quarta-feira, 19 de março de 2008

HOT CLUBE DE PORTUGAL


Faz hoje sessenta anos que um digníssimo representante da espécie humana fundou um clube peculiar. A minha homenagem ao Luiz Villas-Boas que nos anos quarenta começou como tradutor de artigos e livros de jazz, passando a divulgá-lo pela rádio (o primeiro programa de jazz foi dele), pela televisão e através de festivais. Onde estiver que tenha os sentidos cheios de música que tanto adorava. Da minha parte um muito obrigado.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Brasil, Brazil


Finalmente Portugal assinou o Acordo Ortográfico durante a visita do nosso Presidente da República ao Brasil por ocasião dos 200 anos da chegada da corte portuguesa ao Rio de Janeiro. Depois de muitas resistências, Portugal vai ter de aproximar a sua forma de escrever da forma brasileira - vamos deixar cair os c e os p mudos, isto é, aqueles que não serviam para nada em "activo" ou em "baptizado". Para quem trabalha com a escrita como eu, acho que vai ser necessária uma fase de adaptação à nova ortografia, aliás já prevista para só entrar em real funcionamento daqui a uns anos.
Por mim, fico de bem com as mudanças até porque, se tiver dúvidas (e quem as não terá?) há sempre forma de recorrer a um bom corrector ortográfico. Mas não posso deixar de reflectir sobre este fenómeno maravilhoso que são as línguas escritas e faladas, especialmente no que respeita ao português nas suas variadas vertentes - brasileiro, angolano, moçambicano, caboverdeano, etc. O português falado com outra pronúncia que não a de Lisboa já eu falava em Angola faz tempo. E o português escrito como se falava em Angola já eu li muito graças às obras do Luandino Vieira, meu velho companheiro de outras andanças. Mais tarde, por via profissional e de amizades de colegas brasileiros fui ao Brasil várias vezes, colaborei pontualmente com a Rádio Bandeirantes na fórmula, e fui correspondente na Europa da revista electrónica MotorCar do meu amigo Silvio Porto. Nessas caminhadas, fiz novos amigos em Minas Gerais, no Rio e em S.Paulo. Agora, neste interessante universo dos blogues, tenho vindo a fazer novas amizades como a mais recente de Lumma no seu Conta Gotas. Enriqueci o meu conhecimento do Brasil e dos brasileiros através da leitura de vários autores brasileiros para além dos amigos. Julgo ter ganho alguma experiência em relação ao país e ao povo . Não alinho, portanto, no estereótipo frequentemente usado aqui em Portugal segundo o qual os brasileiros só gostam de samba, futebol, praia e carnaval. Pura ignorância para não lhe chamar pura demagogia.
Para não me alongar mais, direi simplesmente que acho muito útil para nós a imigração brasileira que nos ensinou a sermos mais afáveis nos lugares públicos (restaurantes, atendimentos ao público) nos deu novos horizontes no campo da publicidade, do marketing, da arte da paginação e nos despertou para a realidade que é o grande Brasil como mercado turístico e de negócios. "Eles" diz-se, ainda estão na gama dos países ditos do terceiro Mundo mas, em muitíssimos aspectos, "eles" estão a léguas de nós.
Nunca tive complexos em dizer que a lingua portuguesa se mantém viva e evolutiva graças ao Brasil. Por alguma razão, quem aprende português, o acha mais fácil na vertente brasileira do que na portuguesa. Seria bom que nos descomplexássemos de vez em relação ao Brasil e ao português brasileiro e deixássemos de ter a mania de que nós é que falamos o português correcto (ou será correto?).
Venha daí o acordo, por muito que seja polémico ... ou...polêmico?

