A propósito do último «post» do Helder, gostaria de dedicar estes versos a quem consegue sobreviver neste meu País repleto de contradições (o que não deixa de ser saudável).
FELIZES OS QUE…
Felizes os que se identificam pelo orgulho
Com a Pátria (seja Portuguesa ou Angolana).
O meu Portugal (Abril 74 a Novembro 75) foi com o gorgulho,
A minha Angola (Abril 74 a Maio 76) diluiu-se na sisalana.
Os restantes períodos destas Nações não causam engulho
Nem os rejeito, mas são frágeis como a porcelana.
Aprender a lidar com o que a maioria escolheu
Tem sido uma tarefa árdua e isolada como um ilhéu.
Não recorro a truques de mágica e enganadores,
Luto diariamente para não ser absorvido,
Recorro com frequência à técnica dos coleccionadores
E arquivo (sem orgulho) o pedaço que pode ser sorvido,
Pertenço a um ínfimo grupo de amotinadores
Que sobrevive (com raça), recusando ser reabsorvido
E no isolamento auto-infligido e propositado
Cresci, conquistando um airoso lugar inusitado.
Amo as folhas que dançam com o vento,
Renovo-me com o cheiro do orvalho matinal,
Recolho-me na dimensão do pôr-do-sol sem abatimento,
Solto as rédeas da imaginação no mar divinal,
Convoco a soberba natureza para um abalroamento
Comum em que idolatramos a verdade final
E, sem orgulho, pactuamos com os festins da fartança
Que os homens transformaram numa reles matança.
kambuta
terça-feira, 27 de março de 2007
segunda-feira, 26 de março de 2007
Oh tempo não voltes para trás
O homem reinou durante quase meio século, fez as trafulhices que fez e quis, ainda não passaram os anos suficientes que distanciam uma visão histórica e já foi eleito o maior português de sempre? Isto está tudo louco! Então, uma nação com mais de 800 anos de história não encontrou melhor que o seráfico Botas para tão ilustre título?
Cândidas vozes, nada oportunistas, afirmaram logo a seguir que o resultado do dito concurso, passatempo ou lá o que foi aquilo parido pela RTP não era bem uma votação directa na pessoa do ditador mas sim um voto de protesto contra a actual situação deste Portugalzinho. Pior a bota que a perdigota. Então, aproveita-se um concurso um tanto mal enjorcado (mesmo assim de custos bem elevados) para branquear um maléfico indivíduo que ainda reside na memória de tantos portugueses pelas piores razões só para chatear um outro que está no governo? Isto está tudo doido! É tudo o que os tugas são capazes de fazer? Já agora, elejam o Pinochet e o Mugabe portugueses honorários, coloquem-nos ao lado do Botas, só para chatear o Sócrates.
Achei patética a actuação da D. Odete Santos em defesa do Sr. Cunhal. À míngua de maneiras, recuou 30 anos, qual Passionária da Av. da Liberdade, libertou a cassete que nem o chefe do partido dela ousa tocar, despejou mau feitio em jeito de comício, foi um Oh tempo volta para trás de sinal contrário.
Pelos vistos, continuamos a não saber lidar com a nossa história.
O programa, concurso, passatempo, perda de tempo ou lá que foi aquilo valeu, contudo, pela intervenção final de Leonor Pinhão ao ler uma das estúpidas regras impostas por Salazar aos funcionários públicos. Foi o momento mais alto e mais digno.
hs
Cândidas vozes, nada oportunistas, afirmaram logo a seguir que o resultado do dito concurso, passatempo ou lá o que foi aquilo parido pela RTP não era bem uma votação directa na pessoa do ditador mas sim um voto de protesto contra a actual situação deste Portugalzinho. Pior a bota que a perdigota. Então, aproveita-se um concurso um tanto mal enjorcado (mesmo assim de custos bem elevados) para branquear um maléfico indivíduo que ainda reside na memória de tantos portugueses pelas piores razões só para chatear um outro que está no governo? Isto está tudo doido! É tudo o que os tugas são capazes de fazer? Já agora, elejam o Pinochet e o Mugabe portugueses honorários, coloquem-nos ao lado do Botas, só para chatear o Sócrates.
