desmayos a jovencitas de otros siglos, despertado de un sueño de cien años o vuelto a la vida a princesas encantadas, no soy fans del beso.
El beso es peligroso va desde la indiferencia a la traición.Ese beso en el aire de dos que se encuentran. El Amor fue entregado con un beso y la maffia te condena con él.
Sé que hay besos que tienen el poder de trasladarte a otra dimensión, de dejarte a las orillas del espacio, de avivarte una hoguera en las venas y de santificarte. Pero el beso, como Jano, posee varias caras. Por eso soy fans del abrazo. No abrazo a quien no quiero hacerlo, pero me veo obligada a besar a quienes me saludan con ese ritual de moda.
¡Cuánto dice un abrazo!!!.Te acoge, te protege, te confunde con el otro, no se necesitan palabras.
Te abrazo. Aquí estoyAquí estamos hermano,amigo,hijo,tú.Aquí estoy. Aquí estás.
El domingo es primavera. También es el día del estudiante. Habrá besos y abrazos.
Yo? Yo, les dejo mi abrazo.
marita faini adonnino-Argentina

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

O beijinho

Não sei exactamente quando começou a moda do beijinho em Portugal.
Bem, o beijinho acho que sempre existiu, naquela versão soft e minimalista do beijo e do beijão. Mas eu refiro-me ao beijinho como cumprimento, como saudação de encerramento de conversa telefónica, ou como forma de cumprimentos: beijinhos lá em casa !!!! E a casa a encher-se de beijinhos indiscriminados, sem destinatário nomeado, assim como quando a gente não se lembra do nome da esposo - ou do esposo - e se generaliza a saudação, beijinhos lá em casa. Fica bem e não magoa ninguém.
O que me confunde um bocado é quando os portugueses dão - ou mandam - "beijinhos grandes". Mas qual é a dimensão de um beijinho e, por arrastamento, qual a do beijinho grande. Acredito que quando alguém deixa, ou manda "beijinhos grandes" a alguém, está a dimensionar o apreço do destinatário. Não se mandam "beijinhos grandes " para a sogra. Quando muito - e é preciso que tudo esteja a correr bem entre todos - mandam-se beijinhos. Ponto. Grandes, só mesmo como expressão de um interesse escondido. Ou para engraxar alguém ou para engatar alguém.
Engraxar o chefe, mandando beijinhos grandes para a esposa é uma boa forma de engrandecer os beijinhos. Talvez daí venha uma promoção, sabe-se lá !!!???. Para engatar é capaz de ser um tanto arriscado usar os "beijinhos grandes". Olha, manda "beijinhos grandes" àquela tua amiga de ontem. O risco não estará propriamente no tamanho dos beijinhos, reside mais é no cumprimento ou não do amigo em "passar" os tais beijinhos de encomenda. Nem sempre (ou quase nunca) a carta chega a Garcia e...lá se vai o engate.
Me parece - corrijam-me se estiver errado - que o beijinho surge nos hábitos dos portugueses como forma de amenizar a força do beijo. Beijo é mais íntimo, ou mais familiar de nível UM. Ninguém se arrisca a dizer ao colega "manda um beijo à tua mulher". Que é lá isso????!!!! Beijo ?????Este gajo manda beijo à minha mulher ????? Vou ter de começar a tomar conta deles, ai vou, vou. Portanto, regra das regras, não se deve mandar beijo à mulher do próximo. Beijinho, beijinho é que se manda. É mais maneirinho e não tem conotação perigosa. O beijo pode ser mandado por SMS, fica lá entre eles os dois e o marido não precisa de ficar com a pulga atrás da orelha.
O beijão é outra coisa totalmente diferente. Tão diferente que poucos sabem o que quer dizer. Não admira. Os brasileiros é que criaram o beijão, não fomos nós. Eles lá sabem o que fazer com tamanho beijo. Vejam bem : bei jão. Não soa a exagero ? Eu acho, mas também devo dizer que venho do tempo do "beijo repenicado". Alguns de vós lembram-se. Aquele beijo sonoro, inocente, que se dava aos filhos para os chatear, que se dava entre pessoas da mesma família, em sinal de familiaridade. Beijo sem compromisso, amistoso, com visualização sonora.
O beijinho preocupa-me. De tanto se ter vulgarizado - muito por conta de um sentido de autodefesa, já aqui raspámos por esse assunto - o beijinho caíu na vulgaridade e perdeu sentido. É beijinho para tudo, para despedida, para agradecimento, para parte de cartão de visita. É a plebe dos beijos. Daí eu pensar que o "beijinho grande" veio para dar alguma dignidade ao simples beijinho. Sempre recebe um certo volume, uma certa forma de dimensão - é grande, não é pequeno.
A contradição, no entanto, mantém-se. Usamos o "inho" como maneira de diminuir, como forma de mostrar carinho, como símbolo da nossa pequenez. É "inho" para tudo. Adoro, por exemplo, quando pedimos a conta no restaurante e o empregado vem solícito, reconfirmar: "é a continha"???? Continha soa a pequenino, devia ser mais pequena do que a conta, mesmo que não seja. E sabe-se que não é nunca. Mas amolece as tentações reivindicativas.
Uma forma de manter alguma dignidade aos beijinhos é acrescentar-lhe "muitos". Muitos beijinhooooos.... Não se levanta aquele problema da contradição dos "beijinhos grandes" - se são inhos não podem ser grandes, se são grandes não podem ser inhos - e sempre ajuda a mostrar alguma consideração pelo destinatário - beijiiinhooooossss, assim prolongando as vogais, dá-se corpo ao beijo e não nos comprometemos demasiado. Só damos ou mandamos beeiiijiiinhoooosss, em despedidas à distância, seja pelo telemóvel seja de um passeio para o outro. E a ética fica defendida.
Os "beijinhos grandes" é que, na minha humilde opinião, estão a precisar de uma revisão do acordo ortográfico. A menos que os brasileiros tenham a soberana vontade de lhe dar identidade e passarem a usar nas telenovelas "bêjinios grandisss". Aí teremos que rever não só o acordo mas também os nossos hábitos aliás, abalados com o"colocar" no lugar de "pôr". Certamente já repararam, os portugueses deixaram de pôr e passaram a colocar. Grave será se, num arranque de personalidade começamos a colocar beijinhos...grandes.
É caso para nos preocuparmos.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Angola escolheu a Paz