terça-feira, 11 de março de 2008

O meridiano


Corta a terra ao meio, divide-a em duas metades como uma laranja pronta a ser espremida.
Mas, o meridiano, este aqui que eu não deixei escapar entre Zaragoça e Lérida, o de Greenwich, com os seus 180 graus do lado de cá e os outros 180 graus do lado do anti meridiano, tem muito que se lhe diga. Por causa dele temos de mexer nos relógios e mudar horas, por causa dele temos de fazer loucas contas de cabeça para sabermos que horas são em Timor e, se tivermos de explicar isto a uma criança - olha querida lá já estão em amanhã - a coisa complica-se.
É sempre bom passar o meridiano, este e todos os outros. Sou, aliás, de opinião que deviamos ter mais meridianos à mão de semear para os podermos passar sempre que nos apetecesse. Os 24 existentes graças aos senhores que andam a estudar estas coisas desde há séculos podiam subdividir-se em outros tantos, aliás, até se dividem, é só querermos imaginá-los em grupos de sessenta nos intervalos dos grandes. Assim, seguramente arranjaria um meridiano da Lourinhã que bem merece e até lhe ficava bem uma placa à entrada - Lourinhã, terra dos dinossauros, da loba, da aguardente da Lourinhã e do meridiano - e os papalvos como eu parariam o carro e fariam fotos souvenir para mostrarem lá em casa e dizerem às criancinhas - olha querida, quando fizemos esta foto (souvenir) estavas tu a sair da escola; mas eu estava com vocês no carro!!!; sim, mas isto é só para fazer de conta!; ahhhhh!!!!

domingo, 9 de março de 2008

O que aconteceu?


Era um dia daqueles em que apetece fazer uma reconciliação com o que nos aborrece e uma aliança com o que nos agrada. Passava um sol tranquilo, a terra cheirava a fresco, o vento tinha retirado seus sopros dali e nem o ruído da estrada perto podia perturbar a quietude do lugar.
Mas aquele pequeno lago de dar água a beber aos animais parecia fazer parte de outra paisagem individualizada pela presença daquela vaca. Era como serigrafia de artista conceituado que, para torná-la pessoal e única, introduziu um elemento distintivo - a vaca.
A chamada à contemplação derivada do ambiente até ali experimentado derrubava-se brutalmente sobre a paz de espírito. O animal, meio enterrado na lama, somente movia a cabeça e essa, mesmo assim, muito devagar, como que em slow motion.
Estaria aquele ser simplesmente a usufruir de um pequeno luxo ou, pelo contrário, estaria em sofrimento e sem ninguém para o acudir? A tempo?
Nunca saberei. Inquietei-me ao ter sido trespassado por tal pensamento mas logo entrou em funcionamento o mecanismo de auto-defesa com um olhar automático para o relógio e a decisão precipitada de continuar caminho pela estrada fora.
Não tinha capacidade de intervenção, é verdade, existia uma vedação. Acho que fabriquei rapidamente vários alibis para virar as costas àquele lugar subitamente maldito.
Mas não me libertarei dele enquanto tiver esta foto no meu arquivo.

Um ano


Faz um ano que estive assim, de peito aberto ao meio.

Hoje já nem cicatriz tenho para mostrar, nem isso interessa.

O que interessa é que festejo este dia de hoje como o primeiro aniversário de nova vida porque, inevitavelente, não escapo ao ponto zero que demarca o antes e o depois do incidente.

Quando "isto" acontece, sofre-se um abanão grande e repõe-se muita coisa na balança do deve e do haver. Mas convém não interiorizar demasiado e passar à frente entrando tão depressa quanto possível no ritmo normal.

Tudo acaba em bem quando a única sequela que nos fica é a de nos darmos conta da nossa fragilidade e da efeméride que somos.


Com a foto espero não chocar a sensibilidade de algumas pessoas.