Achei patética a actuação da D. Odete Santos em defesa do Sr. Cunhal. À míngua de maneiras, recuou 30 anos, qual Passionária da Av. da Liberdade, libertou a cassete que nem o chefe do partido dela ousa tocar, despejou mau feitio em jeito de comício, foi um Oh tempo volta para trás de sinal contrário.
Pelos vistos, continuamos a não saber lidar com a nossa história.
O programa, concurso, passatempo, perda de tempo ou lá que foi aquilo valeu, contudo, pela intervenção final de Leonor Pinhão ao ler uma das estúpidas regras impostas por Salazar aos funcionários públicos. Foi o momento mais alto e mais digno.
hs
quinta-feira, 22 de março de 2007
Abraçar Amigos
(como agradecer???)
Sabem que mais? Isto é tudo muito frágil, é tudo muito passageiro, muito fugaz, num momento está-se bem e no seguinte já não somos donos de nada, pegam no teu corpo, cortam-te de alto a baixo, tiram-te uma veia inteira da perna, viram e reviram o teu coração e, quando dás por ti, estás grog com montes de gente à tua volta a medir, a tirar, a colocar, a ajeitar e verificas que tens uma mangueira espetada pela goela abaixo, mais um monte de tomadas (como as triplas para a electricidade) ligadas a veias, e mais outra ligada ao pescoço e outra de que gostei muito, assim a meio do tronco, em contacto com o coração, uma espécie de chave para ligar a um pace-maker em caso de necessidade.
Mas o pior, por ser o mais desconfortável, é o enorme dreno que te espetam na barriga e vai dar a um garrafão de recolha do sangue perdido.
Tranquilizante mesmo é ver sempre alguém sentado a uma secretária nos pés da tua cama que anota tudo, mas mesmo tudo o que se passa contigo: pressão arterial, batida cardíaca, nível respiratório, débito do soro, débito do oxigénio, as vezes que pediste água, o que comeste, enfim, tudo, tudo, tudo.
Chato mesmo é a tosse que parece te vai fazer rebentar os grampos das costelas.
No meio de tanto tubo e de alguma confusão na tua cabeça é reconfortante saber que estás a ser acompanhado segundo a segundo. Ficas com a sensação de que nada de mal te pode acontecer.
Depois, passas para o quarto e, se tudo está a correr bem, vão-te retirando coisas como o tal desconfortável dreno. E, ao fim de sete dias e alguns exames de controlo, mandam-te para casa. E dás-te conta de que deixaste a tranquila segurança do hospital em troca do conforto da tua casa. Um dos meus médicos, quando decidiu dar-me alta disse uma coisa gira: vou mandá-lo embora daqui que isto de hospitais é para doentes.
Pois, pois!!!!
hs
Sabem que mais? Isto é tudo muito frágil, é tudo muito passageiro, muito fugaz, num momento está-se bem e no seguinte já não somos donos de nada, pegam no teu corpo, cortam-te de alto a baixo, tiram-te uma veia inteira da perna, viram e reviram o teu coração e, quando dás por ti, estás grog com montes de gente à tua volta a medir, a tirar, a colocar, a ajeitar e verificas que tens uma mangueira espetada pela goela abaixo, mais um monte de tomadas (como as triplas para a electricidade) ligadas a veias, e mais outra ligada ao pescoço e outra de que gostei muito, assim a meio do tronco, em contacto com o coração, uma espécie de chave para ligar a um pace-maker em caso de necessidade.
Mas o pior, por ser o mais desconfortável, é o enorme dreno que te espetam na barriga e vai dar a um garrafão de recolha do sangue perdido.
Tranquilizante mesmo é ver sempre alguém sentado a uma secretária nos pés da tua cama que anota tudo, mas mesmo tudo o que se passa contigo: pressão arterial, batida cardíaca, nível respiratório, débito do soro, débito do oxigénio, as vezes que pediste água, o que comeste, enfim, tudo, tudo, tudo.
Chato mesmo é a tosse que parece te vai fazer rebentar os grampos das costelas.
No meio de tanto tubo e de alguma confusão na tua cabeça é reconfortante saber que estás a ser acompanhado segundo a segundo. Ficas com a sensação de que nada de mal te pode acontecer.
