segunda-feira, 15 de setembro de 2008

O beijinho

Não sei exactamente quando começou a moda do beijinho em Portugal.
Bem, o beijinho acho que sempre existiu, naquela versão soft e minimalista do beijo e do beijão. Mas eu refiro-me ao beijinho como cumprimento, como saudação de encerramento de conversa telefónica, ou como forma de cumprimentos: beijinhos lá em casa !!!! E a casa a encher-se de beijinhos indiscriminados, sem destinatário nomeado, assim como quando a gente não se lembra do nome da esposo - ou do esposo - e se generaliza a saudação, beijinhos lá em casa. Fica bem e não magoa ninguém.
O que me confunde um bocado é quando os portugueses dão - ou mandam - "beijinhos grandes". Mas qual é a dimensão de um beijinho e, por arrastamento, qual a do beijinho grande. Acredito que quando alguém deixa, ou manda "beijinhos grandes" a alguém, está a dimensionar o apreço do destinatário. Não se mandam "beijinhos grandes " para a sogra. Quando muito - e é preciso que tudo esteja a correr bem entre todos - mandam-se beijinhos. Ponto. Grandes, só mesmo como expressão de um interesse escondido. Ou para engraxar alguém ou para engatar alguém.
Engraxar o chefe, mandando beijinhos grandes para a esposa é uma boa forma de engrandecer os beijinhos. Talvez daí venha uma promoção, sabe-se lá !!!???. Para engatar é capaz de ser um tanto arriscado usar os "beijinhos grandes". Olha, manda "beijinhos grandes" àquela tua amiga de ontem. O risco não estará propriamente no tamanho dos beijinhos, reside mais é no cumprimento ou não do amigo em "passar" os tais beijinhos de encomenda. Nem sempre (ou quase nunca) a carta chega a Garcia e...lá se vai o engate.
Me parece - corrijam-me se estiver errado - que o beijinho surge nos hábitos dos portugueses como forma de amenizar a força do beijo. Beijo é mais íntimo, ou mais familiar de nível UM. Ninguém se arrisca a dizer ao colega "manda um beijo à tua mulher". Que é lá isso????!!!! Beijo ?????Este gajo manda beijo à minha mulher ????? Vou ter de começar a tomar conta deles, ai vou, vou. Portanto, regra das regras, não se deve mandar beijo à mulher do próximo. Beijinho, beijinho é que se manda. É mais maneirinho e não tem conotação perigosa. O beijo pode ser mandado por SMS, fica lá entre eles os dois e o marido não precisa de ficar com a pulga atrás da orelha.
O beijão é outra coisa totalmente diferente. Tão diferente que poucos sabem o que quer dizer. Não admira. Os brasileiros é que criaram o beijão, não fomos nós. Eles lá sabem o que fazer com tamanho beijo. Vejam bem : bei jão. Não soa a exagero ? Eu acho, mas também devo dizer que venho do tempo do "beijo repenicado". Alguns de vós lembram-se. Aquele beijo sonoro, inocente, que se dava aos filhos para os chatear, que se dava entre pessoas da mesma família, em sinal de familiaridade. Beijo sem compromisso, amistoso, com visualização sonora.
O beijinho preocupa-me. De tanto se ter vulgarizado - muito por conta de um sentido de autodefesa, já aqui raspámos por esse assunto - o beijinho caíu na vulgaridade e perdeu sentido. É beijinho para tudo, para despedida, para agradecimento, para parte de cartão de visita. É a plebe dos beijos. Daí eu pensar que o "beijinho grande" veio para dar alguma dignidade ao simples beijinho. Sempre recebe um certo volume, uma certa forma de dimensão - é grande, não é pequeno.
A contradição, no entanto, mantém-se. Usamos o "inho" como maneira de diminuir, como forma de mostrar carinho, como símbolo da nossa pequenez. É "inho" para tudo. Adoro, por exemplo, quando pedimos a conta no restaurante e o empregado vem solícito, reconfirmar: "é a continha"???? Continha soa a pequenino, devia ser mais pequena do que a conta, mesmo que não seja. E sabe-se que não é nunca. Mas amolece as tentações reivindicativas.
Uma forma de manter alguma dignidade aos beijinhos é acrescentar-lhe "muitos". Muitos beijinhooooos.... Não se levanta aquele problema da contradição dos "beijinhos grandes" - se são inhos não podem ser grandes, se são grandes não podem ser inhos - e sempre ajuda a mostrar alguma consideração pelo destinatário - beijiiinhooooossss, assim prolongando as vogais, dá-se corpo ao beijo e não nos comprometemos demasiado. Só damos ou mandamos beeiiijiiinhoooosss, em despedidas à distância, seja pelo telemóvel seja de um passeio para o outro. E a ética fica defendida.
Os "beijinhos grandes" é que, na minha humilde opinião, estão a precisar de uma revisão do acordo ortográfico. A menos que os brasileiros tenham a soberana vontade de lhe dar identidade e passarem a usar nas telenovelas "bêjinios grandisss". Aí teremos que rever não só o acordo mas também os nossos hábitos aliás, abalados com o"colocar" no lugar de "pôr". Certamente já repararam, os portugueses deixaram de pôr e passaram a colocar. Grave será se, num arranque de personalidade começamos a colocar beijinhos...grandes.
É caso para nos preocuparmos.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Angola escolheu a Paz