sábado, 8 de março de 2008

TODOS POR LA PAZ

Ayer se llevó a cabo la reunión cumbre de presidentes de latino américa en la capital dominicana.
Fueron siete horas de debate en las que fue un placer oírlos y un pecado perder alguno de sus detalles.Sin duda esta reunión cumbre pasará a los anales de la historia latinoamericana.
La buena voluntad de los magistrados, a pesar de las duras palabras cruzadas, fueron la herramienta para allanar el camino para una vida en paz y buena vecindad entre las naciones.
Sin acartonamiento, sin trajes de etiqueta, aquello era una reunión entre viejos conocidos, sin perder por ello la seriedad del caso.
En el cielo de la política sudamericana,comienza a destellar una nueva luz y es el joven presidente de Ecuador, Rafael Correa.Claro, preciso, directo, sin manejar ambigüedades,ni frases doctorales en sólo nueve minutos expresó sus intenciones sin dejar dudas.
El canciller por Brasil, utilizó su larga carrera dentro de la diplomacia, para poner un bálsamo de tranquilidad y exhortar que , a pesar de las diferencias existentes, se busque inexorablemente un camino hacia la paz.
La presidenta argentina insistió sobre que nunca jamás se utilice la unilateralidad y convino,juntamente con sus pares, que el tema a tratarse en esa cumbre estaba relativizando lo urgente de latinoamérica que es el hambre,la pobreza y la explotación.
La usual verborragia de Hugo Chávez fue eclipsada por la justeza y precisión de Correa, pero aquél salpicó su discurso con notas simpáticas y hasta llegó a entonar los versos de una canción popular centroamericana, sin por ello perder seriedad lo que exponía. Y logra el permiso para que la madre de Betancourt ingrese al recinto.
Ante la incursión de tropas colombianas en territorio ecuatoriano, finalmente todos coinciden en una promesa unitiva , en que nunca jamás ninguna nación latinoamericana incurrirá en suelo hermano.
Finalmente, Leonel Fernández, el presidente dominicano,incita amigablemente a darse la mano a los presidentes enfrentados.A lo que el presidente de Honduras expresa una bella frase. "Hoy, Santo Domingo, se ha convertido en la capital de la paz latinoamericana."

marita faini adonnino-Argentina

EL HOMBRE Y LA MUJER


Hoy, 8 de marzo, es el día internacional de la mujer. ¿Y nosotros?-dirán los hombres.
Ah!, no sé.Será en reivindicazión de tanta mujer olvidada por siglos.Pero ésto hoy no lo tocaremos.
Envío el pensamiento poético de Víctor Hugo sobre la mujer en homenaje a todas las mujeres, a las independizadas, a las libres, a las esclavas, a las que sufren, a las que esperan, a las que son felices..
Una bella página, en la que el hombre no es olvidado.

EL HOMBRE Y LA MUJER (1802-1885)

El hombre es la más elevada de las criaturas;la mujer es el más sublime de los ideales.
El hombre es el águila que vuela;la mujer, el ruiseñor que canta.
Volar es dominar el espacio.
Cantar es conquistar el alma.

El hombre es el cerebro; la mujer es el corazón.
El cerebro fabrica luz; el corazón produce amor.
La luz fecunda.
El amor resucita.

El hombre es genio; la mujer es ángel.
El genio es inmensurable, el ángel es indefinible.
Se contempla lo infinito.
Se admira lo inefable.

La aspiración del hombre es la suprema gloria; la aspiración de la mujer, la virtud extrema.
La gloria hace lo grande.
La virtud, lo divino.

El hombre tiene la supremacía; la mujer, la preferencia.
La supremacía significa la fuerza.
La preferencia representa el derecho.

El hombre es fuerte por la razón; la mujer es invencible por las lágrimas.
La razón convence.
Las lágrimas conmueven.

El hombre es capaz de todos los heroísmos; la mujer de todos los martirios.
El heroísmo ennoblece.
El martirio sublimiza.

El hombre tiene un fanal: la conciencia; la mujer tiene una estrella: la esperanza.
El fanal guía.
La esperanza salva.

En fin, el hombre está colocado donde termina la tierra.
La mujer, donde comienza el cielo.

El hombre pienza; la mujer sueña.
Pensar es tener en el cráneo una larva.
Soñar es tener en la frente una aureola.

El hombre es el océano; la mujer es el lago.
El océano tiene la perla que lo adorna.
El lago, la poesía que deslumbra.

(puesto por Marita Faini Adonnino-Argentina)

terça-feira, 4 de março de 2008

Que tempo é o nosso?