Depois, passas para o quarto e, se tudo está a correr bem, vão-te retirando coisas como o tal desconfortável dreno. E, ao fim de sete dias e alguns exames de controlo, mandam-te para casa. E dás-te conta de que deixaste a tranquila segurança do hospital em troca do conforto da tua casa. Um dos meus médicos, quando decidiu dar-me alta disse uma coisa gira: vou mandá-lo embora daqui que isto de hospitais é para doentes.
Pois, pois!!!!
hs
sábado, 10 de março de 2007
ABRAÇAR UM AMIGO
Nesta minha curta (em relação ao cosmos) vida tenho encontrado alguns digníssimos representantes da espécie Humana no seu estado mais puro. É o caso do Helder de Sousa, meu estimado amigo. A ti, vou dedicar estes versos com um abraço apertado:
RESISTENTE
(dedicado ao Hélder de Sousa)
Peões, «slides» controlados, trajectórias
Delineadas, pé no travão e acelerador,
Aproximações tardias, enfim, histórias
De manobras controladas e sem dor
De um menino de olhar claro sem inibitórias
Maquinações que sonhou ser um dia embaixador
Da elegância, do bom senso e do equilíbrio
Conduzindo carros apetrechados de modo sóbrio.
Na televisão, rádio, jornais e revistas
As mesmas características, potenciadas
Pela evolução agreste das africanistas
Vivências que modificou, com acariciadas
Manifestações dignas dos aguarelistas
Soberbos que remarcaram, em balbuciadas
Expressões, uma nova forma de sentir e estar
Neste mundo esplêndido que é para abaluartar.
Ontem à tarde venceste mais uma corrida
Em que outras «mãos» recanalizaram
Tuas artérias massacradas pela poderosa vida
Que tanto amaste e não quiseste bestializada.
A família e os amigos aguardam na avenida
Ficando à espera que arranques da «box» brutalizada
E momentânea para cortares novas e belas metas
Com uma velocidade superior à das velozes setas.
Estoril, 10 de Março de 2007
kambuta
RESISTENTE
(dedicado ao Hélder de Sousa)
Peões, «slides» controlados, trajectórias
Delineadas, pé no travão e acelerador,
Aproximações tardias, enfim, histórias
De manobras controladas e sem dor
De um menino de olhar claro sem inibitórias
Maquinações que sonhou ser um dia embaixador
Da elegância, do bom senso e do equilíbrio
Conduzindo carros apetrechados de modo sóbrio.
Na televisão, rádio, jornais e revistas
As mesmas características, potenciadas
Pela evolução agreste das africanistas
Vivências que modificou, com acariciadas
Manifestações dignas dos aguarelistas
Soberbos que remarcaram, em balbuciadas
Expressões, uma nova forma de sentir e estar
Neste mundo esplêndido que é para abaluartar.
Ontem à tarde venceste mais uma corrida
Em que outras «mãos» recanalizaram
Tuas artérias massacradas pela poderosa vida
Que tanto amaste e não quiseste bestializada.
A família e os amigos aguardam na avenida
Ficando à espera que arranques da «box» brutalizada
E momentânea para cortares novas e belas metas
Com uma velocidade superior à das velozes setas.
Estoril, 10 de Março de 2007
kambuta
segunda-feira, 5 de março de 2007
Juventude Eterna II

Afinal, a Lua, tem dias...
de lados invisíveis...o de lá que só mesmo dando a volta por detrás...
...o do lado de cá que se esconde quando algo maior interfere...
... então, há que olhar com olhos de ver para não se perder a essência, não se ficar isolado e constatar que vale a pena...
...obrigado Xádelima, Koluki, Kambuta, Asperezas, Marita Faini (Arg.), Cacusso, anônimos...
... continuemos a olhar...para não deixarmos de ver.