As recentes eleições angolanas levantaram, muito antes de se realizarem, imensos comentários e muita intriga política, não sei se da chamada oposição - de que alguns elementos preponderantes incitaram ao voto no MPLA - ou se de forças mais ou menos ligadas aos grandes interesses económico-financeiros capazes de fazer ferver nervosos miudinhos em pouca água. O mote foi o mais básico: que as eleições podiam ser agitadas, que os diplomatas tinham que informar as autoridades sobre as suas deslocações com prazos anormalmente dilatados, que poderia haver perturbação urbana, enfim, que se iria viver um clima de terror e de insegurança total. Em complemento, houve gente a correr aos mercados para açambarcarem tudo o que havia de comer para um mínimo de duas semanas. O governo e o partido que o suporta, sabiamente do alto dos seus 33 anos de experiência de poder e de controlo de intrigas palacianas, geriu com bastante eficácia a torrente de "bocas" desestabilizadoras e assegurou um clima de segurança para os dias eleitorais.

Estou em crer que a forma como decorreu o acto eleitoral em Angola, mais do que um sinal de maturidade política, constituiu um aviso sério à chamada comunidade internacional, que tem a mania de mandar em tudo: façam o favor de não se meterem connosco, sabemos fazer o que tem de ser feito, estamos em nossa casa e em nossa que manda somos nós, venha daí o grupo de excursionistas internacionais travestidos de observadores, tipo fiscais de actos eleitorais.


Num país pobrezinho, sem meios nem recursos naturais, os tais observadores poderiam ter um papel de protagonistas e obrigarem o pobrezinho a novo acto eleitoral, caso detectassem qualquer anomalia por mais pequena que fosse. No caso de Angola, acabada de ser considerada o maior produtor africano de petróleo, qualquer "boca" que fosse dos observadores entraria a 100 e sairia a 200 dos ouvidos angolanos. Para as autoridades angolanas, é para o lado que dormem melhor. A comunidade dita internacional - ou parte dela - tem de perceber que Angola e seus governantes, por muito que sejam merecedores de críticas só faz o que entende que lhe dá proveito e não faz concessões.


A chefa italiana do grupo de observadores mandou umas bocas críticas, a observadora portuguesa Ana Gomes mandou outras para, poucas horas depois, virem a público desdizerem-se. Não perceberam aquelas alminhas que Luanda não é propriamente a sede da União Europeia e que os angolanos não são, nem serão nunca europeus, nem mesmo em termos de democracia dita ocidental.