Que tempo é o nosso? Há quem diga que é um tempo a que falta amor. Convenhamos que é, pelo menos, um tempo em que tudo o que era nobre foi degradado, convertido em mercadoria. A obsessão do lucro foi transformando o homem num objecto com preço marcado. Estrangeiro a si próprio, surdo ao apelo do sangue, asfixiando a alma por todos os meios ao seu alcance, o que vem à tona é o mais abominável dos simulacros. Toda a arte moderna nos dá conta dessa catástrofe: o desencontro do homem com o homem. A sua grandeza reside nessa denúncia; a sua dignidade, em não pactuar com a mentira; a sua coragem, em arrancar máscaras e máscaras.

Eugénio de Andrade in "Os afluentes do Silêncio"



segunda-feira, 3 de março de 2008

Direito à indignação

OPINIÃO
Publicado 29 Fevereiro 2008

Baptista Bastos
O ranço salazarista


Cada vez mais nos afastamos uns dos outros. Trespassamo-nos sem nos ver. Caminhamos nas ruas com a apática indiferença de sequer sabermos quem somos. Nem interessados estamos em o saber. Os dias deixaram de ser a aventura do imprevisto e a magia do improviso para se transformarem na amarga rotina do viver português e do existir em Portugal.
Deixámos cair a cultura da revolta. Não falamos de nós. Enredamo-nos na futilidade das coisas inúteis, como se fossem o atordoamento ou o sedativo das nossas dores. E as nossas dores não são, apenas, d’alma: são, também, dores físicas.
Lemos os jornais e não acreditamos. Lemos, é como quem diz – os que lêem. As televisões são a vergonha do pensamento. Os comentadores tocam pela mesma pauta e sopram a mesma música. Há longos anos que a análise dos nossos problemas está entregue a pessoas que não suscitam inquietação em quem os ouve. Uma anestesia geral parece ter sido adicionada ao corpo da nação.
Um amigo meu, professor em Lille, envia-me um email. Há muitos anos, deixou Portugal. Esteve, agora, por aqui. Lança-me um apelo veemente e dorido: “Que se passa com a nossa terra? Parece um país morto. A garra portuguesa foi aparada ou cortada por uma clique, espalhada por todos os sectores da vida nacional e que de tudo tomou conta. Indignem-se em massa, como dizia o Soares.”
Nunca é de mais repetir o drama que se abateu sobre a maioria. Enquanto dois milhões de miúdos vivem na miséria, os bancos obtiveram lucros de 7,9 milhões por dia. Há qualquer coisa de podre e de inquietantemente injusto nestes números. Dir-se-á que não há relação de causa e efeito. Há, claro que há. Qualquer economista sério encontrará associações entre os abismos da pobreza e da fome e os cumes ostensivos das riquezas adquiridas muitas vezes não se sabe como.
Prepara-se (preparam os “socialistas modernos” de Sócrates) a privatização de quase tudo, especialmente da saúde, o mais rendível. E o primeiro-ministro, naquela despudorada “entrevista” à SIC, declama que está a defender o SNS! O desemprego atinge picos elevadíssimos. Sócrates diz exactamente o contrário. A mentira constitui, hoje, um desporto particularmente requintado. É impossível ver qualquer membro deste Governo sem ser assaltado por uma repugnância visceral. O carácter desta gente é inexistente. Nenhum deles vai aos jornais, às Televisões e às Rádios falar verdade, contar a evidência. E a evidência é a fome, a miséria, a tristeza do nosso amargo viver; os nossos velhos a morrer nos jardins, com reformas de não chegam para comer quanto mais para adquirir remédios; os nossos jovens a tentar a sorte no estrangeiro, ou a desafiar a morte nas drogas; a iliteracia, a ignorância, o túnel negro sem fim.
Diz-se que, nas próximas eleições, este agrupamento voltará a ganhar. Diz-se que a alternativa é pior. Diz-se que estamos desgraçados. Diz um general que recebe pressões constantes para encabeçar um movimento de indignação. Diz-se que, um dia destes, rebenta uma explosão social com imprevisíveis consequências. Diz a SEDES, com alguns anos de atraso, como, aliás, é seu timbre, que a crise é muito má. Diz-se, diz-se.
Bem gostaríamos de saber o que dizem Mário Soares, António Arnaut, Manuel Alegre, Ana Gomes, Ferro Rodrigues (não sei quem mais, porque socialistas, socialistas, poucos há) acerca deste descalabro. Não é só dizer: é fazer, é agir. O facto, meramente circunstancial, de este PS ter conquistado a maioria absoluta não legitima as atrocidades governamentais, que sobem em escalada. O paliativo da substituição do sinistro Correia de Campos pela dr.ª Ana Jorge não passa de isso mesmo: paliativo. Apenas para toldar os olhos de quem ainda deseja ver, porque há outros que não vêem porque não querem.
A aceitação acrítica das decisões governamentais está coligada com a cumplicidade. Quando Vieira da Silva expõe um ar compungido, perante os relatórios internacionais sobre a miséria portuguesa, alguém lhe devia dizer para ter vergonha. Não se resolve este magno problema com a distribuição de umas migalhas, que possuem sempre o aspecto da caridadezinha fascista. Um socialista a sério jamais procedia daquele modo. E há soluções adequadas. O acréscimo do desemprego está na base deste atroz retrocesso.
Vivemos num país que já nada tem a ver com o País de Abril. Aliás, penso, seriamente, que pouco tem a ver com a democracia. O quero, posso e mando de José Sócrates, o estilo hirto e autoritário, moldado em Cavaco, significa que nem tudo foi extirpado do que de pior existe nos políticos portugueses. Há um ranço salazarista nesta gente. E, com a passagem dos dias, cada vez mais se me acentua a ideia de que a saída só reside na cultura da revolta.
APOSTILA – Rui Santos, comentador da SIC, na área do futebol, foi alvo de tentativa de agressão, no parque de estacionamento daquela estação televisiva. Quatro meliantes encapuçados (um, no interior de um automóvel; os outros, de trancas nas mãos) cercaram o jornalista, que lá se defendeu conforme pôde. É um incidente de tal gravidade que as autoridades terão de agir com a rapidez determinada pela própria natureza do crime. Porque de crime se trata. Não é, apenas, Rui Santos que está em jogo. É a própria liberdade de expressão que foi (e está, sei muito bem do que falo) ameaçada. Um abraço solidário para Rui Santos.
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Batista Bastos é considerado um dos maiores prosadores portugueses, para além de jornalista galardoado com numerosos prémios.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Barcelonaaaaaaa
