hs
terça-feira, 27 de fevereiro de 2007
Juventude eterna

Juventude passada em África é juventude para sempre. O cheiro da terra fica impregnado na pele, a luz do pôr-do-sol cola-se na retina, transporta-se tudo no atrelado da memória leva-se para onde se vai e com isso se vai montando uma forma de estar no mundo. Reduzir essas lembranças ao cheiro da terra ou ao pôr-do-sol não é, contudo razão para nos apropriarmos de uma civilização milenar, há outros factores, as vivências, as amizades, os amigos de terreiro, as partilhas e compadrios inocentes, que nos aproximam mas não nos tornam donos de coisa nenhuma. O grande erro dos brancos em relação a África foi pensarem que europeizar os africanos à força era suficiente para lhes controlar os sentimentos encastoados em séculos de tradições. Os brancos nunca tiveram capacidade para entender os negros africanos, porque não quiseram na sua prosápia de civilizadores interesseiros, a Europa nunca quis e continua a não querer perceber a África e não são os imensissímos estudos feitos ao longo da ocupação branca dos territórios africanos que darão o toque de rebate para a tomada de consciência, no convencimento de que os seus valores “ocidentais” são superiores aos dos africanos. Esqueceram sempre que África é culturalmente mais antiga e mais homogénea que a Europa e que foi lá que apareceram os primeiros homens Australopitecos, há uns 3 a 4 milhões de anos, na zona do Transval, sul da África.
Ter vivido a infância e a juventude em África não significa, necessariamente, conhecer África e os africanos mas ajuda, quando se conviveu com africanos da mesma idade, se comeu o funge da mesma lata de leite Nido negra do fumo da fogueira, se bebeu da mesma água da chuva, se dormiu na mesma cubata, se tenha ouvido a transmissão oral da vida da família, se tenha queimado os pés na areia encarnada a ferver de sol. Ajuda, mas não basta. Não basta dizer-se que se tem coração negro enrolado em pele branca. A inversa também vale. Nenhum branco tem o direito de vestir a pele negra simplesmente porque nunca chegou a sentir a humilhação, a exploração desumana, a ignorância atrevida, o abuso interesseiro, numa sucessão de centenas de anos, não foram escravizados e enviados para o Brasil, para os Estados Unidos ou para a Jamaica, não tiveram necessidade de mostrar um cartão assinado todos os dias pelo patrão empregador, não conheceram o chicote do diligente cipaio seu patrício, não carregaram sacos de café, não escavaram a terra em busca de diamantes. Isso ficou colado na pele ao longo de gerações.
Quando se é muito jovem, não se tem percepção disso. Na vivência de uma criança branca na África colonizada não há traumas, não há sentimentos de culpa, há só liberdade de passarinho e a cor da pele não é percebida. Tudo se passa com naturalidade, os dias fluem em ritmo lento definido pela própria Natureza, a terra quente, o embondeiro carregado de múcua, a gajaja acompanhada de pó da estrada, o papagaio feito de papel de embrulho colado com funge, o banho na cacimba das chuvas da época, a fogueira à porta da cubata, o carrinho feito de bambu com rodas de caricas, o regresso à noite a casa dos pais, a escola, as linhas de caminho de ferro de Portugal, a fotografia de Salazar na parede da escola, nada saber das quedas do Duque de Bragança, da fenda da Tundavala, da Baía dos Tigres, da Rainha Ginga, de povos e reinos com história, importante mesmo era ir apanhar mabangas na maré baixa para o arroz domingueiro, a tomada de consciência do lugar de cada um poderá chegar, ou não um dia, um dia não marcado no calendário quando despertam as interrogações, os porquês, o peso das origens e a hora da escolha. Ficam recordações ficam, de cheiros, sons, vozes, falares, cores, do fim do asfalto, do espaço, do horizonte avermelhado ao fim da tarde, dourado ao princípio do dia, dos pequenos amigos de infância de calções sem cor, numa terra a crescer mais depressa que nós para um destino que ninguém poderá prever.
hs
Ter vivido a infância e a juventude em África não significa, necessariamente, conhecer África e os africanos mas ajuda, quando se conviveu com africanos da mesma idade, se comeu o funge da mesma lata de leite Nido negra do fumo da fogueira, se bebeu da mesma água da chuva, se dormiu na mesma cubata, se tenha ouvido a transmissão oral da vida da família, se tenha queimado os pés na areia encarnada a ferver de sol. Ajuda, mas não basta. Não basta dizer-se que se tem coração negro enrolado em pele branca. A inversa também vale. Nenhum branco tem o direito de vestir a pele negra simplesmente porque nunca chegou a sentir a humilhação, a exploração desumana, a ignorância atrevida, o abuso interesseiro, numa sucessão de centenas de anos, não foram escravizados e enviados para o Brasil, para os Estados Unidos ou para a Jamaica, não tiveram necessidade de mostrar um cartão assinado todos os dias pelo patrão empregador, não conheceram o chicote do diligente cipaio seu patrício, não carregaram sacos de café, não escavaram a terra em busca de diamantes. Isso ficou colado na pele ao longo de gerações.