Bastante antes do período eleitoral eu tinha percebido a inclinação do voto dos angolanos - o que eles queriam era que a guerra não voltasse mais - ainda que as discrepâncias sociais estejam demasiado acentuadas. Ao darem uma tão expressiva vitória ao partido no poder, os angolanos quiseram dizer que mais vale viver na estabilidade, ainda que socialmente desamparados, do que apostarem numa mudança e arriscarem-se a repetir dias amargos. Para lá disso, nenhum dos partidos da Oposição soube cativar o eleitorado com um programa realmente interessante. Em contrapartida, o MPLA, do cimo do seu poder imenso, mostrou serviço anunciando programas e desenvolvimento, de alojamento, de recuperação de terras, de melhoria das condições básicas de vida. Seria utópico esperar que, seis breves anos após a paz, tudo estivesse já feito e regularizado e as pessoas se sentissem plenamente realizadas na sua independência. Em eleições consideradas transparentes e correctas, os angolanos escolheram a paz, ainda que a cruzinha devesse ir para outro quadradinho que não o 12º da lista.


O problema da falta de cadernos eleitorais ou de centros de voto por montar é bem pouco merecedor de crítica, num país enorme como Angola, em fase de construção da sua identidade política.


Ninguém quis recuar a 1992. Ainda bem. Agora, Angola vai poder respirar e, nas calmas, à boa maneira africana, organizar a sua vida como muito bem entender.


A comunidade dita internacional que faça os seus trabalhos de casa para as próximas eleições.


terça-feira, 9 de setembro de 2008

A los que cumplen años hoy, nueve de setiembre, entre ellos, Helder, que suenen las campanas a gloria de todos los campanarios.
Marita

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Vida e Morte


a morte é algo importante mas não tanto como a vida....
A vida é que é importante....
...a morte só o é porque termina com a vida. É mais forte, mas também é mais curta....vive-se mais (em tempo) do que se morre, isto é,
não dá para gozar, para aproveitar....a vida aproveita-se, goza-se....CARPE DIEM não é?
A morte é final, definitiva, sem apelo...morre-se e, pronto...acabou....quem fica é que fica a sofrer...quem morreu já não se importa com nada...."et pour cause" !!!!!
A vida é coisa bem mais complicada, porque está na consciência....não se coloca aqui a questão dos em estado de coma ou dos doentes incapazes de usarem o cérebro.....vive-se porque é para isso que se nasceu, há um prazo de validade, morre-se quando se esgota o prazo...
Nunca se sabe quando se vai nascer e nunca se sabe quando se vai morrer, mas, a morte, pode ser programada - amanhã, às 20.30, vou morrer....e amanhã a essa hora, faço qualquer coisa que me acabe coma vida, sei lá, um tiro, um veneno, uma punhalada, um afogamento com uma enorme pedra atada às pernas, um mergulho para debaixo de um comboio, um assalto a um banco à espera de um "sniper" misericordioso...pode-se morrer por marcação,. ..mas não se escolhe nascer ....
o chato mesmo é nascer-se com dor e morrer-se com dor...não tem piada nenhuma...
O nascer não depende do nosso controlo, é assim e pronto, sai-se daquele ninho quente para se entrar num ambiente verde ou azul, conforme o hospital, às vezes com um monte de tubos ligados ..
Mas, morrer, devia ser por escolha própria....excepto aquela morte estúpida do acidente de viação, ou da doença terminal...
Muitos costumam escrever nos seus diários que gostariam de morrer ... "de morte natural". Mas isso não é uma redundância? A morte é a coisa mais natural que temos na vida,.,.. ou não será?
Pesando bem os prós e os contras de viver e morrer, ...
sou levado a crer que a Morte ganha à Vida ...
Não lhes parece? Quem acaba com quê?...
É a vida que acaba com a Morte? Não, quando muito, acaba NA Morte.
Mas é a Morte que acaba com a Vida.
Um a zero para a Morte.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Regresso à mediocridade




Antes de os Jogos Olímpicos 2008 , na fase preparatória, os portugueses foram convencidos pelas mais diversas formas de propaganda de que iriam viver muitos e felizes momentos de atletas lusos subirem ao pódio.