A Sagrada Família continua em obras, os guindastes surgem como deselegantes torres que Gaudi não sonhou e não sei se prefiro o tom sujo dos anos se o lavado que embranquece a pedra. Seja como for, ir a Barcelona implica ir à Sagrada Família. É como uma peregrinação, mas sem pagamento de promessa o que torna a deslocação bem mais simples e descomprometida.


domingo, 24 de fevereiro de 2008

E tenham uma boa semana

Ou "As amigas" de G. Klimt (1916)....

ou este recente desenho da minha neta Iara...onde aquele Sol com óculos me encanta

...ambos excelentes peças para "lavar os olhos" e aquecer o coração...

um abraço a todos os meus visitantes

helder

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

A minha língua é a minha pátria?

Amigo meu de longa data defendia acaloradamente à mesa onde jantávamos uns 14, que, contrariamente ao que Fernando Pessoa dizia, a língua já não é a nossa pátria. Para sustentar a tese, recordava os lugares por onde passaram portugueses e onde ainda subsistem marcas da presença lusitana como em Goa e Damão, no Sri Lanka e noutros lugares remotos onde, apesar de não se falar o português, ainda se guardam muitos sinais da cultura portuguesa, para além dos nomes.

E que, até mesmo os países da Comunidade de Paises de Lingua Portuguesa não precisavam do português para se sentirem pátrias. Conceito interessante para ser analisado, especialmente se se puser na lista dos tópicos a influência do sentimento que muitos têm de não pertencerem a lugar nehum.
Há muitos portugueses, nomeadamente dos que vieram das antigas colónias, cujo desenraizamento os levam a considerar que "não têm terra". Não têm a felicidade de poderem dizer aos amigos: fui à terra e trouxe de lá umas batatas.

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