Quando se é muito jovem, não se tem percepção disso. Na vivência de uma criança branca na África colonizada não há traumas, não há sentimentos de culpa, há só liberdade de passarinho e a cor da pele não é percebida. Tudo se passa com naturalidade, os dias fluem em ritmo lento definido pela própria Natureza, a terra quente, o embondeiro carregado de múcua, a gajaja acompanhada de pó da estrada, o papagaio feito de papel de embrulho colado com funge, o banho na cacimba das chuvas da época, a fogueira à porta da cubata, o carrinho feito de bambu com rodas de caricas, o regresso à noite a casa dos pais, a escola, as linhas de caminho de ferro de Portugal, a fotografia de Salazar na parede da escola, nada saber das quedas do Duque de Bragança, da fenda da Tundavala, da Baía dos Tigres, da Rainha Ginga, de povos e reinos com história, importante mesmo era ir apanhar mabangas na maré baixa para o arroz domingueiro, a tomada de consciência do lugar de cada um poderá chegar, ou não um dia, um dia não marcado no calendário quando despertam as interrogações, os porquês, o peso das origens e a hora da escolha. Ficam recordações ficam, de cheiros, sons, vozes, falares, cores, do fim do asfalto, do espaço, do horizonte avermelhado ao fim da tarde, dourado ao princípio do dia, dos pequenos amigos de infância de calções sem cor, numa terra a crescer mais depressa que nós para um destino que ninguém poderá prever.
hs
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007
terça-feira, 20 de fevereiro de 2007
Noche de luces
Una noche del pasado enero me encontré sumergida en un mar de luciérnagas. Serían las nueve cuando comenzó el encantamiento.¿Quién podría evitar cerrar los ojos, hundir los brazos en la dulzura cálida del verano y desear fervientemente ser cubierta de gemas iluminadas a la manera de una deidad pagana?- Yo no sería la excepción.No fui una estatua del paganismo, pero sí, los bichitos de luz tropezaron con mi vestido, mis brazos y algunos descansaron en mi pelo.
¿Magia...? ¿Hechizo...? ¿Vida...?
En verdad no existe criatura igual creada con el logro acabado del sentido del amor: iluminarse para enamorar.Iluminarse ...y volar.
Marita Faini-(Argentina)
segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007
entrar a cem e sair a duzentos à hora!
Gostei da expressão do Helder sobre a poluição que escorre na maioria das revistas. Aqui há dias numa alegre discussão sobre cinema com as minhas filhas e os filhos de uns amigos, constatei a dificuldade em perceberem certas vivências que a nossa geração usou (os círculos de cinema por exemplo). As vivências deles foram torpedeadas com tanta e tão rápida informação que não custa perceber o porquê de eles não entenderam porque precisámos de criar aqueles espaços para podermos ver (e dialogar) cinema a sério. Quando cheguei a casa escrevi estes versos e entreguei uma cópia a cada miúdo que participou na amena cavaqueira e, curiosamente, ficaram na mesma: continuaram sem entender. Deixo-vos aqui os ditos (os versos, claro):
CÍRCULOS DE CINEMA
Instalações exíguas onde cabia a máquina
De projectar de 8mm e um montão de prateleiras
Cheias de fitas excepcionais, desde o traquina
Chaplin aos consagrados que não filmavam asneiras
(Renoir, Resnais, Eisenstein, Wells, Bergman,) numa esquina
Qualquer, influenciando uma geração sem coleira
Que apelidaram (e amaldiçoaram) de esquerda
Com uma conotação estagnada, quase lerda.
Horas e horas sentados analisando planos,
Contraluzes irreais, ângulos impossíveis,
«Plongées» e «travelings» aproximando fulanos
Numa organização de movimentos imprevisíveis.
Formaram personalidades estes mestres,
Divertindo e engrandecendo partículas
Ínfimas de mentes quase silvestres
Que se recusavam a serem gotículas.
Permitiram que víssemos para além do individuo,
Que escutássemos atravessando o ruído,
Ensinaram a aproveitar o resíduo,
Mostraram como se decompõe o poder instituído
Remarcaram o afecto que se tornou assíduo
E recuperaram o que tínhamos de diminuído.