As recentes eleições angolanas levantaram, muito antes de se realizarem, imensos comentários e muita intriga política, não sei se da chamada oposição - de que alguns elementos preponderantes incitaram ao voto no MPLA - ou se de forças mais ou menos ligadas aos grandes interesses económico-financeiros capazes de fazer ferver nervosos miudinhos em pouca água. O mote foi o mais básico: que as eleições podiam ser agitadas, que os diplomatas tinham que informar as autoridades sobre as suas deslocações com prazos anormalmente dilatados, que poderia haver perturbação urbana, enfim, que se iria viver um clima de terror e de insegurança total. Em complemento, houve gente a correr aos mercados para açambarcarem tudo o que havia de comer para um mínimo de duas semanas. O governo e o partido que o suporta, sabiamente do alto dos seus 33 anos de experiência de poder e de controlo de intrigas palacianas, geriu com bastante eficácia a torrente de "bocas" desestabilizadoras e assegurou um clima de segurança para os dias eleitorais.

Estou em crer que a forma como decorreu o acto eleitoral em Angola, mais do que um sinal de maturidade política, constituiu um aviso sério à chamada comunidade internacional, que tem a mania de mandar em tudo: façam o favor de não se meterem connosco, sabemos fazer o que tem de ser feito, estamos em nossa casa e em nossa que manda somos nós, venha daí o grupo de excursionistas internacionais travestidos de observadores, tipo fiscais de actos eleitorais.


Num país pobrezinho, sem meios nem recursos naturais, os tais observadores poderiam ter um papel de protagonistas e obrigarem o pobrezinho a novo acto eleitoral, caso detectassem qualquer anomalia por mais pequena que fosse. No caso de Angola, acabada de ser considerada o maior produtor africano de petróleo, qualquer "boca" que fosse dos observadores entraria a 100 e sairia a 200 dos ouvidos angolanos. Para as autoridades angolanas, é para o lado que dormem melhor. A comunidade dita internacional - ou parte dela - tem de perceber que Angola e seus governantes, por muito que sejam merecedores de críticas só faz o que entende que lhe dá proveito e não faz concessões.