Com o passar dos dias, perante resultados que não correspondiam às expectativas geradas pelo orçamento de 15 milhões de euros (que só foi divulgado quando as interrogações começaram a surgir), começou a fixar-se sobre o tecto nacional uma pesada sombra de descontentamento, agravada por aquela outra, bem mais preocupante derivada do pesado endividamento das famílias portuguesas.


Se o futebol já não mitiga as ansiedades lusas viram-se então os holofotes para os feitos pessoais dos nossos atletas olímpicos na esperança de uma breve recuperação da auto-estima nacional.


Vanessa Fernandes, aquela menina de aspecto frágil e aparelho de correcção dos dentes, deu mais uma vez o seu contributo com o segundo lugar no triatlo feminino. Ao carregar sobre os ombros o peso dos numerosos títulos ganhos nos grandes encontros mundiais, Vanessa era favorita. Mas não aguentou a passada daquela australiana vencedora. Paciência, ficou-lhe a prata de honra e deu-nos uma grande alegria.


Rapidamente nos virámos, uma nação inteira, implorando em silêncio um milagre, para o nosso Nelson Évora do triplo salto. Que engraçada esta coincidência dos tris medalhados, tri-atlo, triplo-salto.


Com uma de prata e outra de ouro, suspeito que já não haverá ninguém com vontade de questionar os 15 milhões de euros que pagámos para a nossa representação olímpica.
E vamos ter assunto de conversa por um bom espaço de tempo. E o Governo agradece o bónus dado por estes atletas por poder usufruir de mais uns tempos de desvio colectivo dos reais problemas do país. Os 15 milhões acabam por representar um bom negócio.
Somos bons corações, perdoamos depressa, retratamo-nos nos feitos isolados de alguns seres excepcionais e regressamos à nossa mediocridade passada a euforia.


(fotos Wikipedia)

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

O BANCO



Mais triste que uma praia sem sol, uma criança sem sorriso, só mesmo um banco sem ninguém.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Muxima, coração







Em Muxima respira-se paz, tranquilidade, sublimação. A capela do século 17, a santa Nossa Senhora da Muxima, o rio Kwanza ali tão sereno, tão potente.
Não há turistas japoneses de máquina fotográfica agarrada às mãos, não há vendedores de souvenirs, não há velas à venda para queimar, não há crentes a andar de joelhos (até porque não há joelhódromo), não há bancas de venda de cruzes, nem de imagens religiosas em plástico. Também não tem câmaras de televisão nem directos. E ninguém anda a pedir contribuição financeira para fazer obras na ermida.
No entanto...no entanto, a ermida está tão nova como há séculos. É o mais carismático centro de catolicismo de África. Os crentes devotam sua fé na Senhora da Muxima, a senhora do coração dos angolanos católicos.
Diz a lenda que a santa apareceu ali sem niguém a ter colocado lá. Há dúvidas sobre se foram os holandeses ocupadores de Angola por cinco anos, ou se foram os portugueses colonos residentes que fizeram tanto a igreja como o forte, hoje catalogados como património mundial pela UNESCO. Mas, se os holandeses nunca foram católicos, como é que iam construir uma igreja católica ali, a uns 180 km de Luanda? O forte, ainda vá lá que não vá mas, a igreja ...
O que interessa é saber que um dia alguém decidiu mudar a santa de lugar e que, sem intervenção humana, ela voltou ao seu pedestal original.
E que Carlos Aniceto Vieira Dias escreveu uma das mais universais melodias de todos os tempos, cantada pelo duo Ouro Negro, cantada pelos angolanos na diáspora, cantada quando dói o coração. "Muximaaaauê". "Kuato dilagi mugibê" é o refrão. Não sei o que significa, alguém pode me ajudar?
Muxima tem o dom de impressionar pela quietude e, a senhora da Muxima, deposta ali por Nossa Senhora (segundo a conveniente lenda), transporta os crentes e os não crentes ao estado ideal de equilibrio com o universo...é a paz que ali se respira, a simplicidade de tudo, a doçura das mulheres seguidoras do culto a cuidarem da igreja como mãe que cuida do filho, que nos transportam a um patamar da existência, desconhecida para a maioria dos crentes e, sobretudo, para os descrentes.