A melhor forma de lhes agradecer não é num poema,
É transmitir aos vindouros porque foram um noema.
Estoril, Fevereiro de 2007
kambuta
Instalações exíguas onde cabia a máquina
De projectar de 8mm e um montão de prateleiras
Cheias de fitas excepcionais, desde o traquina
Chaplin aos consagrados que não filmavam asneiras
(Renoir, Resnais, Eisenstein, Wells, Bergman,) numa esquina
Qualquer, influenciando uma geração sem coleira
Que apelidaram (e amaldiçoaram) de esquerda
Com uma conotação estagnada, quase lerda.
Horas e horas sentados analisando planos,
Contraluzes irreais, ângulos impossíveis,
«Plongées» e «travelings» aproximando fulanos
Numa organização de movimentos imprevisíveis.
Formaram personalidades estes mestres,
Divertindo e engrandecendo partículas
Ínfimas de mentes quase silvestres
Que se recusavam a serem gotículas.
Permitiram que víssemos para além do individuo,
Que escutássemos atravessando o ruído,
Ensinaram a aproveitar o resíduo,
Mostraram como se decompõe o poder instituído
Remarcaram o afecto que se tornou assíduo
E recuperaram o que tínhamos de diminuído.
A melhor forma de lhes agradecer não é num poema,
É transmitir aos vindouros porque foram um noema.
Estoril, Fevereiro de 2007
kambuta
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007
Lepecki
Maria Lúcia Lepecki é professora catedrática da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.Não sei se ainda mantém aquele gostoso sotaque brasileiro, provavelmente abalado por tantos anos de vivência em Portugal. Oxalá que sim. Leio-a compulsivamente na revista Super Interessante onde também tem lugar de cátedra o escritor João Aguiar, um elegante contador de histórias.
Lepecki e Aguiar, com as suas crónicas, representam para mim o filtro despoluidor das toneladas de crónicas publicadas a eito por esses jornais e televisões fora, cujo único mérito é entrarem a cem e saírem a duzentos da minha memória, sem deixarem rasto...felizmente.hs
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007
País do desperdício
Portugal não é um país rico, ok, todos sabemos, não temos petróleo, não temos diamantes, não temos Silicon Valey e nem sequer sabemos vender 500 anos de termos estado noutros continentes. Vendemos o sol (mal e porcamente) no Algarve, porque não temos que o fabricar. Tornámo-nos especialistas na intermediação, coisa que já vinha de trás, a contar com a comissão, somos os gajos do meio, da faixa do meio na estrada, das “entre aspas”, do “depois”, do “contacta 91.......”, do “está em reunião”, do “volto já”, do “fechado para almoço”, do “ou seja”, do “portanto”, do “se não se importa”. Em suma, somos os campeões do “agarrem-me senão parto o gajo todo”, dos autarcas arguidos reconduzidos nos seus lugares, do envelope 9, das condecorações a granel, do tapa-destapa das ruas, do nunca acabar de obras, do “desvio”, do “amanhã, então, depois, falamos”.
Felizmente há excepções, gente que rema teimosamente contra a maré do deixa andar e não perde tempo com as tricas do futebol, com os casos da Elsa Raposo ou com as previsões da Maya.
Somos uns tesos, mas temos um umbigo maior que o mundo e gasta-se à tripa forra.
O que resta da Fundação, enterrada com entulho
Aqui há uns 8/10 anos atrás, nasceu um projecto que tinha tudo para ser lindo. Em Chelas, mais do lado de Marvila (Lisboa), num terreno adjunto à Quinta dos Alfinetes, arrancava a construção de uma infra-estrutura espectacular, desenhada pelo nada mais nada menos famoso arquitecto brasileiro Óscar Niemeyer. Era a sede da Fundação Portugal/Brasil. Uma coisa de luxo, moderníssima como só podia ser, criada por quem sabe. Construía-se a Fundação e, em troca, recuperava-se a Quinta dos Alfinetes.
Até que as obras pararam, deixando à vista uma estrutura de betão armado, colunas de ferro apontadas para o céu e um espaço abandonado às aventuras de crianças distraídas onde uma encontraria a morte. Dizem que as obras foram suspensas por falta de pagamento aos empreiteiros. E ali ficou o nado-morto durante anos à espera de resolução que não chegou. Falou-se de aproveitar a obra para uma piscina municipal. Não aconteceu.