A chefa italiana do grupo de observadores mandou umas bocas críticas, a observadora portuguesa Ana Gomes mandou outras para, poucas horas depois, virem a público desdizerem-se. Não perceberam aquelas alminhas que Luanda não é propriamente a sede da União Europeia e que os angolanos não são, nem serão nunca europeus, nem mesmo em termos de democracia dita ocidental.


Bastante antes do período eleitoral eu tinha percebido a inclinação do voto dos angolanos - o que eles queriam era que a guerra não voltasse mais - ainda que as discrepâncias sociais estejam demasiado acentuadas. Ao darem uma tão expressiva vitória ao partido no poder, os angolanos quiseram dizer que mais vale viver na estabilidade, ainda que socialmente desamparados, do que apostarem numa mudança e arriscarem-se a repetir dias amargos. Para lá disso, nenhum dos partidos da Oposição soube cativar o eleitorado com um programa realmente interessante. Em contrapartida, o MPLA, do cimo do seu poder imenso, mostrou serviço anunciando programas e desenvolvimento, de alojamento, de recuperação de terras, de melhoria das condições básicas de vida. Seria utópico esperar que, seis breves anos após a paz, tudo estivesse já feito e regularizado e as pessoas se sentissem plenamente realizadas na sua independência. Em eleições consideradas transparentes e correctas, os angolanos escolheram a paz, ainda que a cruzinha devesse ir para outro quadradinho que não o 12º da lista.


O problema da falta de cadernos eleitorais ou de centros de voto por montar é bem pouco merecedor de crítica, num país enorme como Angola, em fase de construção da sua identidade política.


Ninguém quis recuar a 1992. Ainda bem. Agora, Angola vai poder respirar e, nas calmas, à boa maneira africana, organizar a sua vida como muito bem entender.


A comunidade dita internacional que faça os seus trabalhos de casa para as próximas eleições.


terça-feira, 9 de setembro de 2008

A los que cumplen años hoy, nueve de setiembre, entre ellos, Helder, que suenen las campanas a gloria de todos los campanarios.
Marita

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Vida e Morte


a morte é algo importante mas não tanto como a vida....
A vida é que é importante....
...a morte só o é porque termina com a vida. É mais forte, mas também é mais curta....vive-se mais (em tempo) do que se morre, isto é,
não dá para gozar, para aproveitar....a vida aproveita-se, goza-se....CARPE DIEM não é?
A morte é final, definitiva, sem apelo...morre-se e, pronto...acabou....quem fica é que fica a sofrer...quem morreu já não se importa com nada...."et pour cause" !!!!!
A vida é coisa bem mais complicada, porque está na consciência....não se coloca aqui a questão dos em estado de coma ou dos doentes incapazes de usarem o cérebro.....vive-se porque é para isso que se nasceu, há um prazo de validade, morre-se quando se esgota o prazo...
Nunca se sabe quando se vai nascer e nunca se sabe quando se vai morrer, mas, a morte, pode ser programada - amanhã, às 20.30, vou morrer....e amanhã a essa hora, faço qualquer coisa que me acabe coma vida, sei lá, um tiro, um veneno, uma punhalada, um afogamento com uma enorme pedra atada às pernas, um mergulho para debaixo de um comboio, um assalto a um banco à espera de um "sniper" misericordioso...pode-se morrer por marcação,. ..mas não se escolhe nascer ....
o chato mesmo é nascer-se com dor e morrer-se com dor...não tem piada nenhuma...
O nascer não depende do nosso controlo, é assim e pronto, sai-se daquele ninho quente para se entrar num ambiente verde ou azul, conforme o hospital, às vezes com um monte de tubos ligados ..
Mas, morrer, devia ser por escolha própria....excepto aquela morte estúpida do acidente de viação, ou da doença terminal...
Muitos costumam escrever nos seus diários que gostariam de morrer ... "de morte natural". Mas isso não é uma redundância? A morte é a coisa mais natural que temos na vida,.,.. ou não será?
Pesando bem os prós e os contras de viver e morrer, ...
sou levado a crer que a Morte ganha à Vida ...
Não lhes parece? Quem acaba com quê?...
É a vida que acaba com a Morte? Não, quando muito, acaba NA Morte.
Mas é a Morte que acaba com a Vida.
Um a zero para a Morte.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Regresso à mediocridade




Antes de os Jogos Olímpicos 2008 , na fase preparatória, os portugueses foram convencidos pelas mais diversas formas de propaganda de que iriam viver muitos e felizes momentos de atletas lusos subirem ao pódio.


