terça-feira, 16 de outubro de 2007

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Adeus Companheiro

Tive o privilégio de trabalhar contigo, de rir contigo, de gozar contigo, de apreciar a boa mesa contigo e falarmos de tudo e de nada sabendo que o relógio estava em contagem regressiva. Nunca te ouvi um queixume sobre o teu estado de saúde mas ouvi-te alguns sobre ingratidões e injustiças em que a nossa RTP é pródiga.
E, agora? A nossa tertúlia dos Virgens da RTP ?

na foto Raúl Durão num jantar de antigos da RTP

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

40 anos/años/years/années

Passam 40 anos sobre a morte de Ernesto (Che) Guevara. Tinha 39 anos de idade, andava pelas montanhas da Bolívia a fazer a (sua) revolução. Foi apanhado nas malhas da CIA e das tropas bolivianas que o perseguiam. No dia seguinte era fuzilado e o seu corpo mostrado ao mundo. Trinta anos depois, os seus restos foram encontrados junto com os de outros seis numa fossa comum. Apesar de terem sido confirmados por cientistas, até hoje se duvida que aqueles ossos sejam de Che Guevara. A lenda continua. Amado, idolatrado, odiado, Che Guevara, graças à famosa fotografia de Alberto Korda, ficou para sempre o ícone de uma certa forma de rebeldia. Muita gente tem feito dinheiro à custa da famosa foto, aproveitada para ilustrar camisolas, canecas, copos, posters, uma espécie de novo Cristo super star.
Admito que o Che não foi nenhum santo na sua pregação pelas matas da Sierra Maestra, do Congo, da Bolívia de outros países da América Latina. Talvez até, revolucionário que era, não tenha sido tolerante no julgamento dos que se “desviaram” da revolução de Fidel e dos seus acólitos. Talvez nem tenha sido bom ministro da Industria nem bom governador do Banco Nacional de Cuba.
Mas foi, sem dúvida, o primeiro exportador de revoluções à escala global. Não aceitava a política da “coexistência pacífica” concertada entre os Estados Unidos e a União Soviética. Fidel precisava da União Soviética e não aceitava com bons olhos as atitudes “libertárias” do Che. Mandou-o fazer a revolução para fora de Cuba e, quando, na ponta final da “sua” guerrilha na Bolívia, Fidel não lhe mandou nem uma bala de ajuda.
Autor da lei da Reforma Agrária, Guevara dizia:
“El guerrillero es, fundamentalmente, y antes que nada, un revolucionario agrario. Interpreta los deseos de la gran masa campesina de ser dueña de la tierra, dueña de los medios de producción, de sus animales, de todo aquello por lo que ha luchado durante años, de lo que constituye su vida y constituirá también su cementerio... Este Movimiento no inventó la Reforma Agraria. La llevará a cabo. La llevará a cabo integramente hasta que no quede campesino sin tierra, ni tierra sin trabajar.”
Afinal, o que tornou este médico guerrilheiro um símbolo para tantas gerações em todo o mundo e levou analistas a estudarem o fenómeno?
Talvez a sua verticalidade, a sua coerência de pensamento, a sua personalidade forte, talvez o facto de pôr em causa determinados valores. Talvez a imagem romântica do jovem combatente de causas populares, talvez o seu espírito internacionalista, talvez a sua morte violenta, como James Dean.
Passados estes anos todos, caído o Muro de Berlin e outros muros, Che Guevara continua a provocar. O que pensaria ele hoje, se ainda estivesse vivo?
Numa das suas viagens internacionais para vender o açúcar cubano, Ernesto escreveu à sua mãe:
“Algo que realmente se ha desarrollado en mí es la sensación de lo masivo en contraposición con lo personal; soy el mismo solitario que era, buscando mi camino sin ayuda personal, pero ahora poseo el sentido de mi deber histórico. No tengo hogar ni mujer ni hijos ni padres ni hermanos ni hermanas, mis amigos son mis amigos en tanto piensen políticamente como yo y sin embargo estoy contento, siento algo en la vida, no solo una poderosa fuerza interior, que siempre sentí, sino también el poder de inyectarla a los demás y el sentido absolutamente fatalista de mi misión que me despoja del miedo.”


Na foto, o Che com a mãe Celia de la Serna



quarta-feira, 3 de outubro de 2007

A Lição sobre o Sputnik



Suponho que para os mais novos, a palavra Sputnik não desperte qualquer tipo de reacção especial. Quando muito, alguns perguntariam se se trata de uma banda de musica .