segunda-feira, 23 de junho de 2008

O Discurso do século

O Discurso do século

Um surpreendente discurso feito pelo embaixador Guaicaípuro Cuatemoc, de descendência indígena, advogando o pagamento da dívida externa do
seu país, o México, deixou embasbacados os principais chefes de Estado da Comunidade Européia. A conferência dos chefes de Estado da
União Européia, Mercosul e Caribe, em maio de 2002 em Madri, viveu um momento revelador e surpreendente: os chefes de Estado europeus
ouviram perplexos e calados um discurso irônico, cáustico e de exatidão histórica que lhes fez Guaicaípuro Cuatemoc.

'Aqui estou eu, descendente dos que povoaram a América há 40 mil
anos, para encontrar os que a descobriram só há 500 anos. O irmão
europeu da aduana me pediu um papel escrito, um visto, para poder
descobrir os que me descobriram. O irmão financista europeu me pede o
pagamento - ao meu país -, com juros, de uma dívida contraída por Judas, a quem nunca autorizei que me vendesse. Outro irmão europeu me explica que toda dívida se paga com juros, mesmo que para isso sejam vendidos seres humanos e países inteiros sem pedir-lhes consentimento. Eu também posso reclamar pagamento e juros.
Consta no Arquivo da Cia. das Índias Ocidentais que, somente entre os anos 1503 e 1660, chegaram a São Lucas de Barrameda 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata provenientes da América.
Teria sido isso um saque? Não acredito, porque seria pensar que os irmãos cristãos faltaram ao sétimo mandamento! Teria sido espoliação? Guarda-me Tanatzin de me convencer que os europeus, como Caim, matam e negam o sangue do irmão. Teria sido genocídio? Isso seria dar crédito aos caluniadores, como Bartolomeu de Las Casas ou Arturo Uslar Pietri, que afirmam que a arrancada do capitalismo e a atual civilização européia se devem à inundação de metais preciosos tirados das Américas. Não, esses 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata foram o primeiro de tantos empréstimos amigáveis da América destinados ao desenvolvimento da Europa. O contrário disso seria presumir a existência de crimes de guerra, o que daria direito a exigir não apenas a devolução, mas indenização por perdas e danos.
Prefiro pensar na hipótese menos ofensiva. Tão fabulosa exportação decapitais não foi mais do que o início de um plano 'MARSHALL MONTEZUMA', para garantir a reconstrução da Europa arruinada por suas deploráveis guerras contra os muçulmanos, criadores da álgebra, dapoligamia, e de outras conquistas da civilização. Para celebrar o quinto centenário desse empréstimo, podemos perguntar: Os irmãos europeus fizeram uso racional responsável ou pelo menos produtivo desses fundos?> Não. No aspecto estratégico, dilapidaram nas batalhas de Lepanto, em navios invencíveis, em terceiros reichs e várias formas de extermínio mútuo. No aspecto financeiro, foram incapazes, depois de uma moratória de 500 anos, tanto de amortizar o capital e seus juros quanto independerem das rendas líquidas, das matérias-primas e da energia barata que lhes exporta e provê todo o Terceiro Mundo. Este quadro corrobora a afirmação de Milton Friedman, segundo a qual uma economia subsidiada jamais pode funcionar e nos obriga a reclamar-lhes, para seu próprio bem, o pagamento do capital e dos juros que, tão generosamente, temos demorado todos estes séculos em cobrar. Ao dizer isto, esclarecemos que não nos rebaixaremos a cobrar de nossos irmãos europeus, as mesmas vis e sanguinárias taxas de 20% e até 30% de juros ao ano que os irmãos europeus cobram dos povos do Terceiro Mundo. Nos limitaremos a exigir a devolução dos metais preciosos, acrescida de um módico juro de 10%, acumulado apenas durante os últimos 300 anos, com 200 anos de graça. Sobre esta base e aplicando a fórmula européia de juros compostos, informamos aos descobridores que eles nos devem 185 mil quilos de ouro e 16 milhões de quilos de prata, ambas as cifras elevadas à potência de 300. Isso quer dizer um número para cuja expressão total será necessário expandir o planeta Terra. Muito peso em ouro e prata... quanto pesariam se calculados em sangue? Admitir que a Europa, em meio milênio, não conseguiu gerar riquezas suficientes para esses módicos juros, seria como admitir seu absoluto fracasso financeiro e a demência e irracionalidade dos conceitos capitalistas. Tais questões metafísicas, desde já, não inquietam a nós, índios da América. Porém, exigimos assinatura de uma carta de intenções que enquadre os povos devedores do Velho Continente e que os obriguem a cumpri-la, sob pena de uma privatização ou conversão da Europa, de forma que lhes permitam entregar suas terras, como primeira prestação de dívida histórica...'