Com o passar dos dias, perante resultados que não correspondiam às expectativas geradas pelo orçamento de 15 milhões de euros (que só foi divulgado quando as interrogações começaram a surgir), começou a fixar-se sobre o tecto nacional uma pesada sombra de descontentamento, agravada por aquela outra, bem mais preocupante derivada do pesado endividamento das famílias portuguesas.


Se o futebol já não mitiga as ansiedades lusas viram-se então os holofotes para os feitos pessoais dos nossos atletas olímpicos na esperança de uma breve recuperação da auto-estima nacional.


Vanessa Fernandes, aquela menina de aspecto frágil e aparelho de correcção dos dentes, deu mais uma vez o seu contributo com o segundo lugar no triatlo feminino. Ao carregar sobre os ombros o peso dos numerosos títulos ganhos nos grandes encontros mundiais, Vanessa era favorita. Mas não aguentou a passada daquela australiana vencedora. Paciência, ficou-lhe a prata de honra e deu-nos uma grande alegria.


Rapidamente nos virámos, uma nação inteira, implorando em silêncio um milagre, para o nosso Nelson Évora do triplo salto. Que engraçada esta coincidência dos tris medalhados, tri-atlo, triplo-salto.


Com uma de prata e outra de ouro, suspeito que já não haverá ninguém com vontade de questionar os 15 milhões de euros que pagámos para a nossa representação olímpica.
E vamos ter assunto de conversa por um bom espaço de tempo. E o Governo agradece o bónus dado por estes atletas por poder usufruir de mais uns tempos de desvio colectivo dos reais problemas do país. Os 15 milhões acabam por representar um bom negócio.
Somos bons corações, perdoamos depressa, retratamo-nos nos feitos isolados de alguns seres excepcionais e regressamos à nossa mediocridade passada a euforia.


(fotos Wikipedia)

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

O BANCO



Mais triste que uma praia sem sol, uma criança sem sorriso, só mesmo um banco sem ninguém.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Muxima, coração







Em Muxima respira-se paz, tranquilidade, sublimação. A capela do século 17, a santa Nossa Senhora da Muxima, o rio Kwanza ali tão sereno, tão potente.
Não há turistas japoneses de máquina fotográfica agarrada às mãos, não há vendedores de souvenirs, não há velas à venda para queimar, não há crentes a andar de joelhos (até porque não há joelhódromo), não há bancas de venda de cruzes, nem de imagens religiosas em plástico. Também não tem câmaras de televisão nem directos. E ninguém anda a pedir contribuição financeira para fazer obras na ermida.
No entanto...no entanto, a ermida está tão nova como há séculos. É o mais carismático centro de catolicismo de África. Os crentes devotam sua fé na Senhora da Muxima, a senhora do coração dos angolanos católicos.
Diz a lenda que a santa apareceu ali sem niguém a ter colocado lá. Há dúvidas sobre se foram os holandeses ocupadores de Angola por cinco anos, ou se foram os portugueses colonos residentes que fizeram tanto a igreja como o forte, hoje catalogados como património mundial pela UNESCO. Mas, se os holandeses nunca foram católicos, como é que iam construir uma igreja católica ali, a uns 180 km de Luanda? O forte, ainda vá lá que não vá mas, a igreja ...
O que interessa é saber que um dia alguém decidiu mudar a santa de lugar e que, sem intervenção humana, ela voltou ao seu pedestal original.
E que Carlos Aniceto Vieira Dias escreveu uma das mais universais melodias de todos os tempos, cantada pelo duo Ouro Negro, cantada pelos angolanos na diáspora, cantada quando dói o coração. "Muximaaaauê". "Kuato dilagi mugibê" é o refrão. Não sei o que significa, alguém pode me ajudar?
Muxima tem o dom de impressionar pela quietude e, a senhora da Muxima, deposta ali por Nossa Senhora (segundo a conveniente lenda), transporta os crentes e os não crentes ao estado ideal de equilibrio com o universo...é a paz que ali se respira, a simplicidade de tudo, a doçura das mulheres seguidoras do culto a cuidarem da igreja como mãe que cuida do filho, que nos transportam a um patamar da existência, desconhecida para a maioria dos crentes e, sobretudo, para os descrentes.






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