Este mês de Outubro, dia 4, comemoram-se os 50 anos sobre o lançamento do primeiro satélite artificial da Terra. Era uma pequena esfera de 58,5 cm de diâmetro, pesava 83,6 kg e não servia para mais nada do que para enviar um sinal sonoro que podia ser captado por qualquer radio-amador na Terra. Estou em crer que o Sputnik não foi mais que um gesto de propaganda da então União Soviética, para se colocar à frente dos Estados Unidos na louca corrida pela conquista espacial.

Foi, contudo, um grande feito da Humanidade este de conseguir vencer a gravidade terrestre. O Sputnik circulou à volta da Terra por uns seis meses após o que se despenhou.

Um mês depois, os soviéticos deram outra bofetada no orgulho americano ao lançarem para o espaço o Sputnik II, com a cadela Laika que, na realidade se chamava Kudriavka. O bichinho foi a primeira vítima da corrida espacial. Morreu uma semana depois de ser lançada, na reentrada do veículo na atomosfera terrestre.

O lançamento do Sputnik I trás-me recordações fortes apesar do tempo passado. Nesse dia 4 de Outubro de 1957 (ou talvez no dia seguinte), o meu saudoso professor de Filosofia no Liceu Salvador Correia em Luanda, Dr. Heliodoro Frescata, deu-nos uma das mais interessantes lições que um estudante pode receber - a da grandeza dos Homens, mesmo quando movidos por interesses menos claros. Ele falou de órbitas, de foguetões, da libertação da gravidade da Terra, no fundo, da constante busca de Liberdade pelo Homem.

O regime de então, duro de ouvido e conservador como todas as ditaduras, achou que a lição de Heliodoro Frescata tinha sido um acto de subversão política pelo que entendeu dever prender o homem como se, com isso, encarcerasse a liberdade de que ele era um dos grandes paladinos.

Muitos anos mais tarde, já em Portugal, tive a felicidade de voltar a encontrar aquele querido professor. A idade, a vida, não lhe tinham tirado aquela chamazinha que sempre lhe brilhou nos olhos. Frescata ainda voltou a frequentar mais algumas vezes as celas da polícia política. De cada vez voltava mais forte e mais certo das suas razões. Sem um queixume, sem sinais de revolta.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

MÚSICA TOTAL

Celebrar o Dia Mundial da Música é uma redundância que poucos dão conta, pois ela é como aqueles amigos que não damos por eles, mas que estão sempre presentes. Eu repito o que já alguém perguntou: o que seria do Ser Humano sem Música?


MÚSICA TOTAL
Combina sons com arte e ciência,Seduz com suavidade e doçura,É inspirante e inspiradora com a anuência Dos sentidos que participam na abertura,Música total, companheira na rotina E na excepção, seja aqui ou na Argentina.Folclórica, classica, samba, fado,As mesma notas,Tango, valsa (com ou sem tom abailado),Sem batotas,Blues, jazz, pop, rock abalizado Em alíquotas Precisas num perfeito baixo-assinado.fusas, colcheias, letras e acentos Harmoniosamente penetrando,lágrimas e sorrisos sem fermentos Esvaem-se e vão demonstrando A importância, sem se dar por ela,da música que é companhia tão bela.
kambuta

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

I think I'm a special one

O Mourinho foi-se embora do Chelsea e deixou-me sem clube. Vou explicar - não sou nem nunca fui muito dado a coisas do futebol. Os meus fervores desportivos foram sempre dirigidos para outros campos que não os de futebol. Automóveis, sua história, seu peso na civilização, corridas, pilotos, seus sofrimentos e suas façanhas.
O futebol, entretanto graças à sua gigantesca divulgação levou-me a concluir que, se não soubesse um mínimo da matéria, seria um ilustre ignorante isolado do mundo.
O Mourinho deu-me a volta à crença e passei a designar o Chelsea como meu clube quando me perguntavam a que religião futebolística pertencia. Era do Chelsea por causa do Mourinho, o orgulho nacional do homem que vence fora de casa.
Agora, vou ter de esperar saber qual o clube para onde o Mourinho vai para recuperar de novo o entusiasmo. Se ele vier para a nossa Selecção, para mim será ouro sobre azul - junto o homem ao clube de quem sempre gostei.



terça-feira, 18 de setembro de 2007

Rais parta

"Mine Mercado" algures no Alentejo.
Agora os investidores especuladores do dinheiro em Bolsa estão a tirar o cavalinho da chuva com medo de perderem mais do que já perderam com a queda dos valores. Dizem nas televisões que a "crise" já chegou a Portugal. Mas que raio, será que ando distraído? Para mim, amigos, a crise já cá anda faz muiiiitoooo tempo, talvez desde os Filipes.