Recentemente, camiões e “caterpillers” entraram no recinto, vedado, despejando entulho. Toneladas e toneladas de entulho, para dentro do que estava construído e no espaço circundante, enchendo inesteticamente toda a área, ao mesmo tempo que a Quinta dos Alfinetes se vai degradando merecendo a designação de ruínas irrecuperáveis.
Depois de se terem gastos milhares a iniciar a construção, depois de anos de abandono, alguém decidiu enterrar tudo como que para esconder a vergonha.
Resumindo: nem Fundação, nem piscina, nem espaço social, nada, somente um vergonhoso amontoado de terra e entulho.
hs
Felizmente há excepções, gente que rema teimosamente contra a maré do deixa andar e não perde tempo com as tricas do futebol, com os casos da Elsa Raposo ou com as previsões da Maya.
Somos uns tesos, mas temos um umbigo maior que o mundo e gasta-se à tripa forra.
O que resta da Fundação, enterrada com entulhoAqui há uns 8/10 anos atrás, nasceu um projecto que tinha tudo para ser lindo. Em Chelas, mais do lado de Marvila (Lisboa), num terreno adjunto à Quinta dos Alfinetes, arrancava a construção de uma infra-estrutura espectacular, desenhada pelo nada mais nada menos famoso arquitecto brasileiro Óscar Niemeyer. Era a sede da Fundação Portugal/Brasil. Uma coisa de luxo, moderníssima como só podia ser, criada por quem sabe. Construía-se a Fundação e, em troca, recuperava-se a Quinta dos Alfinetes.
Até que as obras pararam, deixando à vista uma estrutura de betão armado, colunas de ferro apontadas para o céu e um espaço abandonado às aventuras de crianças distraídas onde uma encontraria a morte. Dizem que as obras foram suspensas por falta de pagamento aos empreiteiros. E ali ficou o nado-morto durante anos à espera de resolução que não chegou. Falou-se de aproveitar a obra para uma piscina municipal. Não aconteceu.
Recentemente, camiões e “caterpillers” entraram no recinto, vedado, despejando entulho. Toneladas e toneladas de entulho, para dentro do que estava construído e no espaço circundante, enchendo inesteticamente toda a área, ao mesmo tempo que a Quinta dos Alfinetes se vai degradando merecendo a designação de ruínas irrecuperáveis.
Depois de se terem gastos milhares a iniciar a construção, depois de anos de abandono, alguém decidiu enterrar tudo como que para esconder a vergonha.
Resumindo: nem Fundação, nem piscina, nem espaço social, nada, somente um vergonhoso amontoado de terra e entulho.
hs
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007
Chó do Guri
HISTÓRIA DE UMA ESCRITORA QUE NASCEU SEM APELIDO, POR SER FILHA DE UM BRANCO...
Luanda - Baptizada sem apelido, apenas Maria de Fátima, por ter nascido da relação de uma negra com um estrangeiro branco, hoje tem pseudónimo literário e contou a sua história numa autobiografia ficcionada.Chó do Guri (negação da criança) carrega no seu pseudónimo literário o peso de uma história pessoal comum a muitas crianças africanas, o de ter nascido filha de mãe negra e pai branco e, portanto, como diziam os padres católicos na altura, "filha do pecado".Quando começou a escrever o livro lançado quinta-feira em Luanda, numa sessão que decorreu no Centro Cultural Português e que contou com a presença da viúva de Agostinho Neto, Maria Eugénia Neto, Chó do Guri pensou em intitulá-lo "A Filha do Pecado".Quase 20 anos depois de ter sido iniciado, o livro, que era para ser apenas uma autobiografia, foi lançado com o título de "A Filha do Alemão" e já transformado numa ficção de inspiração pessoal, onde a experiência da autora, disse a própria à Agência Lusa, é apenas "uns 30 por cento" do total da obra.O livro inaugura a colecção Vozes de África da editora angolana Mensagem, que já tem no prelo uma antologia de 30 anos de contos tradicionais, o "Roteiro da Literatura Angolana" e o "Sagrada Esperança" de Agostinho Neto, numa edição trilingue (português, inglês e francês).Em relação a Chó do Guri, que nasceu em 1959 na Quibala, província do Cuanza-Sul, o seu