Quando terminou seu discurso diante dos chefes de Estado da Comunidade Européia, o Cacique Guaicaípuro Guatemoc não sabia que estava expondo uma tese de Direito Internacional para determinar a verdadeira dívida externa.

domingo, 22 de junho de 2008

Grande


Este menino de 13 anos de idade, Miguel Oliveira, ganhou hoje no circuito inglês de Donington, a corrida Red Bull Rookies Cup, toda ela feita sob chuva.

A vitória do jovem piloto português não podia acontecer em melhor hora, à frente dos grandes pilotos e equipas da moto GP que se encontram em Donington para disputarem o Grande Prémio da Inglaterra de motociclismo.

Se Portugal nos dá poucas razões de orgulho e autoestima nesta fase de profunda crise económica, a vitória deste menino num evento internacional sempre ajuda a recompor o sentimento nacional.

Não será por ele, Miguel, ou pelo Mourinho, ou pelo Figo que os portugueses vão ver as suas vidas sairem do buraco em que estão mas os seus feitos sempre podem servir de exemplo de força de vontade de vencer que é coisa que parece estar a faltar em casa lusa.

domingo, 15 de junho de 2008

Pequenino


Portugal, olhado do lado de fora da Europa, fica reduzido à sua verdadeira dimensão de país sem importância. É como se uma lente de diminuir estivesse virada em permanência para o pequeno rectângulo e nos retirasse todas as possíveis ilusões de óptica sobre o Éden lusitano.

Com a notória capacidade dos governantes de desgovernarem tudo, a leitura dos jornais domésticos - via Internet - mostra-nos um Estado de norte perdido, sem soluções, resignado com o seu triste fado de ser a eterna cauda da Europa. E, como se sabe, a cauda está muito perto do lugar de descargas fedorentas. Nada se pode esperar de bons augúrios com tão vil colocação.

E como se não bastasse, a "nossa selecção" perdeu vergonhosamente com a Suíça, de quem se dizia que seria arrumada em dois tempos, com o mínimo de três golos. Os grandes analistas, mais os responsáveis da equipa, mais os senhores da federação da bola já foram dizendo que Portugal jogou com a equipa de reserva, com as segundas linhas, que o árbitro prejudicou a equipa, tentando amenizar uma derrota- imagem do desgoverno de pessoas cujos rendimentos num mês são superiores ao que muitos lusos nunca ganharão numa vida de trabalho.

Para nós, para os emigrantes,especialmente para os portugueses na Suíça, o dia seguinte ao desta derrota será amargamente engolido com as graçolas bolsadas pelos suíços para quem trabalham.

Ou será que quem jogou com a Suíça não era a selecção nacional portuguesa, aquela que faz milhares de portugueses vestirem as cores da bandeira e correrem aos estádios para apoiarem os jogadores ou para manifestarem, por hora e meia, uma réstea de orgulho, uma esperança de vitória do país sobre o desgoverno?


segunda-feira, 9 de junho de 2008

Quantos poemas tem a noite?