Aqueles dois senhores que andam a disputar a presidência de um partido da chamada Oposição têm dito tanta babuzeira, tanta parvoeira que me interrogo se os militantes do tal partido ainda encontram algum motivo sério para irem às urnas colocar um deles no poleiro. Se aqueles dois é tudo quanto têm de opção para lider, coitado do partido.


Por vezes, o choradinho lusitano irrita-me. Os senhores bombeiros, pela boca do representante da sua associação nacional, veio dizer que, a continuarem assim com o aumento dos quilómetros para chegarem às urgências, dentro em breve as ambulâncias estarão a cair de podres por velhice. Curioso como não se lembraram disso há três meses atrás e só agora depois da reestruturação dos serviços de saúde. Ou será que a tal associação, distraída a facturar transportes em veículos sem manutenção ainda não tinha alinhado no coro de protestos que andou por aí a cantar os malefícios do ministro da saúde?


O Alentejo foi tido durante anos como sendo o celeiro de Portugal. Com a revolução, passou a ser a cara da Reforma Agrária que destruiu tudo o que produzia. A vinda de alguns estrangeiros que foram para lá (com ajudas financeiros do Governo) replantar com métodos modernos deu a chicotada psicológica de que o Alentejo estava a precisar, nem todos com as melhores intenções. E transformou-se em lugar para ricos que fizeram dos "montes" os seus cartões de visita com belas piscinas e jipões e de hippies retardados com pronúncias estranhas . Por onde andei nestas últimas semanas encontrei um Alentejo virado para o turismo, oportunista, careiro e raramente com a tão apregoada qualidade de vida excepto na ostentação vaidosa dos próprios locais encostados à sombra das paredes com o telemóvel metido na bolsinha presa ao cinto!!!!!!
Não tenho nada contra, até acho que pr'à frente é que é o caminho mas faz-me pena perder-se aquela singeleza sonolenta.


Rais parta este país que me anda a baralhar os neurónios.








sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Já não me lembrava !!!!


Para falar verdade eu já não me lembrava do que era passar um longo período .... de férias, afastado de tudo o que representa rotinas, deveres diários e...do computador. No fundo, creio que nunca cheguei a saber o que era ... tirar férias prolongadas. Durante a minha vida profissional na televisão, as férias a que tinha direito eram ocupadas a organizar e coordenar o serviço de imprensa do Grande Prémio de Portugal de fórmula 1. Depois dessa fase, fui usufruindo de dias livres espalhados pelo ano mas nunca com o espírito de "verdadeiras férias". Desta vez foi mesmo desligar o botão, virar para OFF e...desaparecer.
E sabem que mais? Gosteeeeiiiiiiiiii !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
No meio de todo este dolce farniente embalado ao ritmo alentejano, passei mais um aniversário. Obrigado a todos os que fizeram o favor de me cantar os parabéns a você aqui, nas SMS e nos emails. Obrigado mesmo.

domingo, 9 de setembro de 2007

feliz cumpleaños

la vida es la senda que hemos recorrido y la que haremos,aún.Ningún paso ha sido en vano. Felicidades y que se abran todavía muchos senderos-"besos en la frente"-Marita

CELEBRAR A EXISTÊNCIA

Meu estimado amigo Hélder de Sousa, neste dia em que celebras a tua chegada a este Planeta grandioso (que ficou mais rico com a tua presença) , solto uns versos em tua homenagem:

APROVEITAMENTO MÁXIMO


Permanecer atento e interessado
No meio do nada é uma ambição
Que persigo com um inconfessado
Ardor sentindo uma premonição
Leve que algum caminho estará
Já percorrido e que o futuro mo dará.

Livre de telemóveis, televisões,
Jornais e chatices do quotidiano
No meio de nenhures sem imposições
Aceitando o desafio adamastoriano
Da solidão proposta pelo que aparecerá
Juntando os cacos em tudo o que haverá.

Regressarei ao lugar mais longínquo
Da minha alma examinando preciosidades
Que ainda não perderam as validades
Auxiliando aquele pedaço propínquo
Da pureza que me transportará
A um agregado de vapores e me condensará.