nome é já um dos mais importantes da literatura angolana.António Fonseca, economista e escritor, afirmou, na apresentação do livro, que "A Filha do Alemão" é um "grande subsídio para o estudo da história recente de Angola", ao mesmo tempo que permite compreender melhor "as novas classes sociais de Angola" e "conhecer a alma e a história recente" do país.Livro íntimo que tardou quase duas décadas a ser escrito, "A Filha do Alemão" foi usado pela sua autora como mecanismo de auto- aceitação da sua biografia."Depois do parto desta obra, sinto-me aliviada. Tinha necessidade de me aceitar tal como sou", explicou.Da Alemanha hitleriana a Angola, passando pelos Açores, "A Filha do Alemão" é uma história contada ao longo de mais de meio século "com uma grande carga emocional e de intensidade dramática", sintetizou António Fonseca, que há 29 anos apresenta, na Rádio Nacional de Angola, o programa "Antologia" sobre a tradição da literatura oral angolana.Chó do Guri, que em 2003 ganhou o prémio do Instituto Marquês de Valle Flor para a literatura Africana pelo seu primeiro romance, "Chiquito de Camuxiba", tem já pronto a editar um novo livro, este de poesia, a sua verdadeira paixão. Chama-se "Na Boca Árida da Quianda" e sairá com a chancela da Kilombelombe.
Luanda - Baptizada sem apelido, apenas Maria de Fátima, por ter nascido da relação de uma negra com um estrangeiro branco, hoje tem pseudónimo literário e contou a sua história numa autobiografia ficcionada.Chó do Guri (negação da criança) carrega no seu pseudónimo literário o peso de uma história pessoal comum a muitas crianças africanas, o de ter nascido filha de mãe negra e pai branco e, portanto, como diziam os padres católicos na altura, "filha do pecado".Quando começou a escrever o livro lançado quinta-feira em Luanda, numa sessão que decorreu no Centro Cultural Português e que contou com a presença da viúva de Agostinho Neto, Maria Eugénia Neto, Chó do Guri pensou em intitulá-lo "A Filha do Pecado".Quase 20 anos depois de ter sido iniciado, o livro, que era para ser apenas uma autobiografia, foi lançado com o título de "A Filha do Alemão" e já transformado numa ficção de inspiração pessoal, onde a experiência da autora, disse a própria à Agência Lusa, é apenas "uns 30 por cento" do total da obra.O livro inaugura a colecção Vozes de África da editora angolana Mensagem, que já tem no prelo uma antologia de 30 anos de contos tradicionais, o "Roteiro da Literatura Angolana" e o "Sagrada Esperança" de Agostinho Neto, numa edição trilingue (português, inglês e francês).Em relação a Chó do Guri, que nasceu em 1959 na Quibala, província do Cuanza-Sul, o seu nome é já um dos mais importantes da literatura angolana.António Fonseca, economista e escritor, afirmou, na apresentação do livro, que "A Filha do Alemão" é um "grande subsídio para o estudo da história recente de Angola", ao mesmo tempo que permite compreender melhor "as novas classes sociais de Angola" e "conhecer a alma e a história recente" do país.Livro íntimo que tardou quase duas décadas a ser escrito, "A Filha do Alemão" foi usado pela sua autora como mecanismo de auto- aceitação da sua biografia."Depois do parto desta obra, sinto-me aliviada. Tinha necessidade de me aceitar tal como sou", explicou.Da Alemanha hitleriana a Angola, passando pelos Açores, "A Filha do Alemão" é uma história contada ao longo de mais de meio século "com uma grande carga emocional e de intensidade dramática", sintetizou António Fonseca, que há 29 anos apresenta, na Rádio Nacional de Angola, o programa "Antologia" sobre a tradição da literatura oral angolana.Chó do Guri, que em 2003 ganhou o prémio do Instituto Marquês de Valle Flor para a literatura Africana pelo seu primeiro romance, "Chiquito de Camuxiba", tem já pronto a editar um novo livro, este de poesia, a sua verdadeira paixão. Chama-se "Na Boca Árida da Quianda" e sairá com a chancela da Kilombelombe.
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