Eu não sei ... deve ter muitos


...aqueles que quiseres ter


...aqueles que souberes ler


...aqueles que te fazem falta


...e ainda aqueles outros


de onde saiem gritos e dores


sussurrados com timidez


de quem está em crédito.




Na coluna da direita, na Sala de Visitas, costumo deixar endereços de lugares onde ir ler um pouco de tudo à distância de um clic (destesto isto da distância do clic mas hoje os meus neurónios de estimação entraram em suspensão) ... são blogs onde me estendo e me deixo envolver ... e que gosto que quem aqui vem se sinta bem e vá até lá esticar o pensamento.


Hoje, descobri mais um "must" de leitura em


http://quantospoemas.blogspot.com/ assinado por MIRABILIS (ou SHERAZADE)

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Europe's cheapest petrol / Greenland - Gasolina a 50 cts/litro

Notícias AFP

Where to find Europe's cheapest petrol? Greenland.
by Slim Allagui

ILULISSAT (AFP) - At a small petrol station dating from the 1960s in Greenland, SUVs queue to fill up with the cheapest gas in Europe, at just 3.77 kroner a litre or 50 euro cents (78 US cents).
The low price is not an advertising coup nor public relations campaign, just the regular price for petrol in Greenland, the biggest island in the world with only 57,000 inhabitants.
"And I find the price a little expensive," says Julius Saldgreen, 49, at the wheel of his jeep after picking up his two daughters at school.
By comparison, a litre of unleaded 95 cost 1.52 euros in France and 1.49 euros in Germany last week, while diesel went for 1.45 and 1.48 euros, respectively.
At the other end of the scale, Americans are reeling at the thought of paying almost 4.0 dollars a gallon or 0.68 euro cents a litre.
In Greenland, a Danish autonomous territory since 1979, the local government has long had a retail monopoly on energy, offering generous tax rebates on super unleaded, diesel and heating fuel.
"We do it to help hunters and fishermen in particular, since they have low incomes and the living conditions in the Arctic are tough, with long and very rigorous winters," the head of the local government, Hans Enoksen, told AFP.
In order to maintain low prices even in the most remote parts of the island, the local government has signed long-term contracts for stable charges with the oil companies and stocked enormous quantities of petrol in reservoirs that dot the entire coast.
Price display for fuel is seen at a gas station in Ilulissat©AFP/File Slim Allagui
A "wise approach" hailed by the islanders, according to Saldgreen.
But some are nonetheless unhappy, such as Jan, one of 30 taxi drivers in the western town of Ilulissat who finds "the petrol price too high lately."
His colleague Per disagrees, saying the price at the pump is reasonable.
"But it can't hit five kroner like it did a few years ago, which led to protests from the fishermen who blocked Royal Greenland's fish processing and packaging factory in order to push for higher fish prices, the only way to counter the high diesel price," he explains.
"A rise in petrol prices would lead to higher transport costs and higher inflation. That would penalise consumers and especially the fishermen and hunters, who are already affected by the global warming that is threatening their livelihoods," Per says.
In Ilulissat, a town inscribed on UNESCO's world heritage list, the colourful boats belonging to the halibut and shrimp fishermen are docked in the port.
The fishermen, like everyone else, pay the same low price for diesel as for petrol and heating fuel.
"Otherwise we would have a hard time making ends meet since global warming is causing the Ilulissat glacier to recede," says Knud Kruse, a 41-year-old fisherman who has trawled Greenland's waters since the age of 19.
The glacier is one of the most active in the world, with icebergs breaking off into thousands of pieces into the fjord, "making it hard for us to navigate and lay out our lines," he says.
"I think our leaders understand that we need cheap fuel otherwise there would be no more fishing and this has been the islanders' way of life since the beginning of time," he says.
"When we get paid 6.25 kroner (90 euro cents) a kilo (2.2 pounds) for halibut, the slightest increase in diesel prices hits us full-on."

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