Quieto, sem esboçar qualquer gesto,
Absorvendo a perturbadora riqueza
Exposta em lições que num honesto
E singelo senão irradiará a pobreza
De espírito que, creio, desaparecerá
Deste corpo mutilado que um dia não me pertencerá.

Francisco da Renda


Parabéns e que tenhas um dia feliz!

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Que cien años no es nada...

El domingo 2 de setiembre,hubo elecciones gubernamentales en la provincia de Santa Fe (Argentina).
Ganó el partido de los hombres de la rosa :el partido socialista popular.
Por primera vez en la historia de la Argentina,un socialista ocupará el sillón de la gobernación.
Pero no sólo eso,sino que obtiene el triunfo en ciudades de la pcia. que desde que nació el peronismo ,siguieron peronista.
Ciento tres años de lucha y de espera.
El primer diputado socialista argentino que ocupó una banca fue el mítico Alfredo Palacios,quien presentó las bases de las leyes obreras,que luego pondría en vigencia Juan .D. Perón,desde otra política.
Pasaron años,el partido sufriría golpes fragmentarios e interminables divisiones.Más el golpe que le da el peronismo a ellos y a toda la izquierda.
Pero no cejan...siguen poco a poco.
El partido socialista popular vuelve a renacer en la universidad de Rosario(S.Fe) hace décadas.
Bregaban por la salud,la educación,los salarios y continuaban.
En cada elección sacaban algun puñadito de votos. No cejaban.Hasta que ganaron concejales en la muncipalidad y hace dieciocho años:La intendencia!!!
Desde allí,el pueblo de Rosario sigue eligiendo a intendentes socialistas.
Y este domingo, aquellos muchachos estudiantes de ayer, hoy doctores con más de sesenta años ,asisten emocionados al triunfo de ganar una gobernación. Ríen,cantan lagrimean. Los veo,conozco a muchos de ellos y me emociono juntamente.
Sé que estos "viejos muchachos"están dedicando el triunfo a alguien que los llevó al socialismo,cuando tenían veinte años, allá en los claustros universitarios. Que ahora no está porque se fue unos meses antes del 2 de setiembre.y que me cabe el orgullo de decir que fue mi gran amigo,el hermano que nos da la vida.
El gobernador es uno de ellos,pero más joven.Parco,respetuoso,generoso .Es un médico que ya hizo mucho por la salud en Rosario.
Le deseo lo mejor .Primero fue intendente,después diputado,ahora gobernador-El próximo paso:la presidencia

Às vezes dá-me para isto

Os sixties possuem algo de mágico. Não é só a intolerância da época quente das grandes manifestações em busca de um mundo mais perfeito, mais justo, mas também o molde que ajustou tantos de nós.
Não se confunda, porém, sixties com sixteens, embora ambos resumam enormes potencialidades de melancolia mas também de conforto a prazo.
No meu caso, os sixties a que pretendo chegar... já cá estão, em fase descendente até... a caminho dos seventies, assim il cuore e o resto aguentem...dão-me para desenterrar memórias ... dos sixteens e de antes.
Alguns de vós vão entender o que pretendo trazer para aqui como recordação.
Luanda, anos cinquenta. Cine-Teatro Nacional. Um casarão típicamente da época, cadeiras em madeira que se levantavam, frisas e camarotes como devia ser. Eu adorava o Nacional. Vestia-me todo de branco lavadinho pela minha mãe, recebia 5 angolares, um luxo que dava para tomar o maximbombo desde a Vila Alice (ou Clotilde conforme os amigos com quem ia) até à Mutamba. Dali à matinée era um salto de pardalinho. Os miúdos sentavam-se todos nas três primeiras filas, lá bem à frente. Reagiamos ensurdecedoramente aos feitos do Errol Flyn a preto e branco, adorávamos o Clark Gable e todos os que nos enchiam a cara na grande tela em cima das pestanas.
Tão entusiastas éramos pelo filme como pelo intervalo. De um dos lados do cinema, as portas abriam para um grande pátio onde os mais velhos se punham a fumar e os kandengues acertavam contas com as quintandeiras lá em baixo no passeio, carregadas de coisas boas de morrer - doces de coco, doces de ginguba e outras delicadezas. Gulosamente comiamos os doces e só não mordiamos os dedos empastados de açucar porque doía.
Os 5 angolares davam para dois fins de semana de luxo mais umas estravagâncias entre domingos. No regresso a casa, a opção era, muitas das vezes, pendurarmo-nos nas traseiras dos camiões e das carrinhas que tinham pára-choques atrás. Um luxo de adrenalina.
hs

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